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terça-feira, dezembro 28, 2010

Dos sonhos


Nos últimos meses, sonho frequentemente com o Reggae, sonho com cães, até sonho com papagaios e o jardim zoológico que aparecer.

Hoje sonhei com tudo isso e com vírus no computador.

sexta-feira, agosto 27, 2010

Alguém explica-me


Porque é que eu,

que sempre adorei crianças,

que tenho uma paciência de Job para as mesmas e não me aborreço nada ao cuidar delas,

que sempre fui A chamada para fazer de babysitter aos filhotes dos amigos,

que sou uma "child magnet", os putos adoram-me, nem preciso de abrir a boca ou conhecê-los para virem ter comigo para brincar,

que já passei pela experiência traumática de ter um miúdo de dois anos a chamar-me de mãe, em plena via pública, em frente ao pai e outros transeuntes que se encontravam presentes, noto, ser chamada de mãe, correr para mim e recusar-se a voltar com o pai, fazendo uma birra que não só foi feia como também muito traumatizante para os envolvidos,

que, pelo amor de Deus, estou nos trintas, deveria ter o relógio biológico aos cucos e em ebulição, vontades de jogar a pílula no lixo, furar tudo o que é preservativo à machadada e copular com todos os homens que aparecessem à minha frente, até acertar e encher a barriga,

Alguém explica, então, porque é que cada vez estou mais aterrorizada em vir a ter filhos, chegando ao ponto de ter pesadelos e ver a minha vida toda a andar para trás se tal acontecesse?

E algo que sempre me pareceu natural, desejável e justificável (Está mais que sabido que serei uma excelente progenitora e educadora.) tornou-se agora numa angústia sem fim?

Angústia, mesmo sabendo que não tenho namorado, que não sofro de paixão nem por um guardanapo e que, dada a minha vida social, a probabilidade de voltar a ter sexo ronda lá para 2038?

Eu quero muito.

Mas um cão.

terça-feira, julho 20, 2010

Eu bem disse que não tenho vontade de partilhar nada do que se passa na minha vida


Mas, esta noite, sonhei que estava a fazer um brilhante rappel, na Torre Eiffel.

Completamente iluminada porque era noite, luzes e mais luzes à minha volta, com o céu azul arroxeado, da cor do céu nocturno do Moulin Rouge.

De lá de cima até cá abaixo, numa grande velocidade (mas que demorou horas), vindo parar literalmente ao Estúdio 2, (no tempo em que ainda tinha o chão azul), mesmo a tempo da aula de Hip Hop, que ia ser dada pelos gémeos, em substituição do Vasco porque este está na Hungria.


Agora digam-me, seus valentes cuscuvilheiros da vida alheia, o que farão com esta informação?

terça-feira, março 16, 2010

Entendo que Deus esteja a querer passar-me uma mensagem


Quando sonho com os empregados "gays mais hype não há" da Blue Man, ali na Visconde de Pirajá.

terça-feira, agosto 18, 2009

Sinopse de uma noite bem dormida


Definitivamente, tenho de deixar de dormir com um bloco de notas e esferográfica ao lado, para apontar coisas que me lembro durante a noite.

Hoje, amanheci com os seguintes rabiscos:

"Não entres no avião do lado pois não há arroz doce e todos estão muito longe. As cuecas são cor-de-laranja. Pelo caminho, comprar detergente."

Espera-me uma tarde interessante a tentar decifrar isto.

terça-feira, julho 21, 2009

Por estas horas,

A partir de amanhã e durante os próximos quinze dias, escrever-vos-ei daqui.



Sweet Dreams are made of this


Esta noite, sonhei que estava a passar uma temporada no Polo Norte.

Vivia num tradicional Iglu, deslocava-me à academia de dança num trenó puxado por cães.

Vestia um daqueles casacos de pele com pêlo farfalhudo no capuz.

O meu marido (!!!), tinha precisamente o aspecto do senhor que se segue.




Só não davamos beijinhos à esquimó porque sempre achei ridículo e fazem cócegas insuportáveis.

Quando acordei, estava enrolada em nada mais nada menos do que dois edredons, a colcha, a roupa toda que havia deixado repousada sobre a cadeira e o saco da dança. 

Deviam estar uns trinta e oito graus na minha cama. Pelo menos.

Agora pergunto, uns sonhos úteis, não?

Daqueles em que aprendemos russo com o bonzão do agente infiltrado ou somos servidas pelo Jamie Oliver, numa mesa solitária à beira mar. Ou dos que nos deixam à solta num hipermercado sem gente à vista, justamente quando temos aqueles desejos de grávida por leite condensado.

Qualquer coisa.

Tudo menos partilhar um cubo de gelo com um esquimó, catorze cães e cinco ou seis putos que já nasceram com bigodes iguais ao do pai. Raparigas incluídas.

terça-feira, junho 30, 2009

Sonhos que se perdem ao luar...


À conta do sonho de um amigo, hoje andei a espreitar o significado dos sonhos, tendo encontrado, entre vários, os seguintes para se debruçarem:

SABÃO
Costuma ser um conselho. Sugere limpar, esclarecer. Recomenda agir com suavidade. Anuncia que as coisas começarão a se mostrar de forma mais clara. Se escorregamos por culpa do sabonete, estamos em perigo de "dar uma mancada" de errarmos, de cometer um deslize. De modo geral- indica problemas de ordem familiar, que podem ser por discussões financeiras ou relacionamento conflituoso. Procure não esperar tanto dos outros.

É o vulgo sonho "A aldeia da roupa branca." De repente somos a Beatriz Costa de franjinha a esfregar as ceroulas do marido.

SALSICHA
Ver- cautela com pessoas do sexo masculino; perigo de traição; fofocas. Comer- satisfação de um desejo antigo que pode ser viagem ou compra de imóvel, carro ou aparelho elétrico.

Mas quem é que sonha com salsichas? Um alemão? Um alemão erradicado num país onde seja proíbido comer porco? O stalker da Salsicha não te Desgraces?

SANDUÍCHE
Ver- problemas financeiros na família; dívidas e prejuízos em transações comerciais. Comer- dinheiro vindo por comissão em vendas; aumento de salário; herança à vista.

Outra. Quer dizer... vendo bem, já sonhei. Uma vez ou outra... Várias... Pronto, muitas, incluindo as vezes que sonhei que estava sozinha no supermercado e pude atacar as secções dos enchidos e queijos.

ABACATE
Sonho que traz sempre bom agouro. Vê-los aos montes- amor em esperança. Comê-los- alegria e felicidade. Maduros- prosperidade. Verdes- contrariedades. No pé- transformações no seu modo de vida; bom augúrio. Comê-lo- ambições elevadas, futuro interessante. Vê-lo com outra fruta- fofocas em família; cuidado com as tias.


Se der para incluir vinho do Porto e um pouco de açúcar amarelo, perfeito. É um sonho de bom gosto.

"Xana... Acorda!"

"Nem pensar! Estou a sonhar com abacates!"

AÇÚCAR E CONFEITOS
Simbolizam riquezas para quem, em sonhos, se os vê comendo. É sinal de que escapará das doenças e verá seus inimigos dominados. Simboliza também as delícias do amor, sobretudo de valor sentimental. Derramado- harmonia em casa, restabelecimento de amizade ou compromisso desfeito. Comer- insatisfação interior de origem emocional, procure conhecer novas pessoas.


Palavras para quê? Está tudo dito e explicado. Sou a maior. Esperem! Não tinha lido a última frase... DOPE!

AGRIÃO
Plantar- recompensa por trabalho feito. Colher- idéias novas e produtivas estão no seu caminho, aguarde. Comer- fortuna e riqueza, por empresas habilmente dirigidas pelo trabalho


Já sonhei com o manjerico dos Amigos do Gaspar. Conta?

AZUL
É sempre bom sonhar com a cor azul, pois a mesma indica harmonia, paz, felicidade e grandes realizações amorosas. Roupas de tom azul- aproveite para fechar negócios em suspenso.

Então... Os sonhos não são a preto e branco? Ou isso é a visão dos cães? Juro que já sonhei com muito mar e céu azul e garoto moreno.

JEJUM
De modo geral- indica, boa saúde; energia positiva; muita disposição. Se o seu coração está livre, tudo indica que logo mais, e desde que você queira, será ocupado.

Não é um sonho, antes um pesadelo.

FEZES
Incrível, mas é um sonho de bom agouro; indica sorte no campo profissional; realização de negócios vantajosos e lucros em qualquer tipo de empreendimento.


Gente, só pode ser uma coisa: dor de barriga.

EXCREMENTOS
Prediz fortuna para aquele que se vir sujo de excrementos de um homem rico. É também sinal favorável defecar em lugar retirado. Há de se obter proveito com um sonho em que se veja ajuntar excrementos de vaca, esterco de cavalo e os dejetos mais diversos. Os antigos consideram também que os excrementos significam riqueza, ouro e prata, seja quando são contemplados ou quando neles se escorrega, ou ainda quando se está sujo deles. Sonhar com defecação permite prever que se ficará livre de aborrecimentos. Contudo, se defecar na cama, em sonho, irá separar- se rapidamente de seu parceiro.


Agora não percebi. Qual é a diferença? Então, afinal sonhou com o quê? Fezes. Não... Escrementos!

BACALHAU
Ver um- amores contrariados. Comer bacalhau- casamento ou noivado próximo.

Cá entre nós, já que ninguém nos lê, parece-me antes um pesadelo com o pequeno Saúl. Ou o Natal está próximo e ainda não foram ao supermercado. Qualquer coisa desse género.





terça-feira, março 24, 2009

Carta a um viajante emigrado noutro continente


Meu querido,

Sonho todos os dias com o frondoso navio que te apartou de mim, lentamente a desvanecer no horizonte.

Imagino que o teu regresso não tenha sido fácil.

Nunca tiveste o estômago para o alto-mar, calculo que o saco de papel e o balde tenham sido os teus melhores amigos, entre ondas e balanços repetidos.

É de preocupação que se enche o meu peito, quando recordo a tua cor esverdeada no primeiro passeio que demos. Recordas-te? Quando te levei a conhecer outros mundos que não o Kubo e o SushiRio. Afinal, Cacilhas, pode ser também a imagem de um paraíso, personificado pela singela e encantadora taberna, com cheiros no ar a cerveja e óleo de fritar demasiadas vezes queimado.

Como não haverias de recordar... Naquele momento, acreditei que te perderia alí mesmo, na calçada, no meio de todo o choco frito, ameijoas e panaché devolvidos pela tua garganta, a esforço.

Mas superaste. Fizeste-me prometer que nunca mais te levaria a tal jornada. O amor é mais forte e eu esqueci a lua de mel no Barco do Amor, com destino a Acapulco, com que sempre sonhei na minha infância longínqua. A casa da madrinha também foi agradável, se esquecermos o pequeno Miosótis, que uivava a toda a hora.

São duros os dias que passo sem ti. 

Fecho os olhos e vejo-te sorridente, nesse clima, nesses areais de uma terra ainda muito pouco povoada e por construir.

Vejo-te alegre a dançar aquelas Kizombas, que tornam as tuas ancas tão apetecíveis, com aquelas pretas concupiscientes, de carnes fartas, rabudas e lábios ávidos de pele branca.

É nessas alturas, meu querido, que dói. Dói-me a alma e o corpo. Dói-me o sexo. Não te quero ver com aquelas pretas e muito menos a dançar aquelas kizombas e mornas que dançávamos quando te perdias com o meu rabo.

Ainda te perdes, replicas tu. És um querido e um cavalheiro. De coração tão grande, que me falta a respiração quando me lembro no exacto momento em que o gritavas para que todos os vizinhos o soubessem.

Antes que me esqueça, no bolso interior da tua mala encontrarás uma bisnaga de pomada.

Sei que não é muito e não chega aos pés do salame da tua mãe, mas os mosquitos são gulosos, meu querido. 

O marido da minha prima foi picado e, de lá, retornou boçudo, emborbulhado de gosma e doenças que só aqueles pretos têm ou inventam, para correrem com os ingleses e americanos que lá vão atrás do petróleo. Mas os mosquitos não falam inglês, só distinguem a cor da carne, não te esqueças de espalhar bem a pomada.

Eu não te quero boçudo, meu querido. Não quero passar a vida a mudar pensos e emplastros cobertos de puz e encharcados da tua febre. Não aguento. Para isso, prefiro deixar-te e recordar-te como eras naquelas noites em que gritavas que o meu rabo era o melhor de todos.

Assim me despeço.

Com saudade. 

Não esqueças os meus pedidos. Não olhes para as pretas. E para as mulatas. É delas todas de quem mais tenho ciúmes. Sequer posso imaginá-las enroscadas em ti. Deleita-te antes nos banhos, nos mares, nas comidas e frutas tropicais. Tens ainda a RTP Àfrica e à RTP Internacional para apaziguar o desejo. Diz que resulta e vamos confiar.

Um beijo imenso.

segunda-feira, fevereiro 02, 2009


Estou tão, mas tão, necessitada de férias (verdade seja dita, não sei o que isso é há alguns anos - deixei de contar), que este ano vou arrendar uma casa, durante o mês de Agosto inteiro, na minha querida Vilamoura, e mato saudades.

Não quero viagens, sitios exóticos, novidades. Ir à terra para recuperar forças, já dizia Miguel Torga.

Quero retemperar.

Levanto-me cedo para ir ao pão e de seguida à praia, faço corridas de jet ski,  permito que a pele escureça muito, grelho peixe no jardim, dou festas na piscina, espero o anoitecer na areia, ligo os aspersores no final da tarde, tomo duche de mangueira na relva, bebo daiquiris durante o jantar, rio, rio muito com os amigos, danço ao ar livre, salto as ondas de madrugada e escolho biquinis ao som dos Beach Boys, quem sabe, faço amor sob as estrelas. Mato saudades dos cheiros, da família e dos amigos, dos sabores, dos pinheiros mansos.

Está decidido. Este ano tiro um mês de férias.

Se conseguir ter o trabalho todo encaminhado até lá.

Se encontrar alguém de confiança para segurar as rédeas, durante esse período.

Se conseguir afastar a cabeça das obrigações.

Se...

Pois...

segunda-feira, janeiro 26, 2009

Retrato de uma sociedade

Estou a apaixonar-me por Obama.

Reparem bem, é irresistível.

O sorriso perfeito e terno, os olhos amendoados e brilhantes marejam esperança.

As palavras certas e seguras de alento.

Seria o conto de fadas perfeito.

O casamento, a valsa com ele a conduzir-me gentilmente, a olhar-me nos olhos e a sorrir. Aquele sorriso...

Depois... Depois,

A crise eliminada, as contas pagas, paz na vizinhança, fruta na mesa e despensa abastecida.

Eu também acredito no sonho.

Obama, faz-me um filho!

terça-feira, abril 08, 2008

Eat Now?

Ora bem.

Sábado foi o meu aniversário.
Jantareco, comemorado com alguns (não muitos excessos).

A saída tardia foi substituída por tardia converseta no carro até à madrugada. Mulheres…

Domingo, oito horas da manhã, completamente de rastos, abro a pestana com os chilreados das andorinhas que habitam o cimo da minha janela.

Obviamente, sem conseguir dormir mais um segundo, pois vai-se lá enganar o meu organismo e dizer que deveria descansar de manhã. Se o sol já acordou, mal ou bem, o corpo também.

Levanto-me, engulo duas fatias enormes de bolo de anos, que sobrou imenso. De chocolate com recheio de doce de leite. Façam três fatias, para não enganar os leitores. Mais as migalhas perdidas no prato, que depeniquei. E a extensa cobertura de massapão, os holofotes (sim, o meu bolo tinha holofotes). Só não comi os bonecos porque foram alvo de brincadeiras no jantar. Das sádicas. Num instante fiquei com corpo de mulato e perneta. Esparregata de só uma perna.

Nem dá para me escapar para o ginásio. Provavelmente tropeçaria nos pesos e o almoço de família estava mais do que combinado.

Restaurante: Japonês. Os meus pais, virgens de sushi. Vamos àquele no Odivelas Parque, que é barato e é à descrição.

Devoro vinte e três pratos de sushi, alambazadamente embebido em molho de soja e muito, muito, wasabi, devidamente empurrado com copos e copos de saquê.

- Isso é forte? – Pergunta a minha mãe?

- Nã… Mas não vais gostar…

Completamente empanturrada, sem espaço para o mais ínfimo rebento de soja, termino a refeição com uma careta e um ostensivo arroto de aprovação. Volto atrás na decisão e engulo ainda dois pudins, um de manga, outro de chocolate. Só para provar.

Rebolo pelo centro e torço o nariz à possibilidade de experimentar uma camisola vergonhosamente justa que a minha mãe insiste em oferecer.

Chegada a casa, decido merecer uma sobremesa. Uma fatia finíssima de bolo, pela vergonha. Mais uma. Mais uma… e meia… Dez centímetros de fatias fininhas, foi só um pouco para provar.

Caio no sofá e ronco até acordar o aborígene que mora em Melbourne.

Agora o pior.

Alguém me explique, que eu não percebo.

Alguém que me explique porque razão vou sonhar que a menina samurai do Kill Bill, versão made in sugar, corre atrás de mim, de sabre em riste, a gritar "essa camisola é minha.

Inimiga enjoativa que, após corridas de terror, venço com uma dentada que lhe arranca a cabeça. Mastigo. Engulo. Adeus Uma Thurman.

De seguida, o seu elegante corpo açucarado transforma-se em dez empregadas de loja com braços de massapão e pernas de sashimi que insistem "Experimente esta! O xs! Experimente o xs".
Todas aniquiladas, abocanhadas com dentadas ruidosas e certeiras, ficam manetas, ficam pernetas, de pescoço de açúcar ao léu.

A sério que não percebo porque tenho estes sonhos.

sábado, fevereiro 09, 2008

A pacífica

Pensem comigo. (Este foi o meu Sábado)

Uma hora e meia de Jazz: meia hora de preparação física (abdominais, força e flexibilidade), meia hora de técnica (saltos, piruetas, degolés e afins) e meia de coreografia.

Uma hora e meia de ballet - sem barra (!!!)(dor).

Uma hora e meia de Jazz: uma hora de preparação física (abdominais, abdominais, abdominais, força pernas, abdominais, flexi-au-au-bili-ui-ui-dade) e meia de coreo.

Uma hora e meia de ballet (dor, dor, dor - o raio da dança é antinatural e é tudo menos o que parece. Estou levezinha? Pareço. Mas a contrair abdominais, pernas, aperta as pernas, estica as pernas, o pé e os tendões a queixarem-se, força, força). Sorte a dos pinguins que têm os pés em en dehor.

O meu professor de ballet diz que a dança é capacidade de sofrimento. Se dói, é porque estamos a fazer bem.

Literalmente, acreditem.

O tipo dormia com os pés atados à cama em en dehor ("um quarto para as três").

Sair a desfalecer da academia, depois de um dia inteiro sem ver o sol.

A arrastar os pés até ao metro.

Chegar a casa, cair no sofá e, cinco minutos depois, sonhar que estou no Brasil a dançar esta música. A tarde toda. Pela noite dentro. Até o sol nascer.

Já chegava, não?!!!

terça-feira, julho 10, 2007

I believe I can fly

Hummm...

Um pequeno balanço, uma braçada de bruços e estou no ar. Pairo. Deslizo, a dois metros do chão. Vou à conversa. Com um toque de ombro desvio-me do candeeiro de rua.

Despeço-me do Hugo. Ganho velocidade. Pouca. Das ruas que se encaminham para a escola primária às ruas de Lisboa é um pulinho. Um balanço. Três ou quatro braçadas de bruços, deslizo contente.

Mais três ou quatro e estou a chegar à praia da minha adolescência. Pairo. Tão bem que sabe, sob a brisa quente perfumada pelas figueiras. O cheiro doce da terra mourisca encaminha-me, suavemente, a dois metros do chão. Pisco o olho às gaivotas, por entre acrobacias. Desejo o veleiro amarelo da ponta, paro nos gelados da Veneza, saboreados no alcatrão preto da marina. Risadas e despedidas breves aos do costume.

Balanço e estou novamente no ar. Sim, voo. Nado graciosamente no ar. De energias recuperadas pelo lanche guloso, três ou quatro braçadas, despeço-me do cenário. As ribanceiras verdes a perder de vista do liceu cumprimentam-me. "Sua desaparecida!" Agora sim, velocidade, razia, quase raspando a relva. acompanho o acentuado declive da escola edificada na colina. Enérgica, precisa. Ora ganho altitude, cocejando as nuvens, ora pico o voo, desafiando a ameaçadora superfície.

Ganho balanço, uma braçada enérgica e preparo-me para... "Trriiiiiiiimm!!!"

- Hã? - Esfrego os olhos colados pelas ramelas. - Que raiva! Estava a dormir mesmo bem!

Sem delongas, afasto os lençóis, coloco-me de pé na cama, aos tropeções, e mergulho, decidida, da rampa de voo improvisada.

Já no ar, dou por mim a ter um momento "desenho animado", um nano-segundo de congelamento introspectivo, parada no meio da atmosfera. "Consigo ou não consigo? Mas consigo ou não??? Pânico!!!!"

A resposta, clara blogosfera, não se fez esperar. Nano-segundo terminado, mergulho certeiro de queda livre sem paraquedas, encontro imediato, de todos os graus e mais alguns, com a superfície da pedra fria do chão.

Rosto esborrachado, um grande "splat" de mosquito afito ao inevitável encontro com o vidro de um Audi R8, numa 24 Horas de Le Mans. Um beijo, um abraço abrupto e indesejado num cacto Saguaro. Um grande "autch" pela manhã.

Putice dos azares: Fortalezas de almofadas jogadas ao acaso pelo chão e nem uma no "X" spot para me amparar o desaire.

Nota mental 1: Antes de me deitar, verificar sempre se as janelas estão convenientemente fechadas.

Nota mental 2: Sem levantar suspeitas, averiguar se fazem quartos almofadados, fora dos manicómios, e garantir aos amigos que se trata de uma nova moda parisiense, "supê fashion"!

Nota Mental 3: Bébé, volta. Estás perdoado!

quarta-feira, junho 27, 2007

Relógio biológico vs relógio fisiológico? They stand together!

0:30 a.m. Repasto: Sandes de presunto e queijo da Serra da Estrela da FIA, engolida a eito, seguida de entrada directa no mundo dos lençóis.

Ao terceiro ronco, já estava estendida na areia de uma praia deserta qualquer, náufraga a despertar para a realidade isolada. Ao meu lado, um Adónis desconhecido de cabelo escuro e olhos intensos demonstra preocupação com o meu estado.

O típico cliché de um naufrágio, numa ilha deserta com um bonzão. Bonzão moreno e musculado, letrado e de conversa sedutora. Logo, faíscas. Muitas faíscas. Este sonho promete! Venha ele, esfrego as mãos de contente.

“ Toc. Toc.” Um puto careca, de seus oito meses, bate no interior da minha barriga. – Tenho sede!

Absorvida pelo envolvente e saboroso enredo, ignoro.

“Toc. Toc.” - TENHO SEDE! – Secura na garganta, a língua é um coxo de cortiça ansioso pelo refresco do tintol. Assim ninguém avança... “Raios do puto inconveniente!”

Ensonada, levanto-me aos tropeções com os olhos colados pelas ramelas amareladas. Estico o braço, derrubo um frasco de perfume ("DOPE"!!!), acordando o prédio inteiro e os cães da vizinha do lado. Miraculosamente, não se parte (!!!) mas, entretanto, já dei uma valente joelhada no canto da mesa de cabeceira, deixando-me aos uivos, em competição com os canídeos esganiçados. Piso a escova de cabelo que deixei caída no chão, tropeço no calhamaço que me socorre nas insónias (Duplo "DOPE"!!!) e tombo com o rosto de encontro ao chão. A custo, movo o maxilar dorido e esfrego os olhos, limpando as ramelas. Lá dou de caras com a garrafa de água, que imediatamente despejo em “glups” guturais.

Cama. Boa, boa! Apanhei o fio à meada e estou, novamente, frente ao Adónis. Momento romântico. O crepitar da fogueira, o canto dos grilos e o barulho das ondas do mar como banda sonora. À nossa volta, chalet e spa, equipados com cozinha industrial e sofás de pele de mosquito, construídos a suor com pedaços de barbante, folhas de palmeira e restos do bolo da minha tia Bia (mistura potente já patenteada e vendida à NASA, como a substância mais dura e resistente do mundo).

Abraçados, envolvidos. A Alexandra a espetar os lábios de encontro aos carnudos do Adónis. O Adónis a espetar os lábios de encontro aos sensuais, bem desenhados e devidamente hidratados da Alexandra... vai...vai...

“Toc. Toc.”, outra vez o puto. – Xixi.

Ignoro. Atordoada, volto ao cenário paradisíaco. Espeto novamente os lábios.

“Toc. Toc.” - Xixi!

Ignoro. Já a espumar sem paciência, o moreno apetitoso cruza os braços de Popeye e atira o lábio inferior para fora, amuado.

- “Toc. Toc.” - XIXI!!! QUERO FAZER XIXI!

- Ó MEU CAB***ZINHO, DO CAR****! SE NAO TE CALAS JÁ, DAQUI A NADA ESTÁS A IR A BADAJOZ! AI ESTÁS, ESTÁS, MEU MERD***!

Azar do catano, ao menos o da Ally Mcbeal dançava com ela...

quarta-feira, abril 04, 2007

Dreamland or Sugarland?

Vocês "matraqueiam", batem não num mas na inteira associação nacional dos ceguinhos, vão à Fátima Lopes, fazem-me jurar, lançam flyers de aviões a dizerem-me para não abusar. Pois, bem sei. Qualquer dia, sou diabética... Mas, todavia, contudo, o açúcar tem influências caricatas sobre mim que não podem ser ignoradas. Mormente sobre a minha imaginação (ou subconsciente).

Ontem à noite, regresso do ginásio às dez e meia, como de costume. Como qualquer coisa, ligo o pc, organizo a agenda, distraio-me com as horas e dou por mim a fazer uma nova jornada e a adiantar trabalho. "Grande novidade", direis vós.

Meia-noite e picos e uma fome desalmada... Já sonhava com móveis feitos de chutney de pêras e chocolate e molho picante de frango assado a correr nas torneiras da casa, estas, por sua vez, feitas de broa de milho.

Assim que entro na cozinha, tropeço numa enorme taça repleta de morangos com açúcar (esqueçam lá a piadola, ok?!). Escusado será dizer que a dita esfumou-se num ápice, deu entrada para os casos de desaparecidos mais graves, consta dos registos da Interpol e é procurada em Kigali e no meridiano do Equador. "Grande novidade...", replicam vocês já com menos paciência.

Pois... O que dizer? O açúcar é o meu psicotrópico preferido.

Morangos exageradamente afogados por açúcar amarelo, já fundido com os sucos da fruta. E lá fui, plena e satisfeita, para a cama.

Bastou pregar o olho, para me ver nos jardins do Castelo de Alvito (como eram há uns bons anos, antes da recuperação). Desço pelas árvores, fujo do quadro que nos persegue com o olhar e aceno ao estrunfe. Nervosamente, surge o coelho a gritar "vem aí a raposa! Vem aí a raposa!". Agarro no estrunfe e enfiamos-nos na gruta mais próxima. "Que bela enrascada!", pensei. "Está escuro como bréu e, com sorte, ainda aparece a cobra...

Mas não. Sem esperar, acendem-se as luzes e... "Surpresa!!!!!!" Todos os meus ex-colegas do escritório com um bolo enorme. Reacção... agarro no estrunfe pelo cós das calças e escapo, desesperada, a gritar "Não, não! Eu não quero voltar para aí!Nãaaaooooooooo!"

À saída da gruta, qual coro de Santo Amaro, a Su, a Ana, o Àlvaro, a Filipa, o Bruno e toda a malta do ginásio. Colocam os braços em redor dos ombros de uns dos outros, fazem o sorriso "Nós cá somos alegres e cantamos tão bem que não percebemos o que é que as freiras da Whoopi Goldberg têm a mais do que nós!" e entoam:

"É bom ver na floresta o sol nascer! É bom imaginar o que irá acontecer! São tantas amizades, são histórias de amizades, que vão os nossos amigos animais viver..."

"Que sorte!", pensei. "O episódio chegou ao fim!"

P.S. 1 - Nem venham pedir alviçaras pelas teorias por vós avançadas sobre a banda sonora infantil que compõe os meus sonhos. A culpa é do açúcar.

P.S. 2 - Este sonho teve tramas e meandros bem mais sórdidos e estimulantes pelo meio. Juntei pessoas que nem que a borboleta sacudisse as asas várias vezes se poderiam encontrar e conhecer. Não relato o enredo completo por uma questão de pudor ou embaraço mas porque poderão estar crianças a ler o blog!

sexta-feira, março 30, 2007

Dia dedicado aos sapos

Tenho de deixar de comer chocolates antes de me deitar.

Resultado: sonhos mirabolantes em que junto pessoas que não têm nada a ver, em que a minha praia preferida fica logo ao descer da minha rua e, na rua das traseiras, ficam os campos do Alentejo.

Lá para o final, estava a dançar esta música (numa valsa muito concentrada) com uma pessoa que julgava já ter esquecido...

quinta-feira, outubro 05, 2006

A pedido de algumas famílias, apresento-vos...



O Sr. Matutano!

Havia de ser o quê? Embalagem hermeticamente selada para conservar a frescura e sabor das batatitas, neste caso com sabor a presunto.

segunda-feira, outubro 02, 2006

Batatas alucinogéneas


Se há coisa que (ainda) me passa ao lado é o chamado relógio biológico. Nada de vontade de casar, ter filhos, constituir família. Ainda penso que sou uma criança, com muitas árvores por aí para explorar e subir (isto não é uma metáfora).

No entanto, ontem, pela primeiríssima vez na vida, sonhei que estava grávida. Uma barriga não muito rija, mas já proeminente, e lá andava eu, na minha vidinha do costume, quando dei conta que estava grávida de sete meses. Assim como quem dá conta que tem uma nódoa no vestido, do tamanho de uma melancia, já depois de o engomar, vestir, logo no momento em que está a descer o elevador em direcção à rua.

Julgam que me questionei sobre o pai, como foi ou porque não dei conta deste estado há mais tempo? Não. Assim, de repente, reparei que estava grávida, encolhi os ombros (devo andar distraída) e aceitei a condição.

E lá andava eu, de um lado para o outro, a massajar carinhosamente a barriga, como qualquer grávida que se orgulha da sua condição. Com os que me rodeiam foi exactamente o mesmo. Grávida? De sete meses? Com certeza! Como foi tudo muito repentino, coitada, nem tinha muito para vestir, lá esticava a cintura das calças de algodão e alargava uma blusa qualquer, na ilusão de que estaria mais do que apresentável. Muito bonita, até. Sequer me ocorria que, por ora, teria que esquecer as aulas de aeróbica, os saltos muito altos e as latas de leite condensado.

Seria, finalmente, o relógio biológico a dar um ar da sua graça?

Acordei, de repente, a sentir-me estranha, com um leve enjoo. Olho para a barriga e ela ainda está lá! Menos proeminente, mas ainda está lá!

Moral da história: É a última vez que me empanturro, à uma da madrugada, antes de me deitar! Muito menos com batatas fritas! Grávida do Sr. Matutano? Nem pensar!

Agora, esperam-me horas na passadeira para apagar a prova do delito...