De pé encostado às boxes há duas semanas (e por algumas mais) - o ballet é lindo - e impossibilitada de me deslocar a distâncias superiores à da distância que vai da minha cama ao sofá.
Ainda sem net no portátil.
Com o pc de casa pifado (Mais uma, este fim-de-semana, digam lá que não é caso para fazer a dança da chuva ou para começar a queimar velas e incensos contra o mau olhado?).
Com o trabalho virado do avesso. Ou o avesso virado do trabalho.
Felizmente, com muito amor para dar, sobretudo quando ele me traz o portátil dele, bonitinho e com auto-estradas rápidas da comunicação. Fofo.
Vomito tv, graças a Deus, tivemos uma cimeira e a entrada em vigor do Tratado de Lisboa para me distrair.
Preciso que me enviem chocolates pelo correio. Água de côco e autobronzeador também. E daqueles aparelhos que dão choques na barriga. Por este anda, ficarei uma lontra.
"- Então, já chegaste? Ainda me faltam três estações.
- Não. Está imenso trânsito. Ainda demoro um pouco. Estou a ligar-te para, quando chegares, não saíres. Fica aí dentro para não apanhares frio. Quando chegar, dou um toque e sais. Beijinho."
Só para avisar que, a partir de agora, os meus colegas receberão as peças processuais adornadas com pequenos sóis a piscar o olho.
Após enchurradas de emails, que tenho vindo a receber, a lamentar o quão os meus posts de antigamente eram bem mais divertidos e humorísticos do que os actuais, de como este blogue era mais engraçado e apelativo, tenho o dever de prestar o seguinte esclarecimento:
Não esqueci o meu sentido de humor num banco qualquer de autocarro ou sequer deixei de ser uma mulher pateta para passar a escrever posts "extracto de concentrado de rapariga" (Alvissaras a quem se recorda deste fantástico anúncio, só mesmo os que foram teens no meu tempo.).
Simplesmente, o meu humor refinou.
Sim, é exactamente isso.
O meu sentido de humor refinou.
Com o tempo, como o vinho, é agora um bouquet precioso de aromas e composições.
MAS ESTÁ LÁ!
Sim, vasculhem bem, está lá.
Virtualmente, estou sempre a dar um murro nos tomatitos do mestre de capoeira.
Vasculhem!
Vas...
Ohhh... grow up already! O mestre já não aguentava mais e um registo criminal não me fica nada bem.
Preocupa-se mesmo comigo, é romântico, atencioso, divertido (Nem quero aflorar muito as suas qualidades, nem vou dizer o quão giro é, para não vir daí nova onda de inveja - Por favor, a minha vidinha está mesmo pelas canetas e isto é a corda fininha que me impede de cair de um vigésimo andar em direcção a um abismo forrado a cold steel! Preciso disto!).
Enfim, he is wonderfull, delightful e eu, em vez de lhe ligar a dizer que passo lá por casa a levar o jantar e para lhe fazer mimos, estou para aqui armada em cold biaaatch, sentada ao computador a fazer nada, nicles zero.
Isto é o que se ganha por estar traumatizada e jogar à defensiva. Por ter jurado a mim própria (e às minhas amigas, em conselho de estado) que não, nunca mais serei querida e BFF da espécie.
No fun at all.
É matemático, meninas. Tratamo-los assim e parecem uns cordeirinhos. (Isto é para todos, já que somos manipuladas da mesma forma.)
Não obstante, vendo-me aqui, sentada ao computador, enfiada num robe de peluche encarnado e com ar de quem acordou de uma anestesia, tenho cá para mim que não saio assim tanto a ganhar. Se é que não o perco por causa destas merdas de não lhe ligar e dar a mesma atenção que me dá e merece.
É que é nesse estado que me encontro, anestesiada, fria, calculista. De vez em quando, lá derreto e ele, extasiado, exclama "Bem, de onde surgiu isto?!" Acho que já percebeu o meu pé ante pé, gosto do no pressure envolved da parte dele mas vamos ver se o petiz não cansa.
E é assim, meus caros, é assim que este blogue é mais que oficialmente um blogue inteira e solamente (una veeeeezz) cor-de-rosa e deverão proceder ao meu internamento ASAP.*
Dentro de poucos segundos, entrará o genérico de "O Meu Pequeno Pónéi.".
Do not stick around.
*Oficialmente, também entrou no "já escrevias de acordo com a tua idade e não como uma miúda de quinze anos. Onde já se viu tanto inglês, tanto modern talking? I'm so out of my mind...
"Como, em quinze minutos, quase me tornei acompanhante de luxo".
A partilha do mesmo teria resultados tão nefastos para a minha integridade como os que adviriam da descoberta por um amigo ou familiar de que seria uma acompanhante de luxo.
Felizmente, aquilo que, geralmente, me leva a não revelar certas coisas foi o que me impediu de, por transacção, partilhar o meu pipi com o mundo.
Exactamente o mesmo, que actua com a mesma rapidez e eficácia.
Se estão a pensar em sensatez, p.f. regressem à casa de partida.
Obrigado por me fazeres ver o tamanho da minha enorme "Bullshit"! Hoje tentei dobrar o meu mundo, voar contra o vento e ir à tua procura ao local onde julgo que trabalhas (...............) e estava fechado. Telefonei para o número de telefone da loja e estava desligado. Já te deveria ter procurado à muito tempo, mas nunca o fiz devido aos acidentes de percurso. Por outro lado, quis sempre respeitar a tua vontade (política) de não te encontrares com este desconhecido (figurinha animada)! Continuo a desejar apenas (aquilo que te pedi várias vezes e nunca me concedestes) que é uma hipótese sem "bullshit" de te conhecer pessoalmente!
Beijos e desculpa toda e qualquer "bullshit" não intencional,
................"
Escuso de repetir a mesma lenga-lenga que já discorri durante estes anos de blogue.
Não sei o que vos passa pela cabeça. Isto é uma tremenda falta de respeito, para mais considerando que sempre (e assertivamente) afirmei que NÃO pretendo conhecer ninguém através do blogue.
Não sou o Michael Jackson. Nem o MEC. Mesmo esses têm direito à sua vida privada.
Para não falar da tremenda falta de respeito que é fazer isto a alguém. Sobretudo, no local de trabalho. Passarem no meu local de trabalho como quem vai ao cinema? Se fosse um amigo que não vejo há muito, adoraria. Agora um desconhecido que nunca vi NEM quero ver mais gordo, ponham a mão na consciência!
A sério, pensem dez vezes antes de agir, melhor, pensem que a vida não é uma comédia romântica. Por muito boas que sejam as vossas intenções, pensem no ridículo. Mais, pensem em que direito têm, afinal, sobre mim ou de invadir o meu espaço. Não é meu intuito melindrar ninguém nem ofender mas isto é uma forma de violência. É claro abuso. Não vão deixar-me feliz com estas acções, pelo contrário. É isso que se pretende?
Para quê toda esta conversa? É que isto não é, de todo, a primeira vez que acontece.
Não compreendo porque o querem fazer. Esclareço, preto no branco, que não sou maravilha alguma ou personagem do Gossip Girl. Sequer digna de admiração ou inveja. Pelo contrário, tenho trinta anos, vivo com os pais e tenho o meu projecto de vida a morrer-me nas mãos. Tão pouco tenho a aparência da Giselle Bünchen. Desgostos amorosos? Pleeeeeease... Apenas largo parvoíces que nem sequer revestem a forma ideal de escrita numa página virtual.
Há quem largue puns. Tenho dias que a minha escrita não é muito diferente disso.
Não quero com isto a vossa pena, simpatia, compaixão ou palavras de que ordem forem.
Almejo apenas paz.
Isto remove qualquer vontade que tenha de pegar no blogue.
Acreditem que já tenho outros motivos suficientes para isso e, por si, já bastam.
Afirmações como "Os homens são todos iguais.", "Os políticos são todos uns corruptos e/ou mentirosos", "É o país que temos.", "As mulheres são todas cabras umas para as outras." e outras semelhantes são mais que suficientes para que, num jantar, automaticamente considere essa pessoa acéfala e destituída de qualquer interesse, por muito c.v. que tenha, e passe a concentrar-me na cor rosácea das nódoas de vinho tinto na toalha da mesa.
Ao mesmo tempo, liga-se a banda sonora no meu cérebro e a refeição passa a ser acompanhada de Beach Boys, U2, Beyonce, Kanye West ou o medley de Ta Chi que saquei da net, aqui há uns dias.
Gosto particularmente desta última opção. O chilrear dos melros e o marulhar das ondas fazem maravilhas e obliteram rugas na testa.