sábado, outubro 14, 2006

Saudades

Encontrei as tuas cartas. Abri, li baixinho e chorei. Agora custa-me olhar para a tua janela. Faltas tu.

Sabia as horas a que acordavas. E tu sabias as horas a que me deitava. De manhã, puxava as persianas, afastava os cortinados e sorria-te. À noite, ias buscar a lanterna, apontavas para o meu quarto às escuras e acenavas-me. Depois mandavas-me um beijo de boa noite e eu ia deitar-me, de phones bem colados ao ouvido, com o Bryan Adams ou os Scorpions aos altos berros. E adormecia. Sonhava contigo. Sempre.

Sentia conforto naquela janela. Depois, mudei de casa, mudei de vida e tu também mudaste de vida.

Mas, quando nos encontravamos, o olhar cúmplice era o mesmo. Abraçavas-me com os teus olhos, pegavas-me na mão e perguntavas-me se ainda era capaz de descer as escadas com os patins. Assim como uma criança pergunta aos pais porque não gostam de desenhos animados. Já não sou.

Agora só vejo a tua janela quando passo de autocarro. Mas não quero. Custa-me. Está vazia.

Será que isto é suposto fazer sentido? Tenho tantas questões. Demasiadas.

2 comentários:

Anónimo disse...

Bonequinha de estimação,

Nestas situações não há nada que se possa dizer ou fazer. Estou aqui para o que precisares. No outro dia assustaste-me. Quero ver-te sorrir, está bem?

Beijinho

Rita disse...

chorei...

também eu sinto isso quando olho a janela dele e sei que não o vou ver, quando passo pela estrada que o levou!

Simplesmente...Saudade!!