domingo, agosto 04, 2013

Fui amar-me


Sou sempre a última pessoa a saber de tudo. 

Parece que existe um site muito famoso, onde se incentiva à traição conjugal, e que tem agora correspondente em Portugal, ao qual já aderiram 30 mil pessoas, em poucos dias.

Agora, se me permitem, vou ver o Yes to the Dress". 

Cada vez tenho maior certeza: casar é lindo, um sonho, um conto de fadas e mal posso esperar por gastar balúrdios na festa da minha vida e pelo que se segue: Discussões, desrespeito, filhos cujo trabalho recai em só um, ser criadinha, solidão, desilusões... O rol é interminável. 

Claro que isto vem numa altura em que a minha fé nos homens e nas relações está muito fraquinha, a precisar de choques para ser reanimada, não só pela experiência pessoal mas também, convenhamos e sejamos honestos, por tudo o que vejo à minha volta. A experiência pessoal bem poderia ser a excepção. Não é.

Vivó vestido de princesa!

(E viva morrer solteira rodeada de cães, gatos, papagaios e periquitos.)

Antes que venham cá com o "olha a amargurada", devo esclarecer-vos que adoro estar sozinha. 

Bem, estar com alguém de quem gostemos e sejamos retribuídos e ambos sirvamos para elevar o que há de melhor no outro é espectacular. Mesmo muito espectacular. Agora, quando isso não existe, cruzes credo, sou muito menos sozinha estando sozinha, sou muito mais feliz, tranquila, realizada e cima de tudo mais segura e confiante de mim. 

Depois, tenho sempre a fila de amigas que repetem sem pudor "Alexandra, tu é que estás bem. Fazes o que gostas, o que te apetece. Tens liberdade." Isto de pessoas que têm filhos e adoram-nos mas vejo-as sempre a espreitar pelo meu muro e a suspirar. Naturalmente, a galinha da vizinha é a história que se conhece mas, da minha parte, não troco a minha galinha pela delas. Só por uma galinha como descrevi.

Dito isto e perante aberrações como este site, reforçando o maior moralismo que há em mim, não consigo entender porque é que esta gente se mantém casada. Para quê. Já nem digo da outra parte mas isto é gostar de si própria?

Contudo, também sou a aberração que diz o que pensa e sente, não tolera outra coisa a não ser sinceridade e o bastião mais importante para que exista uma relação é a confiança. Não há confiança, não existe relação. Matemática pura.

Há uns bons anos, tive um colega que, a certa altura, numa conversa sobre relações, quando confessei preferir que me dissessem que me haviam traído e que se (improvavelmente)
o viesse a fazer seria algo que contaria, por uma questão de respeito, insurgiu-se e disse-me: "És horrível! A honestidade é brutal. Mil vezes que me mintam do que saber de certas coisas."

Todas aquelas palavras fizeram-me muita confusão. Eu vivia e vivo no outro extremo do mundo. A julgar pelos milhares que se entusiasmam com coisas como este site, vivo como o Big Foot. Isolado. Ninguém sabe dele. Na verdade, é apenas uma lenda. Um mito urbano. Ou não.

8 comentários:

S* disse...

Adoro o Say yes to the dress. Adoro os vestidos e o ar de felicidade imensa daquelas noivas. Mas caramba, pensem bem, porque as desilusões amorosas custam horrores.

Piston Homem disse...

Comigo seria para toda a eternidade, como sabes.

Alexandra disse...

S*, Pensar bem é coisa que rareia, pelo que tenho visto.

Piston,

Bem sei. Debaixo de dez palmos de terra ou jogada ao vento no mar ou no Metro de Nova Iorque.

Piston Homem disse...

Nunca te atacaria com um saca-rolhas.

Alexandra disse...

Só porque não bebes.

Pulha Garcia disse...

Identifico-me totalmente e em muitas coisas poderia - mas não de forma tão brilhante, cara colega - ter sido eu a escrever isto.

No entanto, acredito que há sempre pessoas interessantes e que te vão tratar bem, para conhecer. E não há forma de me convencerem que o ser humano pode ser feliz sozinho. O homem é um animal social, está feito para ser feliz em convivência. Apesar do meu caso pessoal e do que vejo à minha volta (as estatísticas são as que são...) continuo a acreditar em relacionamentos e decisões de vida consequentes. Pessoas decepcionantes podem estar em maioria mas não deveriam ser motivo para deixar de tentar. Just sayin.

(Bons passos de dança para ti)

Alexandra disse...

Pulha,

Agradeço as tão simpáticas palavras mas não assim tão brilhante como qualquer um dos teus textos.

Não me interpretes mal. Sou até um animal muito social. Nunca me coibi de conviver a toda a hora, gosto de conhecer pessoas e sou daquelas que não tem qualquer problema em adaptar-se a novos sítios, precisamente por facilmente fazer novas amizades.

Não passo sem os meus amigos, embora, de vez em quando, tenha os meus períodos de isolamento, mais quando não estou assim tão bem e recolho à concha.

A timidez existe mas, infelizmente, só gosta de aparecer em força quando não dá nada jeito e não quero.

Agora, um animal social não tem que ser um animal social amoroso. Quer dizer, ó caramba, como é que coloco isto em palavras mais acertadas?

A solidão não é uma escolha contra tudo e todos só porque vou teimar ou tenho receio ao ver os maus exemplos. A solidão é uma opção, que curiosamente já tomei um par de vezes, quando a pessoa de quem gosto não me faz bem. Por muito que goste de alguém, por muito que passe anos como uma carpideira por gostar dessa pessoa e sofrer, prefiro estar sozinha. Essa não é a opção mais fácil, pelo contrário, mas é a que mais tarde ou mais cedo mais me fará feliz. Nem que seja pelo facto de poder abrir caminho para outra oportunidade. Entre sofre sozinha e acompanhada, prefiro sozinha. Simplesmente porque assim ainda ganho alguma paz.

Pulha Garcia disse...

Percebo. E tenho motivos para pensar como tu. Mas não o faço. Há períodos em que estou só e me sinto até só (se calhar até me faz bem, desde que por curtos períodos). Mas nunca perco a referência que a vida - apesar de começar e acabar em solidão - não é acerca da solidão. A partir daí escolho reagir, activamente buscar algo mais. Talvez seja disparatado e talvez um dia me abandonem as forças para continuar a pensar assim. Gosto muito dos meus amigos e gosto muito de pensar que há alguma pessoa interessante mais à frente para caminhar ao meu lado. A vida dá-te muitas oportunidades. Se olhares com atenção e não tiveres medo de correres alguns riscos calculados. Pelo menos é assim que eu penso, hoje por hoje.

(Beijo para ti, venerável colega)