Clap, clap, clap, tear.
domingo, setembro 30, 2007
quarta-feira, setembro 19, 2007
Eureka, descobri!
domingo, setembro 16, 2007
Agridoces capilares
Eu juro.Eu juro que corto.
Eu juro que corto o cabelo à rapazinho da proxima vez que me disserem, novamente, que o meu cabelo fica muito melhor aos caracóis e que devia usá-lo SEMPRE assim.
É o meu cabelo. Odeio ter de andar sempre igual. É por isso que o guarda-roupa rebenta pelas costuras com roupas que nada tem a ver umas com as outras. Se me apetece andar com o cabelo liso não vou deixar de fazê-lo só para satisfazer caprichos dos outros.
Quando é que percebem que não mexo em mim para agradar aos outros mas sim para agradar a mim própria?
O ginásio, as roupas, o cabelo, a maquilhagem ou ausência dela, as danças, os desafios são para mim. Tive um namorado que odiava corsários. Levou um inverno inteiro a vê-los todos os dias.
Se quiser agradar os outros, ofereço-lhes o meu ombro ou uma caixa de chocolates.
Neste momento, têm sempre a Hüssel.
terça-feira, setembro 11, 2007
Alexandra varre-escadas
Factos:
Ontem, 21h45, entrada de casa.
Chamo o elevador.
Barulho das máquinas a trabalhar. O elevador nada.
Chamo novamente. Nada. O caquéctico transportador ameaça, qual carro "tunado", mas não sai do lugar.
Reviro os olhos e suspiro fundo.
Agarro no saco de desporto, descalço os sapatos de salto alto, calço os ténis ainda húmidos do treino. Torço o nariz ao feito.
Preparo-me mentalmente.
Para os “trilhentos” degraus que se seguem até ao sétimo andar.
E lanço-me na odisseia.
A meio do caminho, lembro-me das latas de leite condensado prometidas pelos meus amigos mas ainda não recebidas.
Contento-me com o resto das migalhas já mofas, do bolo deglutido no dia anterior, que se alojavam no fundo da minha mala.
Bom jeito me dariam as ditas latas.
Pois, naquele momento, as escadas, as paredes, as portas, o prédio inteiro entram em centrifugação.
E caio redonda no chão, com a delicadeza de uma Bela Adormecida desmaiada.
Palmadas delicadas na face.
Abro os olhos.
À minha frente, os olhos azuis mais envolventes que já vira. Perco-me nos olhos azuis. Grandes, oceanos de sorrisos à minha espera naquelas esferas cativantes. Ignoro tudo o resto que me rodeia.
- O meu príncipe! Finalmente apareceste! – Jogo os braços ao pescoço do jovem e bonito desconhecido e osculo-o, veementemente, com admiração e agradecimento.
Princesa de ténis húmidos, migalhas no canto da boca e cabelo desalinhado, agarro-o, radiante por ser salva da bruxa má.
Para grande embaraço da minha mãe, do meu pai, do meu irmão, do Reggae e dos vizinhos que haviam chamado o INEM.
E do rapaz que repetia “Já me tinham acontecido muitas, mas esta…”.
Afinal o rapaz não era príncipe e as nuvens que via em meu redor eram as almofadas do vizinho, que foram utilizadas para amparar a minha cabeça.
Escapuliu-se num abrir e fechar de olhos de hamster amedrontado, soltando um "Para o Júlio de Matos não trabalho eu!".
Os restantes espectadores recolheram aos seus lares.
Provavelmente, este mês não comparecerei na reunião de condóminos.
Ainda assim,
Para todos os efeitos, e após esta trapalhada e vergonha toda, tenho a dizer:
Moço, continuo à tua espera!
quinta-feira, setembro 06, 2007
terça-feira, agosto 28, 2007
Amor com amor se paga II
Toca o telemóvel da minha mãe.Era o meu irmão.
A mamã do menino, que no ginásio mal se esforça para subir para a passadeira e acenar à àguia Vitória, corre a casa de ponta a ponta.
Da cozinha à sala, ansiosa, a borboleta voa.
Perante o meu ar incrédulo.
- Deve ser o teu irmão! - Grita de felicidade.
A borboleta dá no Red Bull, só pode.
Agarra sofregamente o telemóvel.
Quase esbarrando no sofá.
Põe o aparelho em alta voz.
- Então, filho? Muitos mergulhos?
- Ahh, sim... Ó Mãe, tenho andado aflito dos pés. Ando com uma comichão... Só consigo usar chinelos.
Encostadíssima na ombreira da porta, viro-me para trás para a minha mãe não perceber a risota.
Agarrada à barriga, quase caio ao chão de imaginar a cena e tanto rir.
- Deves ter apanhado um fungo. Vai já ao médico! Ao hospital ou ao centro de saúde. Tens de ir ao médico antes que isso piore! Uma vez, uma colega minh...
- Já fui, mãe!
- E então?
- Primeiro, o médico andou às aranhas. Fez exames, pediu para voltar lá no dia seguinte.
- E então? Tu vê lá, se precisares de alguma coisa, liga à tua tia Bia! Que será isso? Raio da poluição nas praias! E as pessoas são porcas, atiram tudo para o chã...
- Calma! Só sei que vou ter que fazer mais testes. Os médicos não fazem ideia do que se trata. Dizem que não parece ser perigoso mas vou ter que passar os restantes dias das férias, no hospital, a fazer mais exames e em observação.
- Ai o meu filhinho! Vê lá! A mãe apanha o próximo autocarro e está aí em poucas horas. Queres que te leve uma canjinha?
- Ó mãe não é necessário, está aqui a Rita e, de certeza, que não é nada!
- Ai, mas que apoquentação! Eu vou já para aí!
Coitada da minha mãe. Apanhada no meio da beligerância, civil seriamente atingida por um estilhaço de um morteiro.
Ainda entro na sala, tentada a repor a verdade.
Fito a progenitora.
Imagino a subida do sobrolho da matriarca, seguida do já conhecido olhar castigador.
O meu sorriso amarelo "Estou lixada!" Sorrateiramente, virar as costas para sair mansinha, pé ante pé, para pegar na mochila e emigrar para o Cazaquistão...
Abrir a porta da rua...
"MARIA ALEXANDRA!!!!???? Onde julgas que vais??? Anda cá, temos muito que falar!!! MARIA ALEXANDRA???"
Nunca mais ser encontrada, viver incógnita e escrever-vos via wirelless, no meio de nenhures no planalto desértico, acompanhada de de um bode e do Reggae, que assobiaria o "Verão Azul" em troca de tenges.
Repor a verdade?
Já diz a sabedoria popular,
"Mais perto estão os dentes que os parentes"...
sexta-feira, agosto 24, 2007
quinta-feira, agosto 23, 2007
Chef Alexa
Cenário: A minha cozinha.Reggae no ombro, entremez do papagaio que acompanha o temeroso corsário das caraíbas.
Preparo o jantar.
A minha mãe repousa, despreocupada e contente, entretida com mais uma das trinta repetições do mesmo episódio da Oprah.
Ora bem, frango de fricassé.
Reúno os ingredientes, com ar de entendida.
- Está tudo, só faltam as temidas. - Tremo.
Vou à dispensa e corro as prateleiras.
Nada.
Subo ao escadote, espreitando as prateleiras de cima.
Entretanto, o Reggae escapa-se do meu ombro para casa, soltanto assobios de desagrado pela entreturbação.
Lá vislumbro a pretendida pequena caixa de cartão, escondida por trás de conservas e da garrafeira de reserva do meu pai.
Que tento alcançar, esticando o braço o mais que posso e empinando-me em bicos de pés sobre o escadote.
Está-se mesmo a ver. Desequilíbrio... Derrubo uma pilha de latas que batem e rolam pelo chão, num estardalhaço ensurdecedor, acordando toda a casa. Felizmente, não caio.
- Que se passa? - Pergunta a minha mãe, alertada com o barulho da confusão.
- Nada! Não te preocupes! Só deixei cair umas latas.
Volto a esticar-me, desta vez alcançando a desejada embalagem. Desço do escadote, não sem antes tropeçar em duas ou três latas que almejavam a minha queda.
Empurro as latas ao pontapé para dentro da dispensa, fingindo acreditar que ninguém daria pela desarrumação.
Ora vamos lá a isto.
Coloco o avental e prendo cuidadosamente o cabelo para não ser atingido por vestígios indesejados do preparado.
Da pequena embalagem, retiro um par de luvas de borracha, iguais às utilizadas pelos médicos nas cirurgias.
Coloco-as, compenetrada. A concentrar-me para a díficil operação que se segue.
Escolho uma faca de lâmina afiada. Não era uma faca, era uma catana de desbravar mato. Alexandra, a aventureira na selva intocada. Ali vem o Indiana Jones para a ajudar na nova aventur...
- Ahhh! É verdade! - Largo tudo, corro ao quarto para buscar os óculos de sol mais largos que tenho e regresso.
Inspiro fundo.
"Tem que ser." Arrepio na coluna. "Tem que ser."
- Está tudo bem? - Pergunta a minha mãe, entretanto.
- Sim! Estou quase a pôr o tacho ao lume. - Respondo.
Inspiro fundo. "É desta."
Para terem noção, neste momento, quem entrasse na cozinha encontrar-me-ia de avental Hello Kitty bem apertado, luvas cirúrgicas, catana na mão, coque de bailarina no cabelo e óculos de sol Versace.
A ventilar.
Dirijo-me à caixa junto à janela. Torço o nariz, fecho os olhos, ponho uma mão a custo e retiro duas... arghhhh... duas cebolas.
Tremuras na mão. O corpo todo em convulsões e espasmos.
Corro até à bancada e largo, aflita, as ditas. Corro novamente até à janela, desta feita para respirar ar fresco.
Volto à bancada, agora com uma mola presa no nariz. Inspiro pela última vez.
Empunho a lâmina, fecho os olhos e esquartejo, enojada, as duas cebolas. Golpadas violentas.
Sem conseguir respirar. O rosto verde. Não, o rosto azul. Roxo...
Dos olhos soltam-se lágrimas gordas e sinceras.
Não porque fora atingida pelos sucos vertidos pelo corte dos bolbos, mas porque estava verdadeiramente desgostosa e repugnada com a tarefa.
Termino e deito tudo à pàzada para dentro do tacho.
Aumento o lume, limpo os vestígios do preparado com lexívia, livro-me das luvas e do avental e corro para a banheira a fim de me libertar daquele horror peçonhento que se entranha na pele e na memória.
Com efeito, assim foi.
Duche rápido para esfregar a pele, seguido de banho de imersão.
Banho de imersão relaxante, repousante, imerso, imenso, descansado... demorado.
- Xana? Xana?...
Olhos semi-serrados, já esquecida das cebolas, a brincar com o patinho Qua-Qua, no Lago dos Cisnes.
- MARIA ALEXANDRA, QUE CHEIRO É ESTE???
Era o jantar.
Corrijo, o esturricado.
Que foi directamente para o lixo, quase estragando o tacho, tal era o queimado.
As janelas abertas para entrar ar. O Raggae enfurecido e quase sufocado pelos rolos de fumo preto que preenchiam o ar da cozinha.
- Telepizza, boa noite.
- Estou sim, boa noite. Por favor, são duas pizzas médias com frango, milho, ananás...e SEM CEBOLA!
terça-feira, agosto 21, 2007
Publicidade enganosa
Pronta a esquecer o episódio anterior e após duas horas de atraso das meninas, lá rumámos, alegres e airosas, à praia. Pelo caminho, cânticos, gargalhadas e lançamento de beijos aos transeuntes.Directamente para o estômago.
Barriga a revolver.
NÃO, NÃO SÃO BORBOLETAS ENAMORADAS.
Esverdeada, tento conter os vómitos a custo. O bolsar não para, os olhos esbugalhados lacrimejam de aflição.
Até que não suporto mais e solto um ruidoso "Blerghhhhhh".
Olhares de nojo.
Escusado dizer que a maior parte do bar evacuou e fugiu para as montanhas.
E, tão cedo, a grupeta não será convidada para voltar à dita praia.
Contudo, era a única que não demonstrava preocupação.
Aliás, esfregava as mãos e sorria de contentamento.
Alarvemente, já me vislumbrava à sombra de um coqueiro, a beber daiquiris de morango e a disfrutar da brisa quente e exótica de uma ilha no Pacífico.
Tudo à conta de um processo de indemnização bilionário por publicidade enganosa.
Até que passou o efeito do maldito fármaco para dormir.
Esfumando-se o coqueiro, as bebidas e a brisa exótica.
Bem como o processo de indemnização milionário, ficando ainda a apanhar beatas do chão para pagar as pesadas custas ao tribunal.
Próximo post: Como, no fim-de-semana seguinte, enfrentei uma ida à piscina municipal de Loures, sem apanhar uma doença ou micose hiper-contagiosa ou passar a incluir "bué" e "tipo" no vocabulário. Tudo graças ao "efeito Axe".
segunda-feira, agosto 20, 2007
Panado de avestruz
Como já é hábito, sábado de manhã, estava no ginásio à espera que a Sofia e a Carmen se despachassem para irmos para a praia.É sempre a mesma novela. Chega a sexta-feira e a Sofia dá-me na cabeça a pedir para não ir para o ginásio. "Passas a vida no ginásio! Descansa!"
Sensato, não fosse isto sair da boca da detentora do recorde dos dois minutos na elíptica.
Visto que aquelas duas nunca estão prontas antes da uma da tarde, o pedido é sempre contrariado. Assim, vou, pelo menos, à aula de aeróbica.
Terminadas as piruetas rodopiadas, a mensagem da praxe no telemóvel. “Alexa, vai treinar. Atrasadas!" Como já sei o que a casa gasta, aproveito a longa demora para fazer um treino intensivo.
Só que, neste sábado, estava sem vontade para levantar uma andorinha anorética, em pleno voo, rumo aos países do sul.
Aproveito, então, para fazer o meu exercício preferido. “Dar à língua”.
Encontro o Álvaro e a Ana, a treinarem supino plano no multipower, e entro na picardia.
- Álvaro, no multipower? Isso é de instrutor? Por que é que não fazes com a barra livre que é muito mais difícil? Só a barra pesa vinte quilos e a instabilidade adiciona dificuldade!
- Nem penses! Quero por carga a sério! - Riposta, já a adivinhar a conversa.
- Mas treinas melhor com aquela. Isso é para principiantes!
- Não!
- Pffffffff! Tanta coisa e só pões essa carga? Fraco.
Entretanto, a Ana ria-se.
- Estás parva? Nem uma repetição fazes com isto!
- Pfffffff! – Rondo a carga e começo a fazer contas aos discos acumulados e à vida. – Uma? Só uma? Queres apostar? Vinte e cinco euros como consigo!
- Ahahaha! Tontinha! És a super-mulher, não?
- Aposta! Aposta! Uma vez, na viagem de finalistas, apostei com um colega que fazia seiscentos abdominais e ele ficou a arder dez contos! Ai, quando eu quero... Aposta! Vou fazer!
Sem esperar pela resposta, retiro a toalha dele do banco, atiro-a ao ar e coloco a minha. Adapto os pulsos à pega, verifico se a direcção da barra estava no sentido do peito...
- Estás a fazer o exercício mal. Tens que puxar o banco mais para trás. Maçarico, a barra vai em direcção ao pescoço! – Provoco.
Olho à minha volta, inspiro confiança e preparo-me, novamente. Seguro a barra, tiro as pegas de segurança, faço força e....
Ainda de bem que o moço não apostou.
Porque a barra, cara blogolândia, cai violentamente sobre o meu peito, contrariando a força dos meus bracitos, tremeliques, incapazes de a suster. Cai pela gravidade e sem dar oportunidade a alguém que a segurasse e me protegesse.
Peito completamente esborrachado, a Alexandra entalada pela barra e pela vergonha.
Gargalhada geral na sala.
Com as faces a arder, afundo o rosto na toalha e saio de mansinho, rabo entre as pernas, soltando suaves e envergonhados ganidos.
Ao que parece, aqui a espertinha havia feito mal as contas. Contei vinte e cinco quilos.
O que seria perfeito.
Não tivesse ignorado os outros vinte e cinco do lado esquerdo. A barrita pluma pesava cinquenta quilos.
Alexandra, a avestruz panada.
sexta-feira, agosto 17, 2007
Amor com amor se paga
Como devem ter reparado, nas últimas semanas tenho estado sem internet.O motivo já o descobri e é só um.
O meu irmão.
O sacaninha, que adora agitar os humores cá em casa, sabotou-me a net, retirando a autorização da transmissão do sinal do wirelless para o meu portátil.
Acontece que o p.c. principal da casa é comum mas, ainda após várias desavenças e contestações, está instalado, nada mais nada menos, no quarto do imbérbere.
Ora, o intragável está de férias. Passa os dias inteiros a roncar sem sair do quarto. Faz tudo isto sem qualquer ponta de inocência. O desporto favorito dele é mesmo ver-me a arrancar os cabelos.
Acresce que tenho a família inteira de férias, acampada em casa. Cigarras debochadoras desta formiga da labuta jurídica, que dão cabo do meu juízo e saúde mental. E nada fazem para travar o génio inventivo do mentecapto. Pior, para eles, o mentecapto é um anjo.
Para esclarecer vossas excelências, a criatura tem vinte e seis anos, longe de um petiz rabino e mariola.
Farta de me queixar a quem de direito (A quem paga as contas da internet e, supostamente, deveria impôr ordem nesta casa da pradaria.), aos meus pais, e após a confirmação do causador do mal da minha net (Ele nunca confessou, mas os SILCAC* são infalíveis.), pus mãos à obra.
É por isso, blogolândia, que neste momento me refastelo em frente ao portátil, a escrever.
Desinstalei e reinstalei o wirelless, desbloqueei o meu p.c. no computador principal, troquei a autorização ao IP do portátil do meu irmão (Ele que se amanhe!) e ainda arranjei um sinal livre de um vizinho qualquer, a fim de precaver eventuais próximos problemas.
Mais importante foi o que fiz a seguir.
Atentem bem, prestem toda a atenção.
Dirigi-me à loja das festas, no Colombo, e comprei um frasco de pó de comichão.
Pó milagroso que imediata e prazeirosamente despejei de forma igualitária em TODO o calçado do execrável.
Esfrego as mãos de contente e esboço um sorriso manhoso, qual Mutley das Corridas Loucas.
MUAHAHAHAHAHAHAAH!
quinta-feira, agosto 16, 2007
Luís, o Cassinatra das ondas
Aqui há uns dias, foi de férias para as Maldivas, com um grupo de amigos. Surftrip no paraíso das luas-de-mel.
Felizes da vida, passaram os dias dentro de água, deslizando sobre os corais, até ficarem sem forças e arrastarem-se para terra.
Parados no outside. À espera da onda perfeita.
Lá ao fundo, desenha-se o princípio de uma crista de àgua. Sublime. Cristalina, reflexos de prata num desenho por todos sonhado.
O Luís arranca até ao seu encontro. Braçadas vigorosas, a musculatura bronzeada rema até acompanhar a velocidade da onda. Prepara-se para fazer o take off. Coloca-se em pé na prancha, equilíbrio perfeito.
Era perfeito. Foi violentamente derrubado por um peixe enorme. Gigante. Matulão!
Que lhe rouba a onda.
E a glória.
Furioso, como nunca se dá por vencido, corre atrás do monstro marinho.
Esquece-se que está na àgua, vislumbra apenas o adversário viscoso.
Peixe imediatamente placado.
A onda perfeita. A prancha perdida. O Luís agarrado ao escamoso. O Luís faz tow-in no escamoso!
Na praia aplaudem. Nunca se vira nada assim! O meu amigo embevecido. Orgulhoso. Sai da àgua em ombros. O peixe dá à costa, completamente derrotado.
À noite, festa de arromba em honra do Luís. Cânticos e danças da tribo local, churrasco para os surfistas lusos. Entre danças, exóticos cocktails bebericados e gargalhadas lá explicaram o cariz do feito heróico.
Agora imaginem a cara do moço. E dos amigos.
Ao saberem que o feito heróico não havia sido a espetacular surfada mas sim o knockout do corpolento aquático.
Ao que parece, o monstro marinho infernizava a vida da tribo local. Ameaçador, comia a faina e destruia as redes de pesca. Era o temido “Grande Tanakui”. E aos grandes heróis, que praticavam feitos como o do Luís, era dada a recompensa máxima.
Ou seja, o Luís acabara de ganhar a mão da filha do Chefe da Tribo. A tribo exultava. Gritos de felicidade e comemoração. Achando piada, os surfistas lusos riram-se do facto e entraram na onda de alegria.
Riam-se. Afinal, surf e miúdas é sempre uma boa combinação para férias.
Nem sempre.
Foi então que lhes apontarem a noiva. Uma calmeirona morena e redonda dos seus 235 quilos, que, imediatamente, correu para o meu amigo, osculando e envolvendo o herói em apertados e sufocantes abraços.
Quem foi que, no dia seguinte, de madrugada, munido de bagagem, pranchas e toda a restante tralha, saltou a janela do bungalow e, de rabo entre as pernas, fugiu imediatamente para Lisboa, sem esperar pelo final das férias, quem foi?
O que seria da vida sem os nossos heróis...
Já agora, aproveito para apelar que visitem e participem no blogue do Luís, Lex Sportiva, para o qual também já orgulhosamente contribuí.
Direito e desporto aliados numa escrita inteligente e em temas actuais e interessantes.
terça-feira, agosto 14, 2007
Os Outros*
quinta-feira, agosto 09, 2007
...Trancas à porta
Aqui há uns tempos, disseram-me que acontecia tanta coisa e apareciam tantos entraves sem sentido na minha vida, que parecia que alguém me desejava mal, apesar de eu ser uma boa pessoa (sublinhem e memorizem esta última parte, p.f.).Aula de Capoeira - O Regresso de Jedi
Acabei por não vos contar o meu regresso à já descrita aula de Capoeira.Pois bem, quinta-feira seguinte, retorno à dita, de forças retemperadas para dar mais uma coça ao mestre.
Pouso a garrafa e a toalha, encosto-me junto à entrada do estúdio. Postura decidida.
Ao pé das toalhas, os outros alunos reunem-se em círculo suspeito.
Cochicham. Conspiram.
Enviam-me olhares ameaçadores.
Faço um sorriso inocente de bandeira branca.
Rosnares de resposta. Viram-me as costas, fazem-me manguitos, rogam-me pragas até aos meus trisnetos e vão-se embora.
À porta, junto ao horário das aulas, a justificação para tal recepção.
"Informam-se os sócios que, por motivos de desistência do instrutor, a aula de Capoeira será cancelada a partir de hoje até ao início do mês de Setembro."
segunda-feira, agosto 06, 2007
Beach Tennis
A propósito de somar pontos...Chamada do inferno
"Ohh Boy you looking like you like what you see..."-Estou?... Estou?... - Nada. Desligo e volto ao trabalho.
"Ohh Boy you looking like you like what you see, Won't you come over check up on it..."(Já sei, tenho que actualizar o toque do telemóvel...)
- Sim? Estou?... Estou??? - Novamente silêncio do lado de lá. Impaciente, desligo e concentro-me na contestação.
- Ora bem, artigo 23º... O Autor enviou ao Réu as facturas supra referidas por carta regis...
"Ohh Boy you looking like you like..."
- Sim?... Estou??? - A paciência havia esgotado. A minha doce e bela face de princesa bonequinha tranquila e airosa dá lugar ao rosto de um boi enfurecido, daqueles com uma argola e fumo expelido pelas narinas.
- Estou? Não está? Ai não está???
Parto para a parvoeira.
- És cruel, tiraste a tua filha do carrocel, foste à casa de banho sem papel...
Do outro lado, nada. Continuo, desta feita trauteando em tirolês e trinados esganiçados de soprano mal amanhada.
- Ooooooooooooh Ooooooooooooh Yea yea yeaa Ooooooh Ooooh yea... Now you and I Can get together let us start a revolution... - Simultaneamente, executo uma coreografia, improvisada no momento, infelizmente, impossibilitada de ser vista pelo autor da chamada.
Silêncio. Continuo.
- Give a lil' love you and I can change the world, live a lil' love make it beter if we try. Show a lil' love let your love rain let it rain down on meeeeeeeee...
Até que, a voz do infortúnio.
- Maria Alexandra! Estás louca?? Imagina se fosse um cliente? Que irresponsabilidade! - Sim, o meu pai era quem, afinal, estava do outro lado da linha.
Ainda tento disfarçar com a história das linhas ou conversas cruzadas.
Que cai em saco roto, pois a resposta não se deteve.
- Achas que não reconheço a tua voz? Graças a Deus nunca te candidataste ao festival da canção... - Desabafa.
Sempre a somar pontos, cara blogolândia. Sempre a somar pontos.
terça-feira, julho 31, 2007
What you see is what you get
Sou profundamente adepta deste lugar comum, fazendo dele uma máxima.Não quer isto dizer que me apresente exclusivamente lavada a água e sabão azul e branco, cabelo lambidinho ou fera indomável e de saca de batatas vestida, com estampados vistos no verão de 65, nos toldos da praia de Quarteira.
Significa apenas que desgosto de artifícios enganadores, verdadeiras ilusões de óptica, que transformam a máxima no antagonismo “what you see is not what you get”.
Todas as mulheres já se debateram na compra de um push up ultra-almofadado. Muitas não vivem sem ele. Eu, por outro lado, torço veementemente o nariz àquelas almofadas fofas e aconchegantes, de espuma ou silicone, com ar de que nos protegem de todas as formas rijas e contudentes do mundo.
No outro dia, após duas horas de argumentação na WS, uma amiga lá me convenceu a adquirir uma dessas maravilhas. “É perfeito!!! Usas este Sábado no Tamariz!”, disse a enganadora.
Bem dito, bem feito.
Sábado, Tamariz a abarrotar.
Alexandra chega, voluptuosa. Os olhares viram-se, encantados. Apaixonados, gulosos, hipnotizados. Faltas de ar no lado esquerdo e rubores exacerbados no lado direito. O DJ dedica várias músicas à Pamela portuguesa. Jovem moreno e elegante troca de olhares com Alexandra. Alexandra troca olhares com jovem moreno e elegante.
Tamariz ao rubro.
Domingo, tarde no areal da praia do Guincho.
Alegre e contente, aos pulinhos fugindo das ondas. Alexandra caminha, entre gargalhadas. Elegante, morena, menos peituda. MUITO menos peituda.
Até que dá de caras com o jovem moreno da noite anterior. Que sorri ao encontrar o sorriso dela. Percorre a silhueta feminina com os olhos. Para no decote. Esbugalha os olhos. Esfrega os olhos e olha novamente. Fixamente. Fita furioso a Alexandra. Vira as costas e afasta-se, cabisbaixo, a chorar baixinho.
“Nunca mais foi o mesmo.”, diz quem o conhece. Introverteu-se, sai apenas para comprar leite e Chocapic e refugia-se em casa com o Dr. Phill. Passou a dormir agarrado a um urso de peluche, faz chichi na cama quando sonha comigo e, quando vê uma mulher, grita desalmadamente.
Que dizer, perguntam vocês?
Suspiros de alívio, minha cara blogolândia! Graças a Deus que por cá não existem aqueles processos de indemnização bilionários que se praticam nos EUA...
quarta-feira, julho 25, 2007
Gritos do Ipiranga
Há tempos, avisei que tinha vontade de dar toques agridoces ao Leite Condensado, por isso não se espantem.Diferenças
Como é que explico a alguém a diferença entre ficar aborrecida e desiludida?
Que, quando aborrecida, ainda tenho vontade de espernear, barafustar, conversa-se e pronto, muda-se a página, novas linhas brancas à espera do trilho de uma caneta?
Que, pelo contrário, uma desilusão arranca-me as forças e a vontade de a ver, de dizer seja o que for?
Que, no fundo, uma decepção transforma essa pessoa numa névoa, presença que, de repente, deixa de fazer sentido na minha vida? Não há lugar a raiva. Apenas tristeza. É o prelúdio de, ou mesmo até, uma despedida definitiva, um adeus sem saudade.
Ambiguidades
Será assim tão difícil compreender que uma pessoa séria também pode brincar? E que uma pessoa que brinca, por natureza, não deixa de ser séria?
Que uma pessoa que brinca não deixa de colocar o trabalho e as responsabilidades acima da brincadeira? Que sabe conciliar os aspectos lúdicos com os mais importantes?
Caraças, pá!
Eu posso brincar, escrever posts e enviar emails com patetices e baboseiras mas a minha profissão e responsabilidades estão acima disso! Todos os aspectos são religiosamente observados com primor e cuidado, nunca de ânimo leve. Nem tudo consegue estar sob o nosso controlo e, por vezes, os aspectos externos prevalecem mas fico fula e derreada quando isso acontece.
Porque é que será que são os mais próximos quem menos compreende isto? Será que vou ter de começar a dar xutos a amigos?
Em conclusão de todos estes gritos, será que tenho que fazer um post para que tudo isto seja assimilado?
Remédio santo: Cantar em plenos pulmões no carro "My dream is to fly over the rainbow so high". Passa-vos num instante!
terça-feira, julho 24, 2007
Alexandra, a emergente socialite*
Ontem fui contactada por uma célebre e antiga revista do coração. Daquelas pequeninas, que cabem na mala, com histórias cor-de-rosa e consultório sentimental.
Desfez-se em elogios ao blogue. “Excelente, inovador, divertido...” Eu radiante. “Upa, Upa! É desta que me convidam para escrever e eu largo aquele cliente chato e bafiento, com a mania das tropelias à justiça! Olá, nova carreira promissora, adeus ó melga balofa!”
Imediatamente, imaginei-me a ser convidada para escrever uma coluna açucarada. Da coluna açucarada a um best seller é um passito, já estava comovida e lavada em lágrimas de agradecimento, ao receber o Nobel da literatura. “Obrigada aos fãs que me adoram e a todos os que apoiaram as minhas loucuras e doces devaneios. Quero agradecer também ao Reggae, à Nestlé...”
Nada disso. Murro no estômago. O que eles queriam mesmo era saber da historieta do Paulo Pires. A “história surreal”.
Desiludida, lá tentei explicar os laivos glicémicos. “Não, não é um furo jornalistico!! Ok, ele bem olhou (e se olhou), mas eu não quero aparecer na revista xxxxx!!!”
Glup! É então que me apercebo do verdadeiro desastre. Aparecer na revista xxxxx.
Desta vez, imagino os tablóides, os paparazzi a cercarem-me a casa e a invadir as salas de julgamento em que intervenho. Os clientes a desaparecer, juntamente com o ar sério da profissional advogada, apagado pelas manchetes. O telefone ensurdecedor, os autógrafos solicitados, entrevistas na Tertúlia Cor-de-rosa, com o Cláudio Ramos. Chuvas de convites para sair e para namorar, chamada telefónica dos antípodas, o Heath Ledger quer me conhecer! Desta feita, o actor Paulo Pires e a mulher à perna, furiosos com o caso mediático.
Agora, digam-me como.
Como é que eu vou explicar a esta gente toda que a cena surreal que descrevi no post anterior passou-se sim com o Paulo Pires, mas com o Paulo Pires, empresário da construção civil, e sua mulher loira e siliconada balconista da loja de lingerie do Colombo?
Próximo post: Como eu fui completamente undercover comprar a revista xxxxx, para me certificar que não sai referência nenhuma ao dito incidente. Artes e ofícios do disfarce e da fuga para a dona Adelaide não me reconhecer e espalhar pela cidade inteira que adquiri a dita.
*Este post é dedicado à Catarina, à Sónia e a todos os que acreditam piamente em mim e,
Em especial, à pessoa da revista que me contactou, pelas simpáticas palavras. Obrigada. Espero que continue a acompanhar o Leite Condensado às Colheradas!


