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segunda-feira, abril 14, 2008

Apelo à blogolândia para lhes fazer esperas, torturas cocejadas ou de convívio com chulé

Aqui há uns bons tempos anunciei-vos que iriam ver nesta chafarica outros textos de amigos que considero serem possuidores de uma veia prosaica.

Até hoje, e a muito custo, só recebi um texto do Hugo.

De resto, nem ver migalhinhas de broa de milho de há dez dias espalhadas pelo quintal da casa da minha avó e desprezadas pelo pardal Tobias.

E eu desespero. Peço, repeço, suplico, pedincho. Com graça, com imaginação, com classe, com humilhação.

Tentei de tudo.

Fui chata.

Correcção. Fui muito chata.

De ficar sem curvas e de me candidatar a panqueca.

De me pôr a mim a escrever à bruta.

E a eles, nada.

Prometi bolos, ondas, brincos e lugares no céu.

Quase vendi a alma ao diabo.

Só não o fiz porque sou uma menina ajuizada.

E pelo bem. Magia branca e bons pensamentos para todos. O que está a ser difícil.

Imagino-me a perseguir a Sofes de motoserra Carolina Herrera A destruir-lhe as malas (os sapatos sou incapaz).

A usar os CD's de jazz da Sónia como espanta-espíritos na porta do moinho, no Alentejo.

A apunhalar a prancha do Cassi. E a decorá-la com pedaços de malas LV, intercalados com CD's queimados pelo Sol.

A oferecê-la depois a um senhor muito gay e pouco viril, com queda para jogadores de rugby.

A vender os telemóveis da Sofes a uma pindérica que fale muito alto e sem maneiras.

E alugar uns holofotes gigantes para apontar à Sónia nas aulas de step. Com senhor de micro a chamar a atenção para ela.

Está difícil. Assim, não vão aceitar a mim no céu.

Terei de viver uma nova vida reencarnada. A conviver com a minha alma gémea que continuará a procurar a mulher que fui no passado. Confusa, porque não me reconhece.

Caramba!

Já chega de castigos. Escrevam lá os textos, por favor.

domingo, fevereiro 24, 2008

Um peixe chamado Alexandra


Morena, franzina, perninhas fininhas a nadar dentro da mini saia. Um corpo de criança. Olhos expressivos, sorriso do tamanho do mundo. Ou seja, nada que pudesse despertar a atenção de uns putos de quinze anos. Peito escasso ou inexistente, um rabo redondo mas ainda infantil. Devia ter uns treze anos. Naquela altura só queríamos saber de gajas, peitos e surf. Bem, agora também. Mas a Xaninha já é mulher.

Recordo-a ao fim do dia, na praia da marina, com uns mini calções de ganga, cortados de umas calças. Um jeito tímido de mulher num corpo de traquinas a segurar um gelado da Veneza. A miúda.

Há pessoas que nos entram na vida sem pedir licença e depois não sabemos viver sem elas. A Xana tem maneiras peculiares de o fazer.

Nesse dia em que a conheci, estava um final de tarde fabuloso. Na praia da marina, o grupo do costume: Hugo (Guigas), Migas, Pêpê, Manu e Bráulio. O outside estava completamente morto, pelo que descansávamos em cima das pranchas, entre conversas de putos. Quem surfava melhor, as miúdas, quem ia curtir com quem, as motas novas. A praia quase deserta e o mar só para nós.

De repente, assim do nada, aparece uma miúda no meio do mar. Devia ter uns pulmões de aço, a catraia, para mergulhar tanto tempo e aparecer ao pé de nós. Percebe que nos pregou um susto e desata-se a rir. Primeiro discretamente, depois com gosto. Ri, ri, a boiar nas ondas.

Recuperados, pusemos-nos no gozo.
- É uma sereia!
- Deixa-me agarrá-la, para ver se tem rabo de peixe!
- É minha!
- Vou pô-la num aquário...
- Não, eu é que a apanho!

Furiosa, não se deixou ficar e chamou-nos (nunca me esqueci) surfistas da banheira. Acrescentou que não precisávamos de cabelos compridos e loiros para sermos surfistas e que surfistas a sério só na Ericeira. Murro no estômago, isto é, na nossa confiança de machos viris do surf.

No meio do bate boca e da confusão das pranchas, o Miguel tentou agarrá-la, sem sucesso, pois a miúda desferiu um valente murro que lhe deixou o olho negro.

Escapou-se a correr para a areia, novamente motivo de gozo.
- Não é uma sereia, é a Olivia Palito!
- Alguém lhe dê espinafres!

Nessa noite, na marginal, voltamos a vê-la com as amigas. Fez má cara. Era a primeira miúda que nos ignorava. Conquistou-nos.

O Miguel apaixonou-se, eu ganhei uma melhor amiga. De ideias mirabolantes, aventureira, sempre com novas invenções, coisas para fazer ou experimentar, madrugadora, TEIMOSA, chata. Ao lado dela, nada era (é) monótono. Para além disso, tinha a mania de pedir as minhas calças Quiksilver largas emprestadas, que pouco a favoreciam, considerando o excesso de tamanho.

Nas terras mouriscas, ainda hoje se recorda, com saudade, o dia fatídico em que as ditas calças escorregaram-lhe pelas pernas abaixo, precisamente quando andava de patins na marina, fazendo com que, de rabo ao léu, embatesse num turista alemão, derrubando-o e quase caindo para dentro da àgua.

Um homem não pode (consegue) ter amigas. Assim, digo a todos que és minha irmã. Muito haveria a escrever. Mas como não quero passar por roto ou sentimentalista, deixo-te apenas um beijo enorme de obrigado.

Aos leitores, apresento as minhas desculpas. Se tiverem paciência, para a próxima, contarei algumas aventuras ou desaventuras da Xanocas. Os podres, os segredos, as tropelias todas. Bem, nem todas. Já sabem como ela é e eu prezo muito a minha integridade física... Se calhar é mesmo melhor ficarmos por aqui... Bem, vou mas é andando!

quinta-feira, agosto 16, 2007

Luís, o Cassinatra das ondas

O Luis é um amigo sincero ganho na lotaria de um trabalho onde poucos amigos se fazem. Trás na bagagem um sorriso fácil e a arte de bem falar e criar admiradoras(es) à sua volta. Tem o rugby no sangue, provavelmente porque ninguém lhe explicou que, para enfrentar bisontes, deveria antes ter encarreirado para forcado e honrado a tradição lusa, ao invés da britânica.

Aqui há uns dias, foi de férias para as Maldivas, com um grupo de amigos. Surftrip no paraíso das luas-de-mel.

Felizes da vida, passaram os dias dentro de água, deslizando sobre os corais, até ficarem sem forças e arrastarem-se para terra.

Parados no outside. À espera da onda perfeita.

Lá ao fundo, desenha-se o princípio de uma crista de àgua. Sublime. Cristalina, reflexos de prata num desenho por todos sonhado.

O Luís arranca até ao seu encontro. Braçadas vigorosas, a musculatura bronzeada rema até acompanhar a velocidade da onda. Prepara-se para fazer o take off. Coloca-se em pé na prancha, equilíbrio perfeito.

Era perfeito. Foi violentamente derrubado por um peixe enorme. Gigante. Matulão!

Que lhe rouba a onda.

E a glória.

Furioso, como nunca se dá por vencido, corre atrás do monstro marinho.

Esquece-se que está na àgua, vislumbra apenas o adversário viscoso.

Peixe imediatamente placado.

A onda perfeita. A prancha perdida. O Luís agarrado ao escamoso. O Luís faz tow-in no escamoso!

Na praia aplaudem. Nunca se vira nada assim! O meu amigo embevecido. Orgulhoso. Sai da àgua em ombros. O peixe dá à costa, completamente derrotado.

À noite, festa de arromba em honra do Luís. Cânticos e danças da tribo local, churrasco para os surfistas lusos. Entre danças, exóticos cocktails bebericados e gargalhadas lá explicaram o cariz do feito heróico.

Agora imaginem a cara do moço. E dos amigos.

Ao saberem que o feito heróico não havia sido a espetacular surfada mas sim o knockout do corpolento aquático.

Ao que parece, o monstro marinho infernizava a vida da tribo local. Ameaçador, comia a faina e destruia as redes de pesca. Era o temido “Grande Tanakui”. E aos grandes heróis, que praticavam feitos como o do Luís, era dada a recompensa máxima.

Ou seja, o Luís acabara de ganhar a mão da filha do Chefe da Tribo. A tribo exultava. Gritos de felicidade e comemoração. Achando piada, os surfistas lusos riram-se do facto e entraram na onda de alegria.

Riam-se. Afinal, surf e miúdas é sempre uma boa combinação para férias.

Nem sempre.

Foi então que lhes apontarem a noiva. Uma calmeirona morena e redonda dos seus 235 quilos, que, imediatamente, correu para o meu amigo, osculando e envolvendo o herói em apertados e sufocantes abraços.

Quem foi que, no dia seguinte, de madrugada, munido de bagagem, pranchas e toda a restante tralha, saltou a janela do bungalow e, de rabo entre as pernas, fugiu imediatamente para Lisboa, sem esperar pelo final das férias, quem foi?

O que seria da vida sem os nossos heróis...

Já agora, aproveito para apelar que visitem e participem no blogue do Luís, Lex Sportiva, para o qual também já orgulhosamente contribuí.

Direito e desporto aliados numa escrita inteligente e em temas actuais e interessantes.

terça-feira, agosto 14, 2007

Os Outros*

O Luís pediu-me para escrever um post sobre ele.

Já está.


*Assim se abre nova rubrica. De vez em quando, escreverei sobre os amigos e os que me rodeiam. Começo pelo Luís. Moço, descansadito que o post não é este!!!