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sexta-feira, outubro 21, 2016

Parcerias e brigada do croquete



Queridas marcas e promotores que andam a oferecer croquetes aos bloggers,

Parto-me a rir convosco e não, no meu blogue não entra publicidade. Estou a lixar-me para a brigada do croquete. Não quero borlas. Não me vendo por margarinas.

Já agora, pelo menos informem-se quando abordarem-me. 

Isto que se segue é um "FAIL" tremendo.

Até que começou bem. Ora vejam:

"Olá Alexandra!

Antes de mais quero dar-lhe os parabéns pelo sucesso do Leite Condensado às Colheradas a pelos seus posts, a título pessoal confesso que sou fã.

De seguida gostaria de lhe fazer uma proposta em nome da "Marca XPTO" para uma parceria entre a marca e o seu blog..."

Ao que respondi educadamente:

"Olá Maria,

Peço desculpa mas este post foi parar à caixa de Spam e apenas o descobri agora.

Muito obrigada pelas suas palavras tão simpáticas!

Também agradeço a sua proposta, No entanto, tenho por política não fazer publicidade no blogue..."


Depois, não contente com a minha nega em fazer publicidade em troco de croquetes, a tipa espetou-se à grande:

"Boa tarde Alexandra,

O que tem um blog de culinária a ver com a "Marca XPTO", não é verdade? :)

De facto, entrei em contacto consigo pela temática do blog e por termos lançado recentemente alguns brinquedos de culinária:"

Uooooooow... Aguenta lá os cavalos!

Não amiga! Não é um blogue de culinária

Se és fã mas não tiveste tempo de ler um único post, pelo menos, lê a descrição.

Assim que me recorde, na cozinha, só relatei episódios com cebolas (odeio) ou quando deixei queimar o jantar.

Ah, uma vez também entrou uma osga pela janela da cozinha. Isso conta?

Juro que não é a primeira vez que isto acontece. Não se dão ao trabalho de ler uma linha. Estes "PR's" dão me cabo do sério.

terça-feira, junho 07, 2016

Chef Alexa II

 
 
Acabei de fazer um sumo de melancia que ó! Deviam ter visto. Aquele cor-de-rosa vibrante a prometer ondas de prazer às papilas gustativas.

Um copo daqueles bem grandes cheio. Tão bonito que quase que me apeteceu fotografá-lo.

Quase. Porque a gula foi superior e foi aí que fiquei a saber que sabia a casca com relva.

#juroquetireioscaroçostodos #nãopercebo

quinta-feira, agosto 23, 2007

Chef Alexa

Cenário: A minha cozinha.

Reggae no ombro, entremez do papagaio que acompanha o temeroso corsário das caraíbas.

Preparo o jantar.

A minha mãe repousa, despreocupada e contente, entretida com mais uma das trinta repetições do mesmo episódio da Oprah.

Ora bem, frango de fricassé.

Reúno os ingredientes, com ar de entendida.

- Está tudo, só faltam as temidas. - Tremo.

Vou à dispensa e corro as prateleiras.

Nada.

Subo ao escadote, espreitando as prateleiras de cima.

Entretanto, o Reggae escapa-se do meu ombro para casa, soltanto assobios de desagrado pela entreturbação.

Lá vislumbro a pretendida pequena caixa de cartão, escondida por trás de conservas e da garrafeira de reserva do meu pai.

Que tento alcançar, esticando o braço o mais que posso e empinando-me em bicos de pés sobre o escadote.

Está-se mesmo a ver. Desequilíbrio... Derrubo uma pilha de latas que batem e rolam pelo chão, num estardalhaço ensurdecedor, acordando toda a casa. Felizmente, não caio.

- Que se passa? - Pergunta a minha mãe, alertada com o barulho da confusão.

- Nada! Não te preocupes! Só deixei cair umas latas.

Volto a esticar-me, desta vez alcançando a desejada embalagem. Desço do escadote, não sem antes tropeçar em duas ou três latas que almejavam a minha queda.

Empurro as latas ao pontapé para dentro da dispensa, fingindo acreditar que ninguém daria pela desarrumação.

Ora vamos lá a isto.

Coloco o avental e prendo cuidadosamente o cabelo para não ser atingido por vestígios indesejados do preparado.

Da pequena embalagem, retiro um par de luvas de borracha, iguais às utilizadas pelos médicos nas cirurgias.

Coloco-as, compenetrada. A concentrar-me para a díficil operação que se segue.

Escolho uma faca de lâmina afiada. Não era uma faca, era uma catana de desbravar mato. Alexandra, a aventureira na selva intocada. Ali vem o Indiana Jones para a ajudar na nova aventur...

- Ahhh! É verdade! - Largo tudo, corro ao quarto para buscar os óculos de sol mais largos que tenho e regresso.

Inspiro fundo.

"Tem que ser." Arrepio na coluna. "Tem que ser."

- Está tudo bem? - Pergunta a minha mãe, entretanto.

- Sim! Estou quase a pôr o tacho ao lume. - Respondo.

Inspiro fundo. "É desta."

Para terem noção, neste momento, quem entrasse na cozinha encontrar-me-ia de avental Hello Kitty bem apertado, luvas cirúrgicas, catana na mão, coque de bailarina no cabelo e óculos de sol Versace.

A ventilar.

Dirijo-me à caixa junto à janela. Torço o nariz, fecho os olhos, ponho uma mão a custo e retiro duas... arghhhh... duas cebolas.

Tremuras na mão. O corpo todo em convulsões e espasmos.

Corro até à bancada e largo, aflita, as ditas. Corro novamente até à janela, desta feita para respirar ar fresco.

Volto à bancada, agora com uma mola presa no nariz. Inspiro pela última vez.

Empunho a lâmina, fecho os olhos e esquartejo, enojada, as duas cebolas. Golpadas violentas.

Sem conseguir respirar. O rosto verde. Não, o rosto azul. Roxo...

Dos olhos soltam-se lágrimas gordas e sinceras.

Não porque fora atingida pelos sucos vertidos pelo corte dos bolbos, mas porque estava verdadeiramente desgostosa e repugnada com a tarefa.

Termino e deito tudo à pàzada para dentro do tacho.

Aumento o lume, limpo os vestígios do preparado com lexívia, livro-me das luvas e do avental e corro para a banheira a fim de me libertar daquele horror peçonhento que se entranha na pele e na memória.

Com efeito, assim foi.

Duche rápido para esfregar a pele, seguido de banho de imersão.

Banho de imersão relaxante, repousante, imerso, imenso, descansado... demorado.

- Xana? Xana?...

Olhos semi-serrados, já esquecida das cebolas, a brincar com o patinho Qua-Qua, no Lago dos Cisnes.

- MARIA ALEXANDRA, QUE CHEIRO É ESTE???

Era o jantar.

Corrijo, o esturricado.

Que foi directamente para o lixo, quase estragando o tacho, tal era o queimado.

As janelas abertas para entrar ar. O Raggae enfurecido e quase sufocado pelos rolos de fumo preto que preenchiam o ar da cozinha.

- Telepizza, boa noite.

- Estou sim, boa noite. Por favor, são duas pizzas médias com frango, milho, ananás...e SEM CEBOLA!