
Hoje sonhei com tudo isso e com vírus no computador.




Definitivamente, tenho de deixar de dormir com um bloco de notas e esferográfica ao lado, para apontar coisas que me lembro durante a noite.
Hoje, amanheci com os seguintes rabiscos:
"Não entres no avião do lado pois não há arroz doce e todos estão muito longe. As cuecas são cor-de-laranja. Pelo caminho, comprar detergente."
Espera-me uma tarde interessante a tentar decifrar isto.
Vivia num tradicional Iglu, deslocava-me à academia de dança num trenó puxado por cães.
Vestia um daqueles casacos de pele com pêlo farfalhudo no capuz.
O meu marido (!!!), tinha precisamente o aspecto do senhor que se segue.
Só não davamos beijinhos à esquimó porque sempre achei ridículo e fazem cócegas insuportáveis.
Quando acordei, estava enrolada em nada mais nada menos do que dois edredons, a colcha, a roupa toda que havia deixado repousada sobre a cadeira e o saco da dança.
Deviam estar uns trinta e oito graus na minha cama. Pelo menos.
Agora pergunto, uns sonhos úteis, não?
Daqueles em que aprendemos russo com o bonzão do agente infiltrado ou somos servidas pelo Jamie Oliver, numa mesa solitária à beira mar. Ou dos que nos deixam à solta num hipermercado sem gente à vista, justamente quando temos aqueles desejos de grávida por leite condensado.
Qualquer coisa.
Tudo menos partilhar um cubo de gelo com um esquimó, catorze cães e cinco ou seis putos que já nasceram com bigodes iguais ao do pai. Raparigas incluídas.

À conta do sonho de um amigo, hoje andei a espreitar o significado dos sonhos, tendo encontrado, entre vários, os seguintes para se debruçarem:
SABÃO
Costuma ser um conselho. Sugere limpar, esclarecer. Recomenda agir com suavidade. Anuncia que as coisas começarão a se mostrar de forma mais clara. Se escorregamos por culpa do sabonete, estamos em perigo de "dar uma mancada" de errarmos, de cometer um deslize. De modo geral- indica problemas de ordem familiar, que podem ser por discussões financeiras ou relacionamento conflituoso. Procure não esperar tanto dos outros.
É o vulgo sonho "A aldeia da roupa branca." De repente somos a Beatriz Costa de franjinha a esfregar as ceroulas do marido.
SALSICHA
Ver- cautela com pessoas do sexo masculino; perigo de traição; fofocas. Comer- satisfação de um desejo antigo que pode ser viagem ou compra de imóvel, carro ou aparelho elétrico.
Mas quem é que sonha com salsichas? Um alemão? Um alemão erradicado num país onde seja proíbido comer porco? O stalker da Salsicha não te Desgraces?
SANDUÍCHE
Ver- problemas financeiros na família; dívidas e prejuízos em transações comerciais. Comer- dinheiro vindo por comissão em vendas; aumento de salário; herança à vista.
Outra. Quer dizer... vendo bem, já sonhei. Uma vez ou outra... Várias... Pronto, muitas, incluindo as vezes que sonhei que estava sozinha no supermercado e pude atacar as secções dos enchidos e queijos.
ABACATE
Sonho que traz sempre bom agouro. Vê-los aos montes- amor em esperança. Comê-los- alegria e felicidade. Maduros- prosperidade. Verdes- contrariedades. No pé- transformações no seu modo de vida; bom augúrio. Comê-lo- ambições elevadas, futuro interessante. Vê-lo com outra fruta- fofocas em família; cuidado com as tias.
Se der para incluir vinho do Porto e um pouco de açúcar amarelo, perfeito. É um sonho de bom gosto.
"Xana... Acorda!"
"Nem pensar! Estou a sonhar com abacates!"
AÇÚCAR E CONFEITOS
Simbolizam riquezas para quem, em sonhos, se os vê comendo. É sinal de que escapará das doenças e verá seus inimigos dominados. Simboliza também as delícias do amor, sobretudo de valor sentimental. Derramado- harmonia em casa, restabelecimento de amizade ou compromisso desfeito. Comer- insatisfação interior de origem emocional, procure conhecer novas pessoas.
Palavras para quê? Está tudo dito e explicado. Sou a maior. Esperem! Não tinha lido a última frase... DOPE!
AGRIÃO
Plantar- recompensa por trabalho feito. Colher- idéias novas e produtivas estão no seu caminho, aguarde. Comer- fortuna e riqueza, por empresas habilmente dirigidas pelo trabalho
Já sonhei com o manjerico dos Amigos do Gaspar. Conta?
AZUL
É sempre bom sonhar com a cor azul, pois a mesma indica harmonia, paz, felicidade e grandes realizações amorosas. Roupas de tom azul- aproveite para fechar negócios em suspenso.
Então... Os sonhos não são a preto e branco? Ou isso é a visão dos cães? Juro que já sonhei com muito mar e céu azul e garoto moreno.
JEJUM
De modo geral- indica, boa saúde; energia positiva; muita disposição. Se o seu coração está livre, tudo indica que logo mais, e desde que você queira, será ocupado.
Não é um sonho, antes um pesadelo.
FEZES
Incrível, mas é um sonho de bom agouro; indica sorte no campo profissional; realização de negócios vantajosos e lucros em qualquer tipo de empreendimento.
Gente, só pode ser uma coisa: dor de barriga.
EXCREMENTOS
Prediz fortuna para aquele que se vir sujo de excrementos de um homem rico. É também sinal favorável defecar em lugar retirado. Há de se obter proveito com um sonho em que se veja ajuntar excrementos de vaca, esterco de cavalo e os dejetos mais diversos. Os antigos consideram também que os excrementos significam riqueza, ouro e prata, seja quando são contemplados ou quando neles se escorrega, ou ainda quando se está sujo deles. Sonhar com defecação permite prever que se ficará livre de aborrecimentos. Contudo, se defecar na cama, em sonho, irá separar- se rapidamente de seu parceiro.
Agora não percebi. Qual é a diferença? Então, afinal sonhou com o quê? Fezes. Não... Escrementos!
BACALHAU
Ver um- amores contrariados. Comer bacalhau- casamento ou noivado próximo.
Cá entre nós, já que ninguém nos lê, parece-me antes um pesadelo com o pequeno Saúl. Ou o Natal está próximo e ainda não foram ao supermercado. Qualquer coisa desse género.

Meu querido,
Sonho todos os dias com o frondoso navio que te apartou de mim, lentamente a desvanecer no horizonte.
Imagino que o teu regresso não tenha sido fácil.
Nunca tiveste o estômago para o alto-mar, calculo que o saco de papel e o balde tenham sido os teus melhores amigos, entre ondas e balanços repetidos.
É de preocupação que se enche o meu peito, quando recordo a tua cor esverdeada no primeiro passeio que demos. Recordas-te? Quando te levei a conhecer outros mundos que não o Kubo e o SushiRio. Afinal, Cacilhas, pode ser também a imagem de um paraíso, personificado pela singela e encantadora taberna, com cheiros no ar a cerveja e óleo de fritar demasiadas vezes queimado.
Como não haverias de recordar... Naquele momento, acreditei que te perderia alí mesmo, na calçada, no meio de todo o choco frito, ameijoas e panaché devolvidos pela tua garganta, a esforço.
Mas superaste. Fizeste-me prometer que nunca mais te levaria a tal jornada. O amor é mais forte e eu esqueci a lua de mel no Barco do Amor, com destino a Acapulco, com que sempre sonhei na minha infância longínqua. A casa da madrinha também foi agradável, se esquecermos o pequeno Miosótis, que uivava a toda a hora.
São duros os dias que passo sem ti.
Fecho os olhos e vejo-te sorridente, nesse clima, nesses areais de uma terra ainda muito pouco povoada e por construir.
Vejo-te alegre a dançar aquelas Kizombas, que tornam as tuas ancas tão apetecíveis, com aquelas pretas concupiscientes, de carnes fartas, rabudas e lábios ávidos de pele branca.
É nessas alturas, meu querido, que dói. Dói-me a alma e o corpo. Dói-me o sexo. Não te quero ver com aquelas pretas e muito menos a dançar aquelas kizombas e mornas que dançávamos quando te perdias com o meu rabo.
Ainda te perdes, replicas tu. És um querido e um cavalheiro. De coração tão grande, que me falta a respiração quando me lembro no exacto momento em que o gritavas para que todos os vizinhos o soubessem.
Antes que me esqueça, no bolso interior da tua mala encontrarás uma bisnaga de pomada.
Sei que não é muito e não chega aos pés do salame da tua mãe, mas os mosquitos são gulosos, meu querido.
O marido da minha prima foi picado e, de lá, retornou boçudo, emborbulhado de gosma e doenças que só aqueles pretos têm ou inventam, para correrem com os ingleses e americanos que lá vão atrás do petróleo. Mas os mosquitos não falam inglês, só distinguem a cor da carne, não te esqueças de espalhar bem a pomada.
Eu não te quero boçudo, meu querido. Não quero passar a vida a mudar pensos e emplastros cobertos de puz e encharcados da tua febre. Não aguento. Para isso, prefiro deixar-te e recordar-te como eras naquelas noites em que gritavas que o meu rabo era o melhor de todos.
Assim me despeço.
Com saudade.
Não esqueças os meus pedidos. Não olhes para as pretas. E para as mulatas. É delas todas de quem mais tenho ciúmes. Sequer posso imaginá-las enroscadas em ti. Deleita-te antes nos banhos, nos mares, nas comidas e frutas tropicais. Tens ainda a RTP Àfrica e à RTP Internacional para apaziguar o desejo. Diz que resulta e vamos confiar.
Um beijo imenso.
Estou tão, mas tão, necessitada de férias (verdade seja dita, não sei o que isso é há alguns anos - deixei de contar), que este ano vou arrendar uma casa, durante o mês de Agosto inteiro, na minha querida Vilamoura, e mato saudades.
Não quero viagens, sitios exóticos, novidades. Ir à terra para recuperar forças, já dizia Miguel Torga.
Quero retemperar.
Levanto-me cedo para ir ao pão e de seguida à praia, faço corridas de jet ski, permito que a pele escureça muito, grelho peixe no jardim, dou festas na piscina, espero o anoitecer na areia, ligo os aspersores no final da tarde, tomo duche de mangueira na relva, bebo daiquiris durante o jantar, rio, rio muito com os amigos, danço ao ar livre, salto as ondas de madrugada e escolho biquinis ao som dos Beach Boys, quem sabe, faço amor sob as estrelas. Mato saudades dos cheiros, da família e dos amigos, dos sabores, dos pinheiros mansos.
Está decidido. Este ano tiro um mês de férias.
Se conseguir ter o trabalho todo encaminhado até lá.
Se encontrar alguém de confiança para segurar as rédeas, durante esse período.
Se conseguir afastar a cabeça das obrigações.
Se...
Pois...
Reparem bem, é irresistível.
O sorriso perfeito e terno, os olhos amendoados e brilhantes marejam esperança.
As palavras certas e seguras de alento.
Seria o conto de fadas perfeito.
O casamento, a valsa com ele a conduzir-me gentilmente, a olhar-me nos olhos e a sorrir. Aquele sorriso...
Depois... Depois,
A crise eliminada, as contas pagas, paz na vizinhança, fruta na mesa e despensa abastecida.
Eu também acredito no sonho.
Obama, faz-me um filho!
Hummm...