quarta-feira, maio 11, 2016

Estou uma adulta! AKA Talvez seja melhor falar com a L'Óreal para parcerias



Hoje merecia um lugarzinho no céu, pelos problemas que já resolvi a tanta gente.

Não me refiro a problemas sérios. Esses já resolvo há vários anos.

Refiro-me aos problemas verdadeiramente mais complicados.

Sabem?

Daqueles problemas de primeiro mundo, parvinhos, parvinhos, que, se retirarmos o stress (absolutamente desnecessário nestes casos ), são do menos problema que há? Daqueles que põem gente graúda a estrebuchar como crianças e que nos dão vontade de lhes dar um valente sopapo para manterem a compostura? Daqueles que instigam até os mais sérios a arrancar cabelos e a apresentar ameaças de morte mas que nós, ao assistirmos, só queremos fugir para um canto protegido e desatar à gargalhada ou replicar com o maior revirar de olhos possível, com desdém suficiente para dar dez a zero a uma tia de Cascais? Sim. Falo desses. Os não problemas.

Hoje, resolvi um montão de não problemas.

Inclusivamente, acabei de resolver um agora ao meu pai. Copiei os contactos todos de um telemóvel para o outro. Quando, antes, a vida estava por um fio. Já se tinha passado, partido o cartão SIM, deixado partes do cartão no telemóvel antigo, estragado um dos filamentos onde encaixa o cartão, vociferado (e acredito que asneirado) a alta voz, para horror da minha mãe (também ela sem paciência), ido a uma loja para saber o que podia fazer, vir de lá mais estouvado ainda porque efectivamente não lhe deram a resposta que necessitava, etc, etc. 
Com toda a calma e a voz mais suave deste mundo, aconselhei: "Pai, tens de ter mais atenção. Dás cabo da saúde. Não podes enervar-te com estas coisas (Juro que não lhe disse para ter calma, aquela palavra que, quando proferida, deixa toda a gente louca. - Sou ou não sou a maior?). Tudo se resolve. Tens de medir as situações e analisar se vale a pena tanto stress." Tudo com a voz mais apaziguadora e tranquila que alguma vez já presenciaram numa aula de Ioga. Resultado: Pai tranquilo, com um sorriso de orelha a orelha.

O meu dia de hoje foi praticamente isto. Resolvi este e mais outros muitos não problemas e consegui deixar toda a gente absolutamente tranquila e serena.

Nem pareço eu, certo? Aquela que, outrora, sem qualquer paciência, daria dois berros e ordenava ao indivíduo em questão ter juízo e ganhar vergonha na cara, por considerar tal um problema (Estou uma adulta!).

Mereço um lugar no céu.

Isso e uma coloração de cabelo para breve, tais são os cabelos brancos que vou ter à conta de dar espaço de antena a estas coisas.

sábado, abril 23, 2016

Bah


Uma pessoa acorda bem disposta, vai para a dança, cheia de positivismo e sorrisos para dar, sente-se bem e realmente feliz e depois bastam duas palavras para derrubar tudo isso.

Caramba que, de repente, apeteceu-me equacionar muita coisa e desistir de outras tantas. Atirar a toalha e dizer "Olha, miúda, tu que adoras mudanças, está na altura de fazê-lo.".

Foi o suficiente não para estragar inteiramente o dia mas para deixar aqui uma pontinha de tristeza que, raios, mói. Ó se mói.

É que aqui o moer significa um bocadito mas um bocadito suficiente para, em uma respiração, passar a uma avalanche e desabar numa crise de choro, seguida de (Não! Não! Não!) um ataque de pânico.

Curioso como duas palavras ditas de certa forma podem fazer tanta mossa.

No entanto, aqui estou, estóica. A ouvir música. A cantar, a ler para esquecê-lo. 
Também é bem feita, Maria Alexandra. 
Pode ser que agora, com toda essa consciência que tens ganho, percebas que, estupidamente, também já magoaste muita gente. Mesmo que não tenhas tido a intenção de fazê-lo.

(Não liguem. Isto são os meus exercícios de aprendizagem dos últimos tempos. Por tudo e por nada, pôr a mão na consciência. Não basta partilhar frases feitas a pensar no que os outros nos fazem. É preciso ver que, mesmo que tenhamos sido atingidos, também já agimos assim tantas vezes. O que também tenho de levar com calma, uma vez que cheguei ao ponto de culpabilizar-me por cada piscar de olhos e quase andar a chibatar-me.)

Enfim. Xô nuvem. 
Os meus pais regressam hoje de Madrid e eu tenho saudades deles. Logo, hoje é um dia bom.

sexta-feira, abril 08, 2016

Polémicas do dia



Resumindo o dia de Facebook, após leitura na diagonal:

1) Está tudo indignado com o que João Soares disse mas já não lhes faz espécie o insulto gratuito que, com tanta indignação, lhe fizeram durante todo o dia. Li insultos de arrepiar (Gentxi, o João Soares não esteve nada mas nada bem. Ainda assim, NOTO que ameaças à integridade física é crime mas insultar também.) ‪#‎moralistasdasanita‬

(O mais engraçado é que conhecendo a figura do Sr., dificilmente o veria à bofetada. Mais facilmente o veria a fugir da confusão, que nem dar bofetadas deve saber dar.) 

2) Ai que a Joana Vasconcelos disse que levava o telemóvel e o Ipad, jóias e sei lá o quê, se fosse refugiada. Ai, que o país quase implodiu com tamanha alarvidade! Estamos no Século XXI. Queriam que levasse o quê? Astrolábios? Os valores servem para trocar pelo que necessitarem e a tecnologia para comunicar e encontrar rumo. Quanto às memórias, qual de vocês, se tivesse oportunidade, ao fugir não levaria algo de valor sentimental? Uma coisa concordo. Falar com a língua enrolada à tia de Cascais não a iria salvar de polémicas.Nem que fizesse a lista mais imaculada.

3) Depois e pior, tanta voz chocada mas ajudar já está quieto. Não, 'bora lá a mais uma polémica de Facebook, daquelas que não dão trabalho e podemos ficar confortáveis na cadeira ou na cama, a participar. Ai que horror, que falta de respeito pelos refugiados! De repente, toda a gente é voluntário e activista de comando.
Já agora, sendo assim, "compartilhem" este post no vosso mural, para que Deus oiça as nossas preces e salve mais um cão, com fiambre em cima do focinho."

sábado, março 19, 2016

Respondona




Hoje, já mandei um parvalhão passear e ainda não são oito horas da manhã.

Ia com a Cacau, ela, claro, de casaco com capuz porque faz facilmente otites (e o casaco tem sido uma salvação para passar os Invernos descansados) e o parvalhão, do outro lado da rua, diz, em tom de gozo:

- "E uns sapatinhos? Uns sapatinhos para não molhar os pés! E uns sapatinhos?

Eu, claro, poderia ter ignorado. Só que, esta noite, apertei tanto os dentes que estava a precisar de libertar alguma fúria e tensão.

- E uma fraldinha? Uma fraldinha para o velho babão?

Tem sido assim. Desconfio que ando a regressar à adolescência. Com a diferença de terem nascido uns cinco cabelos brancos este ano.

quarta-feira, março 16, 2016

Facing the book

 
 
Aqui há um par de anos, encontrei uma colega da primária. 
 
Trocámos impressões efusivas. Foi mesmo um encontro feliz. 
 
Nesse encontro, informou-me ainda que um colega nosso teria morrido. 
 
"O quê? Não! Não posso acreditar! Ainda há uns tempos soube dele. Como é que é possível?"

Dito isto, acabei de encontrá-lo no Facebook. 
 
Está vivinho da Silva. 
 
Nunca adorei tanto o Facebook como neste momento.

#movimentoparemdemataraspessoas
#edecasartambém 
#jáquejámecasaramseiláquantasvezes 
 #eeunemnamoradotinha

sexta-feira, fevereiro 26, 2016

Je suis Tinder


O Correio da "Manha" faz notícia de capa de que a Isabel Moreira está no Tinder.

C'orror! A devassa! Imagine-se uma mulher e, ainda por cima, deputada, no Tinder, uma aplicação que privilegia encontros e novos conhecimentos!

Vou ser curta e grossa: Estou farta. 
Saturada destas merdas sexistas. 
Farta, saturada destes marialvas machos lusitanos com um complexo de pila pequena que vai daqui até à lua e dá a volta umas vinte vezes.

Num país de primeiro mundo, toda a gente está no Tinder (Sim, as mulheres também, incluindo as mulheres bem sucedidas, formadas, educadas e até com exposição pública. É assim nos países nórdicos e é assim em Nova Iorque, por exemplo.

Aqui há meses, a minha ex-paixão assolapada que durou demasiados anos para jurar para nunca mais disse-me: "Mas tu estás no Tinder? Aquilo é só para sexo. Não é para mulheres como tu!", deixando entender que o facto de estar no Tinder iria denegrir a minha imagem e todas as parvoíces que povoam numa mente de macho latino.

Ai é? Onde está escrito que aquilo é só para sexo? 
Primeiro, O meu corpo, as minhas regras. Depois, mesmo que fosse, e então? Qual o problema? Eu, mulher livre e desimpedida sem ter de dar satisfações a ninguém posso querer apenas sexo, sem virem os defensores do cinto de castidade gritar ao deus nosso senhor.

Sabem que mais? Ainda mal interagi, porque não estou ainda para lá virada, mas tenho para mim que o Tinder será óptimo para conhecer pessoas interessantes, especialmente estrangeiros. 

Eu que fisicamente sempre achei mais apelativo o homem moreno e os branquelas não me diziam propriamente alguma coisa, acho muito mais intelectualmente interessante um nórdico. E intelectualmente para mim é quase tudo. Porque é que acho mais interessante um nórdico? Porque estou saturada destas merdas. Porque não quero ter o azar de sair-me um sapo e ir parar às negras estatísticas portuguesas sobre violência doméstica. O perigo é tão real que o medo tornou-se real.

Sempre disse à minha mãe que casar não faz parte dos meus planos. Se acontecer, aconteceu mas não o tenho por objectivo. 
Ultimamente, tenho-lhe dito que está praticamente fora de questão casar com um português. Caramba, o meu pai, alentejano de raíz, dos seus sessenta e três anos tem uma mente muito mais avançada do que os neandertais que aparecem à minha frente. Não quero ser mais uma Maria Zamora, que ainda agora fez um ano a sua morte.

Isabel Moreira, para que fique bem claro, se eu não estivesse no Tinder, teria aderido agora com toda a certeza.Mulheres, estão à espera do quê?

#jesuistinder #jesuismulherlivre #correiodamanhaomaiorascoportuguês

segunda-feira, fevereiro 15, 2016

Run Forrest Run




Todos os dias quando levo a Cacau à rua, logo pela manhã cedinho, rezo para não encontrar pelo caminho vizinhos ou alguém conhecido.

Não obstante, uma vez ou outra, apanho um real susto precisamente por ter todo o caminho livre.

Toca o despertador. Lanço a mão ao calhas, a tentar encontrar o comando (Uso a aparelhagem como despertador - sim, sou do século XX.), e carrego em todos os botões para calar os senhores AC DC, que irromperam a cantar "Youuu, shooke me all night loooong" (Calma, senhores. Sei que sou fabulosa mas, de manhã, fico-me apenas pelo suave chilrear distante dos passarinhos.).

Levanto-me, vou à casa de banho (Esqueço-me de, pelo menos, passar um pouco de água pelo rosto.), enfio umas leggings, um cachecol enorme, gorro e um anorak de penas com capuz.  Como se fosse para Sibéria mas sem soutien (Prerrogativas do Inverno.) e com o pijama por baixo.

Levo cerca de quinze minutos a convencer a Cacau a levantar-se da cama (sofá), entre festas e beijinhos e enfio-lhe também um casaco, que a minha miúda é friorenta e mimada. (Normalmente, aquele lilás, com capuz, que a faz derreter até qualquer brutamontes com coração de pedra.)

Como sempre, seguimos para o jardim em modo automático e tudo o que se desenrola repete-se todos os dias. 

Nem sempre.

Acordo um pouco do transe, olho à volta e não vejo vivalma. 

Nem uma pessoa, nem um carro a passar ou som deles ao longe. Nada.

Até o vento silenciou-se.

O tempo parece ter parado. Não há sons nem movimento. Há uma energia estranha no ar.

Fomos jogadas noutra dimensão? Aconteceu uma calamidade ou um fenómeno estranho?

Nada. Ninguém.

É assim por uma eternidade (Ok, um minuto no máximo mas uma eternidade na escala do pânico.).

Começo a preocupar-me.

Até que lá bem ao fundo vejo alguém a caminhar.

Presto muita atenção e preparo-me para correr um sprint com a Cacau.

Outra pessoa, do lado oposto.

Ó meu deus!

Já bastante acordada, absolutamente em alerta, e com as rugas marcadas da almofada a desaparecerem, tento manter ambas as pessoas debaixo de olho vivo. 

Cada uma, sob cada olho. 

(Depois admirem-se se sou vesga.)

Bem, pelo menos, o caminhar parece normal. 

Quer dizer... Arrastam-se um bocado.

Sim, arrastam-se e caminham lentamente.

Passa um carro.

Depois outro e outro e um autocarro.

Mais pessoas e crianças com mochilas a dirigirem-se para a escola. Conversas, risos, o vento sopra. O barulho das árvores sob o vento.

Alivio.

Inspiro profundamente, chamo a Cacau e viro as costas em direcção a casa.

As únicas dentadinhas que irão acontecer são as que vou dar num belo muffin de chocolate.

Ou dois, depois desta saga toda.

terça-feira, janeiro 26, 2016

Amor com amor se paga III

Lembram-se deste post?

O meu irmão farta-se de viajar. Muito por razões profissionais mas a lazer ainda faz cerca de umas oito a doze viagens por ano, a cada sítio mais invejável do que outro.

Esta semana, está nos Alpes Suíços, como já vem a ser prática durante esta altura do ano.

Hoje, de manhã, não resisti e publiquei no Instagram uma foto ilustrativa da maravilha de tempo que me acolheu quando fui à rua com a Cacau e que se segue:




O magano não soube abster-se e comentou do seguinte modo:





Ora, logo eu, que adoro viajar mas sou uma desgraçada e não o faço há quinhentos anos.

Simpático, não acham?

O que vale é que também sei ser espectacular.

Enquanto o meu irmão goza os prazeres da neve selecta, eu, Alexandra do Leite Condensado, depois das aulas de dança ao final do dia, ainda apanhei o metro no sentido inverso, fui à casa dele, desfrutei da vista maravilhosa enquanto bebericava o vinho da garrafa mais cara que encontrei na garrafeira e, antes de vir embora e ter deixado tudo como estava, fiz questão de despejar cuidadosamente um frasco de pó de comichão dentro da gaveta dos boxers, não fosse ele recordar o episódio em cima apontado e precaver-se de alguma forma.

Regressei à minha casa e ainda enviei-lhe uma mensagem fofinha a dizer para não gastar dinheiro em presentes e/ou chocolates para me oferecer, que não fosse perder tempo e aproveitasse antes bem as férias.

Agora, digam-me. Há como não adorar-me?

sábado, outubro 31, 2015

Posso oferecer-lhe um presente?



A ideia foi de um blogue brasileiro mas achei o máximo e acho que poderíamos fazer o mesmo por cá.

Normalmente, doamos roupas, mantas, sacos-de-cama mas ninguém se lembra de doar este tipo de coisas, que também fazem muita falta e dão alguma dignidade às mulheres sem-abrigo. É um pequeno mimo.

O que é preciso:

- Uma mala que já não usemos e colocar nela:
- Escova e pasta de dentes;
- Escova de cabelo;
- Desodorizante;
- Pensos higiénicos;
- Lenços de papel e/ou toalhetes;
- Muda de cuecas e soutien (Novos);
- Um batom (Fica ao vosso critério mas até os de cieiro com ou sem cor fazem falta no Inverno)
- Alguns mimos extra (Perfume, bijutaria, luvas, cachecol, creme de mãos, etc.).

A ideia também pode ser usada para o masculino:

- Uma bolsa (necessaire ou outra) ou um saco tipo canvas;
- Escova e pasta de dentes;
- Escova/pente de cabelo;
- Desodorizante;
- Gilette, espuma de barbear, aftershave;
- Lenços de papel e/ou toalhetes;
- Muda de cuecas/boxers;
- Luvas/ lenço /cachecol / gravata, etc (porque não? a ideia é mesmo oferecer um mimo).

Abordar a pessoa na rua e perguntar se pode oferecer um presente. 

Em alternativa, podem contactar-me para o email do blogue ou enviarem-me mensagem privada na página do Facebook, para que possa recolher os artigos e organizar uma entrega.

Disponibilizo-me para fazer a recolha e a distribuição em Lisboa. Voluntários precisam-se para outras zonas do país.
Noto que ainda não vos respondi às mensagens privadas (enviadas depois de ter publicado o apelo no Facebook) mas estou aqui a cozinhar ideias e a reunir tropas para ver se conseguimos levar isto um pouco além. Vamos ver!

De qualquer forma, informo-vos que entreguei hoje as minhas malas. Isto seria espectacular se conseguíssemos reunir esforços e ter grandes resultados mas não descarto o simples gesto de verem em casa o que têm, ir à rua e entregar a alguém. Assim, sem "alarido". É só abordar a pessoa, pedir licença e perguntar-lhe se lhe pode oferecer um presente. 
Estamos a dar pouco mas a receber muito, acreditem. ;)

sábado, outubro 24, 2015

Toc... Toc. Toc, toc!





Aquele momento em que fazes uma piada inteligente e ninguém percebe.

sexta-feira, outubro 23, 2015

Acerca dos resultados



Tenho uma revolução dentro de mim!

#nuncamaisvoujantaraumPaquistanês

Eterna miúda





Ontem, ao sair da academia, um senhor da minha idade deu-me 18 anos e ficou muito surpreendido quando lhe revelaram que tenho 36 (Juro que nem ia vestida à pita ou sequer ia desportiva. Pelo contrário. Até saltos usava. A única diferença é que saí com o coque ainda feito.)
Posto isto:

1 - Eu sei que as pessoas quando pensam no Ballet imaginam crianças doces e fofinhas, de maillot e tutu cor-de-rosa, mas dá para avançar um pouco a mentalidade e perceber que um adulto pode dançar, tal como jogar futebol, correr, fazer ginásio, nadar, etc?

2 - Há gente mesmo míope à noite. Que medo! Vou passar a atravessar aquela estrada com muito mais cuidado!

segunda-feira, agosto 03, 2015




Ainda não vos disse mas ganhei uma filha adoptiva.

Quer dizer, não o é oficialmente nem poderá ser mas, caramba, é como se fosse. Ela chama-me de mãe às escondidas.

Esta menina salvou-me. Ajudou-me (Mal ela imagina.) a dar um passo muito importante. Quando ela pensa que sou eu que a ajudo e que a percebi logo completamente, quando ninguém reparou, e estendi a mão, quando ninguém pensaria que fosse necessário, foi ela que me inspirou e ajudou muito.

Cheguei finalmente a um ponto em que posso dizer "A minha vida já tem efectivamente um sentido. A minha existência já arranjou uma justificação." 

Não que nunca tivesse ajudado alguém ou já não tivesse feito a diferença. Felizmente já o fiz mas agora é tão diferente.

É minha filha. Só nós sabemos. Acordo e deito-me a pensar nela. Escreve-me cartas, oferece-me mimos. Chama-me de mãe. Escreve-me a dizer que eu seria a melhor mãe do mundo e como gostaria que fosse sua. Não é a filha que toda a gente gostaria de ter, é verdade. Os problemas são muito pesados. (É sim. Quem me dera que fosse minha.) Mas é a melhor menina do mundo, com um coração gigante, absolutamente linda por dentro e por fora e só é uma grande pena que não se veja assim e se afunde nela própria. Mas verá. A adolescência pode ser um fardo bem pesado e o passado também mas verá. Nem que para isso eu tenha de mover mundos e fundos.

quarta-feira, julho 15, 2015

Então e os espectáculos?



Ainda não consigo explicar muito bem.

Por um lado, aquele querer muito fazer tudo bem, a pensar no Miguel. Sentia que lhe devia isso.

Por outro, um ambiente absolutamente contagiante. Tão diferente. Tão melhor do que os últimos que recordo de lá, daquela outra escola. Tantas pessoas fantásticas, muito boa dança, muita qualidade. Muitas palavras amigas, muitas de incentivo. Muita amizade. Nada de rivalidades e falsidades. Tenho os melhores colegas do mundo e os professores também. 

Ainda assim, como alguém disse, "O Miguel é o Miguel." 

Espero ter levado um pouco dele para o palco.

Um ambiente tão diferente, o palco que não é o mesmo, as pessoas que são outras e ainda assim, parecia que ele estava ali, orgulhoso, à espera de ver alma e tudo em Full Out, emocionado com o nosso trabalho. Os meus olhos ainda juram que o viram, na plateia, de pé, com as lágrimas a aparecerem. Tal como o recordo dos espectáculos.

Eu sei que estes textos são uma seca para vocês e que muitos nem se dão ao trabalho de lê-los na diagonal mas é por isso que adoro o meu blogue. Não devo nada a ninguém. Posso ser quem eu quiser e, mais importante, posso ser eu. Posso dizer aquelas coisas que mal confidencio com alguém. Ou porque parece parvo, ou lamechas. Aqui, é mesmo assim e só entra quem quer.

Continuando,

Difíceis de explicar estes espectáculos. 

Fiz a minha homenagem mas também bati o pé para homenagear os vivos. Os que me rodeiam agora. Os que se importam e os com quem me importo muito. As minhas filhas adoptivas.

Não vos disse? 

Regressei com uma mão cheia de presentes. Mimos. Uma carta que me fez chorar e a perceber que sou uma influência muito positiva e já contribui para mudar vidas para melhor. Para vidas felizes. Se efectivamente consegui o que foi escrito naquela carta, a minha vida já teve um propósito e, afinal, tudo o que questionava nos últimos anos passou a ter um sentido.

Foi de tal forma que, no dia seguinte, decidi que era tempo de ajudar-me e dei o passo que já deveria ter dado nos últimos seis anos.

Difíceis de explicar estes espectáculos. Estava tão cansada e tudo estava enevoado mas estes foram os espectáculos mais felizes e envolvidos em amizade e ternura que já fiz.

Talvez seja a despedida. Quem sabe. Só o futuro o dirá.

Se for, é em grande.

segunda-feira, julho 06, 2015

O mural do meu perfil pessoal do Facebook é mais cómico do que o vosso III

Os meus amigos do Facebook viajam na maionese.

Este é fã da Ivete Sangalo. (E de todas as teorias da conspiração que possam imaginar.)


Todos comigo: "Poeiraaaaaaaaaaaaa! Poeiraaaaaaaaaaaaaaa! Poeiraaa... Levantou poeiraa!"

domingo, julho 05, 2015

Iluminações trintonas, ié, parece que a terra continua a querer tocar na lua



Acabaram de mostrar-me esta foto do espectáculo do ano passado. Turma de Jazz 2.

Têm uma matrona de trinta e cinco "experientes" anos e o resto tem de vinte e dois para baixo (Sim, uma delas tem quinze.)

Esta era a pose do final da coreografia, que tinha de ser alcançada em 0.0023 milionésimos de segundos, mais certeira do que as flechas do William Tell, sem balançar, sem ajeitar, depois de umas pirouettes.

Observei, observei.

Se estamos todas na posição correcta, com tudo bem colocado e alinhado, se não estamos marrecas, qual a mais certa, qual a que foi mais preguiçosa e... Ahhh! Estou mesmo bem, senão a mais certa!

De peito inchado, faço uma pequena dança da vitória e sorrio com vontade. Os meus vizinhos jurariam que ouviram cantar mas nego tudo.

Depois disto, passa-se àquela análise parva que todas nós fazemos. 

Deixa cá ver se pareço gorda, se estiquei a barriga ao invés de encolher... 

Até que os meus olhos fixaram-se no óbvio.

Pestanejaram.

Dá-se o click.

Vi a luz e atingi o Santo Graal.

Ainda não perceberam?

Rabo da Alexandra: 1
Rabo das miúdas: 0


Se poderia não ser tonta? Poderia mas não era a mesma coisa.

sábado, julho 04, 2015

Aos trinta e seis, ainda não aprendi a lidar com certas coisas. Com esta, lido muito mal. Acho que cada vez pior.

Já tentei tanta coisa e, por mais que tentem ajudar-me, não dá.

Neste momento, estou na fase da negação. Não é verdade. Não pode ser. Não acredito. Para mim, não aconteceu PONTO FINAL. (Assim ficarei por uns bons anos. Vou simplesmente não passar naquela porta e não reparar nas mudanças. Vou imaginar que mesmo antes das 18h00 estás cá fora a fumar um cigarro e a mandar aquecer.)

Também me zango. "Como te atreveste? Está tudo destroçado." "Como tiveste a coragem? Sabes quantas pessoas gostavam de ti e foram de alguma forma marcadas por ti para sempre? O que é que será delas?" "Como te atreveste? Foi tudo sempre tão intenso e não nos deste tempo para crescer e envelhecer a partilhar a mesma história que tu!" "Como te atreveste? Ninguém sabe lidar com isto."

Não sei lidar.

Por isso, (prometo) vou tentando rir e fazer rir mas, pelo caminho, preciso disto.

(Passaram quatro anos mas recordo todas as músicas que utilizaste. Aula de Ballet 2 ao Sábado - Adagio no centro.)

quinta-feira, julho 02, 2015

E agora para aligeirar


Um euro por cada vez que esqueço de pôr um par de cuecas lavado na mochila da dança.

É regressar a casa com aquele ar misteríoso-mas-que-ninguém-irá-adivinhar-de-que-caminho-muito-mais-arejada.




#graçasadeustenhoidodecalças

Não quero dançar

 *Ne me quitte pas - Remake 2009

Difícil esta coisa de ter de dançar e não querer. 

Tudo o que queria ontem e hoje era não ter de dançar. A música começa e não consigo conter as putas das lágrimas, que caem, aos pares, enfurecidas.

Não queria nada dançar. Não quero. Deixem-me no meu canto.

Depois, lembro-me de uma pessoa que sempre ensinou "The show must go on." Literalmente. Acontecesse o que fosse. Continua.

O Ballet tem sido o pior. Raio do piano. As músicas que me trazem as memórias de volta. Odeio-as.

Inicia a música dos pliés e a própria preparação dá cabo de mim. Eu danço. Danço mas com tanta dor.

E os pobres dos meus colegas lá ficaram muito impressionados porque ali estava eu, a dar tudo, de sorriso no rosto e as putas das lágrimas que não paravam de correr pelo rosto.

Eu sei que isto para quem não dança parece parvo mas é mesmo assim. Um mundo todo ele à parte (e especial).

Tudo o que queria era não ter de dançar nestes dias. 

Ai de mim, se o cumprisse. 

Ai de mim que não seria fiel a ti.



P.S.- Neste momento, estou com raiva. A ficha teima em não cair e, simplesmente, não pode ser. Nunca soube lidar com isto, embora já tenha perdido uma quota considerável de pessoas queridas. Não pode ser. Mundo, para, faz marcha atrás e traz tudo de volta.

terça-feira, junho 30, 2015

9 anos


Faz este blogue.

Logo hoje, que é um dia tão triste.

Daqui a uns dias, equacionarei o que são 9 anos.

Agora não.