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quarta-feira, julho 04, 2012

Curiosamente,




Seis anos depois, o relógio biológico está na mesma.

Quer dizer, está pior. Não está, bateu as botas.


É que sequer ainda tenho os sonhos malucos dos putos a quererem fazer xixi e o camandro.

Estou mesmo a ver a cena. Um dia, o cabrão do relógio desperta, dá-me as voltas, lá para os oitenta e nove. Quero ver esta bacia, completamente lixada das aulas de barra-de-chão, ballet, contemporâneo e estica, torce, salta, abre, cai, rebola, toda injetada de hormonas aguentar com isso.


sexta-feira, agosto 27, 2010

Alguém explica-me


Porque é que eu,

que sempre adorei crianças,

que tenho uma paciência de Job para as mesmas e não me aborreço nada ao cuidar delas,

que sempre fui A chamada para fazer de babysitter aos filhotes dos amigos,

que sou uma "child magnet", os putos adoram-me, nem preciso de abrir a boca ou conhecê-los para virem ter comigo para brincar,

que já passei pela experiência traumática de ter um miúdo de dois anos a chamar-me de mãe, em plena via pública, em frente ao pai e outros transeuntes que se encontravam presentes, noto, ser chamada de mãe, correr para mim e recusar-se a voltar com o pai, fazendo uma birra que não só foi feia como também muito traumatizante para os envolvidos,

que, pelo amor de Deus, estou nos trintas, deveria ter o relógio biológico aos cucos e em ebulição, vontades de jogar a pílula no lixo, furar tudo o que é preservativo à machadada e copular com todos os homens que aparecessem à minha frente, até acertar e encher a barriga,

Alguém explica, então, porque é que cada vez estou mais aterrorizada em vir a ter filhos, chegando ao ponto de ter pesadelos e ver a minha vida toda a andar para trás se tal acontecesse?

E algo que sempre me pareceu natural, desejável e justificável (Está mais que sabido que serei uma excelente progenitora e educadora.) tornou-se agora numa angústia sem fim?

Angústia, mesmo sabendo que não tenho namorado, que não sofro de paixão nem por um guardanapo e que, dada a minha vida social, a probabilidade de voltar a ter sexo ronda lá para 2038?

Eu quero muito.

Mas um cão.

segunda-feira, outubro 12, 2009

30's Balanço - O que são os trinta, afinal



Muito simples, são uma nova adolescência.

Não sei como é convosco, caros colegas das três dezenas, mas estou em modo "repeat" da adolescência.

Pensando melhor, nem eu tive uma adolescência tão adolescente.

Com o apanágio das regalias dos trinta. Mais confiança, mais segurança, mais objectivos alcançados, mais racionalidade, muito mais tudo isso e outros tantos.

Ou será que é precisamente por isso? Por ter tudo isso que posso viver esta adolescência?Justificar completamente
Ou por finalmente estar livre de corpo, de espírito e de coração?

Alguém me elucida?

Ser trintona é isto, realmente?

Ou estarei a passar por alguma "crise"?

Desde já, relógio biológico, asseguro-vos que não é.

Estou nem aí para bébés.

Se bem que os da Mónica são uns fofos, simpáticos, queridos. Ai e se ficavam, ficavam tão bem na minha casa. Aqueles corpinhos amorosos e os sorrisos fáceis que nos iluminam, as roupinhas, os brinquedos, as papas, até as fraldas, a curiosidade.

Não, relógio biológico está fora de questão.

quarta-feira, junho 27, 2007

Relógio biológico vs relógio fisiológico? They stand together!

0:30 a.m. Repasto: Sandes de presunto e queijo da Serra da Estrela da FIA, engolida a eito, seguida de entrada directa no mundo dos lençóis.

Ao terceiro ronco, já estava estendida na areia de uma praia deserta qualquer, náufraga a despertar para a realidade isolada. Ao meu lado, um Adónis desconhecido de cabelo escuro e olhos intensos demonstra preocupação com o meu estado.

O típico cliché de um naufrágio, numa ilha deserta com um bonzão. Bonzão moreno e musculado, letrado e de conversa sedutora. Logo, faíscas. Muitas faíscas. Este sonho promete! Venha ele, esfrego as mãos de contente.

“ Toc. Toc.” Um puto careca, de seus oito meses, bate no interior da minha barriga. – Tenho sede!

Absorvida pelo envolvente e saboroso enredo, ignoro.

“Toc. Toc.” - TENHO SEDE! – Secura na garganta, a língua é um coxo de cortiça ansioso pelo refresco do tintol. Assim ninguém avança... “Raios do puto inconveniente!”

Ensonada, levanto-me aos tropeções com os olhos colados pelas ramelas amareladas. Estico o braço, derrubo um frasco de perfume ("DOPE"!!!), acordando o prédio inteiro e os cães da vizinha do lado. Miraculosamente, não se parte (!!!) mas, entretanto, já dei uma valente joelhada no canto da mesa de cabeceira, deixando-me aos uivos, em competição com os canídeos esganiçados. Piso a escova de cabelo que deixei caída no chão, tropeço no calhamaço que me socorre nas insónias (Duplo "DOPE"!!!) e tombo com o rosto de encontro ao chão. A custo, movo o maxilar dorido e esfrego os olhos, limpando as ramelas. Lá dou de caras com a garrafa de água, que imediatamente despejo em “glups” guturais.

Cama. Boa, boa! Apanhei o fio à meada e estou, novamente, frente ao Adónis. Momento romântico. O crepitar da fogueira, o canto dos grilos e o barulho das ondas do mar como banda sonora. À nossa volta, chalet e spa, equipados com cozinha industrial e sofás de pele de mosquito, construídos a suor com pedaços de barbante, folhas de palmeira e restos do bolo da minha tia Bia (mistura potente já patenteada e vendida à NASA, como a substância mais dura e resistente do mundo).

Abraçados, envolvidos. A Alexandra a espetar os lábios de encontro aos carnudos do Adónis. O Adónis a espetar os lábios de encontro aos sensuais, bem desenhados e devidamente hidratados da Alexandra... vai...vai...

“Toc. Toc.”, outra vez o puto. – Xixi.

Ignoro. Atordoada, volto ao cenário paradisíaco. Espeto novamente os lábios.

“Toc. Toc.” - Xixi!

Ignoro. Já a espumar sem paciência, o moreno apetitoso cruza os braços de Popeye e atira o lábio inferior para fora, amuado.

- “Toc. Toc.” - XIXI!!! QUERO FAZER XIXI!

- Ó MEU CAB***ZINHO, DO CAR****! SE NAO TE CALAS JÁ, DAQUI A NADA ESTÁS A IR A BADAJOZ! AI ESTÁS, ESTÁS, MEU MERD***!

Azar do catano, ao menos o da Ally Mcbeal dançava com ela...

segunda-feira, outubro 02, 2006

Batatas alucinogéneas


Se há coisa que (ainda) me passa ao lado é o chamado relógio biológico. Nada de vontade de casar, ter filhos, constituir família. Ainda penso que sou uma criança, com muitas árvores por aí para explorar e subir (isto não é uma metáfora).

No entanto, ontem, pela primeiríssima vez na vida, sonhei que estava grávida. Uma barriga não muito rija, mas já proeminente, e lá andava eu, na minha vidinha do costume, quando dei conta que estava grávida de sete meses. Assim como quem dá conta que tem uma nódoa no vestido, do tamanho de uma melancia, já depois de o engomar, vestir, logo no momento em que está a descer o elevador em direcção à rua.

Julgam que me questionei sobre o pai, como foi ou porque não dei conta deste estado há mais tempo? Não. Assim, de repente, reparei que estava grávida, encolhi os ombros (devo andar distraída) e aceitei a condição.

E lá andava eu, de um lado para o outro, a massajar carinhosamente a barriga, como qualquer grávida que se orgulha da sua condição. Com os que me rodeiam foi exactamente o mesmo. Grávida? De sete meses? Com certeza! Como foi tudo muito repentino, coitada, nem tinha muito para vestir, lá esticava a cintura das calças de algodão e alargava uma blusa qualquer, na ilusão de que estaria mais do que apresentável. Muito bonita, até. Sequer me ocorria que, por ora, teria que esquecer as aulas de aeróbica, os saltos muito altos e as latas de leite condensado.

Seria, finalmente, o relógio biológico a dar um ar da sua graça?

Acordei, de repente, a sentir-me estranha, com um leve enjoo. Olho para a barriga e ela ainda está lá! Menos proeminente, mas ainda está lá!

Moral da história: É a última vez que me empanturro, à uma da madrugada, antes de me deitar! Muito menos com batatas fritas! Grávida do Sr. Matutano? Nem pensar!

Agora, esperam-me horas na passadeira para apagar a prova do delito...