sexta-feira, janeiro 16, 2015

Expansões

Acabei de apanhar um, no Metro.

Ainda por cima, um tanto rolição (Nada contra as pessoas gordas, como é óbvio. O que me dá comichão do nariz ao dedo do pé é a "forma de estar gorda".). Não bastava a condição física já o possibilitar, o tipo fez de tudo para ocupar não um, não dois mas os quatro lugares. Mais um pouco e ficaria deitado, de pernas estendidas a ocupar o espaço de quatro pessoas.

Sentei-me à sua frente e ele nem se mexeu para que eu pudesse caber. Sequer se dignou a arrastar a porcaria da mochila que jazia no sítio onde eu deveria pôr os meus pés. E eu também ia carregada (saco Longchamp dos médios completamente cheio, mochila atolada e chapéu de chuva) mas fiz o que o civismo e a educação mandam: Ocupei apenas o meu lugar e miseravelmente.

Não me demoveu. 

Olhei-o nos olhos o tempo todo com um misto de ar de gozo e nojo. Na minha cabeça repetia: " És um paquiderme, balofo nojento que, aposto, apesar do espaço que ocupas, tens uma pila minúscula, imperceptível ao olho nú e deves ser virgem porque nenhuma mulher no seu juízo te quereria, com essa forma de estar asquerosa."

Bem, quase me ri. O que é certo é que lá para o fim da viagem, o tipo começou a encolher-se.

Saiu uma paragem antes de mim. Abdicaria de duas latas de leite condensado para que pudessem ter visto o seu ar de espanto quando se debruçou para apanhar a mochila e percebeu que eu descansava não um mas os dois pés (devidamente enfiados numas galochas bastante enlameadas) sobre a sua mochila, com o ar mais natural do mundo. 

Eu sei. Eu sei.

Um dia apanho uma tareia a sério.

Hoje, não foi o dia.(Obrigada anjinho da guarda. Bebe apenas ao Sábado.)



Senhores, a não ser que tenham o problema deste senhor (Julgo que, felizmente, já foi operado para remover o tumor.), não, não vos fica bem. Apesar de se sentirem mais poderosos, não o são. São apenas ridículos.

terça-feira, dezembro 23, 2014

Jingle Bells * Batman Smells * Robin laid an egg * The Batmobile * Lost a wheel * And the Joker got away!




O meu Facebook pessoal é uma pérola. 

Muitas vezes, tenho de segurar a minha impulsividade tempestiva, contar até 93843958945849568968, respirar fundo tudo isso vezes dois ou três, para não comentar.

A verdade é que se cascasse e gozasse com cada coisa que publicam, já não teria amigos.

Já sou uma pessoa complicada, com os seus bonecos de vudu que chegam e sobram. Eu e a minha língua que salta sempre para a verdade, doa a quem doer ou (na maioria das vezes) mesmo com as melhores das intenções mas que dá asneira e torna-me numa persona non grata, mais rápido do que o Speedy Gonzalez diz "Andale!".

O meu preferido dos últimos dias é um conhecido dos tempos da faculdade.

Ora, este senhor passa o ano inteiro a esfregar na nossa cara que é ateu, detesta as religiões, que as religiões são para gente burra e por aí fora. Não há dia que não semeie no mural alguma consideração sobre o assunto, cartoon ou ambos. Não sou uma pessoa propriamente religiosa mas aquilo é cansativo.

Pasmem-se.

Nos últimos dias, é tão somente o maior entusiasta do Natal que já vi. 

Ele é fotos com o gorro do pai Natal, ele é fotos com as hastes da rena (!), ele é fotos de árvores de Natal, das iluminações, dos presépios, ele é "ho ho ho's". Ele é todo o espírito natalício, como se tivesse sugado a alma a meia centena de crianças menores de quatro anos e todo o arco-íris dos Ursinhos Carinhosos.

Então mas e... o Natal... pois, então e... meu caro... festas religiosas já pode?

Não me aguento. Mordo a língua. Morde! Morde a língua!

Mordo a língua mas faço printscreens de tudo. Tudo. Não escapa um fio da lampreia de ovos ou uma pitada de açúcar da rabanada.

Ele que regresse aos posts "crentes, ó pessoinhas tão burras e limitadas, que sois!". Tenho munições para, pelo menos, seis meses.

Já sei. Eu e a minha eterna incapacidade de ter diplomacia e savoir faire.

Vou morrer sozinha e isolada. Já não é novidade para ninguém. 

Enrolada em vários xailes, tendo a devota Cacau, já desdentada e um pouco mouca, a velar por mim.

Na lápide ler-se-á "Aqui jaz uma chata, implicante, desagradável e inconveniente. Ninguém a chora pois já ninguém se dava com ela."

terça-feira, dezembro 16, 2014

Ia escrever isto no Facebook mas ficou muito grande e depois lembrei-me "Ena, o blogue existe!"



Ontem, corri os três centros comerciais do Saldanha à procura de uns bons crepes ou waffles com chocolate ou canela. 

Nem um! 

Quanto maior era a procura, maior era a vontade. Na verdade, tenho de confessar que depois do almoço já estava com essa fisgada. Ah e tal, tenho de ir ao Saldanha, aproveito e depois lancho em grande, já estou a imaginar, rios de chocolate sobre um crepe ou uma waffle eroticamente polvilhada com açúcar e canela.

Quem sabe, um chocolate quente para acompanhar. Sim, definitivamente. Depois, faço mais uma aula de dança do que o habitual.

Será escusado dizer que tinha acabado de almoçar e já salivava.

Demanda impossível.

Em cada sítio onde existia uma casa dessas estava agora plantada uma de sumos detox/pseudosaudáveis/etc, tostas light e o camandro, só que, como seria de esperar, completamente às moscas. Pois é, estamos em Dezembro, época natalícia e com frio até aos ossos. Ninguém quer saber dos ditos verdes, pelo menos até Março! E ainda bem. Aquilo dá cabo do sistema, minha gente. A não ser que queiram virar panelas de incontinência de matéria fecal. Para o detox temos fígado, rins e pâncreas. (Quando, quando é que se convencem disso?)

Felizmente, o mostruário do meu Instagram viu as muitas fotos de sumos esverdeados, chia, batata doce, sementes várias, frango e diversos tipos de clorofila por coisas mais decentes e apelativas.

Fora a imbecilidade do #queméqueestaoaenganar 

Imaginem o seguinte cenário:

Foto: duas hastes pequenas de bróculos, acompanhadas de três rodelas de batata doce e um lombinho de pescada cozida coberto por sementes de papoila 

Hashtag: #foodporn

Foodporn? A sério? E os comentários, tanto do autor da publicação como dos visualizadores? "Tão bom!" "Que delícia!" A sério? A sério?

Voltando ao que interessa.

Fiquei sem o crepe em cama de chocolate, sem a waffle eroticamente polvilhada com açúcar e canela e sem o luxurioso, envolvente e espesso chocolate quente.

Senhores da restauração, 

Se não querem ver as vossas casas a fechar (Que é o que vai acontecer a estas porque são muitos meses de frio e a sonhar com paredes feitas de chocolate e não há renda milionária que resista.), já que insistem tanto em modas momentâneas e descartáveis, adaptem os vossos conceitos. Do "saudável" ao confortante é um instantinho de um crepe lambuzado em chocolate que fará qualquer barriga ou coração feliz. 

 Gordura também é formosura. E aquecedor natural no Inverno. Adeus contas de electricidade e de gás astronómicas.

Isso e sumos e iogurtes gelados a preços proibitivos (e ridículos). Dá-me vontade de ir ao Continente comprar um iogurte e colocá-lo na arca (Lá para o lanche deve estar só gelado) ou de andar com duas mangas, três laranjas e uma batedeira na carteira.

Já estive mais longe. Agora até já existem dióspiros de roer ao pontapé. Já não preciso de inventar que aquelas manchas na carteira são mesmo assim.

terça-feira, julho 01, 2014

São só 8




Feitos ontem, dia 30 de Junho, que, para não variar, mais uma vez esqueci.

Isto é só um blogue.

Há oito anos, uma miúda cheia de espírito criou este espaço não sei bem porquê. Bem, porque era engraçada a escrever, diziam.

Ainda assim, essa miúda mudou muito mas os blogues também. Hoje em dia, os blogues já não são blogues. São páginas de publicidade. Antes, eram páginas de personalidade, fosse lá o assunto que mais versassem.

Andei o mês todo a pensar se conseguiria prometer-vos regressar àquele registo. Não porque me trouxesse muitas visitas. Também trouxe algumas agruras e lágrimas e daí ter mudado tudo. Na verdade, não passava de uma miúda insegura, apaixonada e, como tal, altamente influenciada pelas críticas de quem mais confiava e sequiosa de aprovação. Olhe, até que seria bom. Voltar àquele registo porque tenho uma saudade do tamanho do mundo daquela rapariga com 26 anos, para quem tudo era uma brincadeira, tudo era motivo para sacar uma gargalhada ou, sobretudo, para viver com a cabeça na lua e vidas imaginárias. E sabia-me tão bem pôr os outros bem dispostos.

O meu imaginário apagou-se muito com a realidade dos últimos anos. Sim, coisa mais cliché, coisa mais sem graça, coisa que não me agrada. 

Sei que não será possível regressar. O meu imaginário não é o mesmo e a disponibilidade física e mental são diminutas. Ainda assim, farei o esforço.

De qualquer forma, parabéns, miúda! Parabéns por criares um blogue na altura em que os blogues eram só blogues, ou, melhor dizendo, em que os blogues eram blogues. Carregados, de importância, personalidade, curiosidade, novidade. Éramos tão mais importantes e ninguém nos oferecia nada.

Na altura em que as pessoas por trás eram interessantes, não que não o sejam hoje mas o que partilham não o é, ou pelo menos abraça o banal, numa concorrência desenfreada para ganhar cremes, roupas e convites para apresentações de marcas.

Parabéns miúda. És um dinossauro. Quase extinto nas palavras mas sempre podes dizer eu sou um dinossauro.


quarta-feira, junho 25, 2014

Eu até poderia escrever


Minhas queridas, isto aplica-se aos 20, aos 30, aos 40, bem, até aos 90 ou quem aguentar mais.

Não são coitadinhos, não são diferentes. São trastes.

Avé Pipoca, Avé a mim, Avé Luna, Avé a tanta gente que já escreveu sobre o mesmo e nós continuamos, ainda assim, a agir como debilóides emocionais.

Raça má esta da mulher, que tem de amar e proteger nos genes.

terça-feira, junho 03, 2014

Update

Olá, olá! 

Só para informar-vos de que ainda estou a ressacar do RiR mas fui uma fracota porque cortei-me à grande na 6ª-feira. 

Tenho um "ódio" de estimação pequenino com os Linkin Park e, em todas as edições em que actuaram, fui curtir para a electrónica. 

Desta vez, pensei: Ah, vou descansar, amanhã vou aos ensaios do Ballet de manhã e vou só no Sábado e no Domingo. 

Ando completamente fora e nem sabia quem era o Steve Aoki. Quase chorei quando liguei a televisão. 

Ainda fui gozada pelo meu irmão, vá, fofinho, que ainda enviou algumas sms a dizer para pôr o rabo lá imediatamente. Logo eu tão gulosa, com tanto bolo cremoso à disposição. 

Escuso de dizer que foi lindo, bla, bla. Todos os dias foram especiais e fechou em grande. Só tive muita, muita pena que não tivesse sido dado mais destaque ao Rui Veloso, afinal o dito pai do rock português.
O estômago aguentou. As pernas também. Bem, depois de ter visto os Stones, nunca mais me queixo de nada. De dores, da idade, das cruzes, de nada!

BTW, antes de haver zumzum por ir todos os dias, não fui como blogger convidada. Sou convidada todas as edições (incha bloggers pedincheiras) mas por outras razões, que não vos interessam (Ou seja, também não sou rica, ok?). 

O RiR tem um lugar muito, muito especial no mê coraçanito e já sonho com a próxima edição! 

Las Vegas, were else?! 

Coachella



Os meus Jukas fofos. O que é nacional é bom e eu adoro estes moços e moças. O Vasco não dançou por estar lesionado mas, para a próxima, lá estará. Jukebox Project ou Jukebox Crew no Insta, se não me engano.

 

Último dia. Houve quem garantisse que aquele senhor ali de ténis e chapéu branco era o Maico Jacso. Não. É o meu Justino.

May the force be with you.

Nota: Este post não é publicidade, não foi pago, sequer a troca de bilhetes, galinhas ou beijinho e tatuagem do Ami James. Até porque, sejamos realistas, aqui apenas entra meia dúzia de perdidos, metade deles chineses ou vendedores de alargamento de órgãos.

quarta-feira, maio 21, 2014

Março?

Pensava que tinha escrito mais recentemente.

Valha-me o Facebook.

Tem ido lá, certo? Também criei Instagram. Sou uma vendida às redes sociais.

Beijinho

domingo, março 09, 2014

Não critiques o que desconheces - Suco verde


Ainda tudo por aí com os periquitos aos saltos por causa dos sucos verdes.

Isto tem muito que se lhe diga mas antes de começar a atirar as flechas, devo aceder que, para quem não come verduras e fruta, é sempre uma boa adição. 

Para quem substitui refeições por isto, é simplesmente estúpido. Por cada quilo que perderem agora, engordarão uns dez em barda mais tarde. Fora os problemas que a insuficiência de outros nutrientes causa. Não são poucos.

Tomá-lo logo em jejum não me pareceria ajuizado, considerando que de manhã o organismo despacha melhor as gorduras, ao almoço os hidratos e o resto é mais apropriado ao fim do dia. Bê - Á - Bá que é sabido há muito e, relembro-vos, o ginásio e as corridas já nasceram há muito. A saga da proteína também. Vocês só descobriram a pólvora agora. Veio o Instagram e logo a seguir a pólvora.

Vamos ao que interessa. Gozei, critiquei, mania das modas, cada ano aparece uma maravilha que vos trará o corpo com o qual sempre sonharam mas não há nada como experimentar.

Com base nas receitas que por aí vi, escolhi esta por o sabor não parecer ficar mau e, sobretudo, considerando o que tinha em casa. (Nada de sementes e o camandro, que não tenho periquitos há mais de três anos.), foi este o suco (Sumo? Sumo? Sumo?) verde que experimentei hoje de manhã:

- Duas maçãs com casca, 
 - Uma banana,
- Sumo de um limão;
- Quatro folhas de alface;
- Seis folhas de espinafres;
- Água qb.

Nada de máquina de sumos. Retirar a fibra a estes alimentos é parvo. Porquê? Googlem. Além do mais, já basta o facto de não mastigarmos e, como tal, ser mais difícil saciar, mesmo ingerindo uma catrefada de alimentos. Tudo à lá batedeira/ misturadora.

Sabor: Francamente bom. Melhor do que imaginei. Vou gostar disto no Verão. É muito refrescante e desenjoativo.

Quantidade: Deu para dois copos grandes (Gigantes tipo IKEA.). Bebi um, reservei o remanescente numa garrafa tapada e foi para o frigorífico.

Resultado: Estou com uma dor de barriga que não vos conto. Fdp do raio do sumo verde!


segunda-feira, janeiro 06, 2014

Onde estão

Os homens que queiram conhecer mulheres sem ser pelo Facebook, conversas online e trocas de mensagens virtuais?

Que saibam fazer melhor  do que ficarem escondidos atrás do computador? Que depois gera aquelas chatices da preguiça de conhecer alguém, esforçarem-se na vida real, etc, etc?

Se foram desterrados, por favor, digam-nos para onde.

Estou um bocado farta deste corajosos de meia tijela. É cansativo. Uma pessoa conhece alguém, até parece interessante, mas depois seguem todos este caminho fácil e, pior, ficam agarrados a só isso.

Bocejo.

O engraçado? Fecha-se o Facebook pessoal para férias e aparecem logo uns quantos predadores de dispensa destes, não vá a gazela apemas viver uma vida real e encontrar alguém que faça o mesmo.

Não, nem me refiro à miudagem. Refiro-me a senhores dos trinta para cima. Não é ridículo?

Serei muito antiquada? De outro tempo? Alguém que me esclareça!

Senhores, juizo, vergonha na cara e muito menos preguiça, é o que vos desejo para 2014.

E muito chocolate para nós mulheres, que bem merecemos.

sábado, dezembro 21, 2013

Vida, querida,


Bem sei que às vezes só aprendo batendo repetidamente com a cabeça na parede mas se há coisa que aprendi logo à primeira e levei contigo é que um mal nunca vem só.

Escusas de ser esquecida e repetir a lição.

Já tirei vinte valores. Diversas vezes. Pareces o governo com a prova para os professores. Eles já sabem! Já fizeram provas, estágios, etc. Essa prova é estúpida e burra. Mal redigida. Sem nexo! Prova da treta! Abuso de direito é o que é!

Já aprendi!

Não percebeste?

Vai foder-te!

quarta-feira, dezembro 18, 2013

É Natal, não faz mal, todos a gastar papel!

Aqui na família condensado, costumamos perguntar uns aos outros o que querem pelo Natal. Não invalida surpresas mas acabamos por ser práticos. Perguntamos uns aos outros o que acham que o pai, a mãe ou o irmão quer, andamos ali na investigação e, quando o desespero bate à porta, perguntamos directamente ao visado. De todos, sou sempre a mais fácil. Dou logo um leque de coisas que gostaria e faço questão de mencionar várias para que possa ser surpresa.

O meu irmão é sempre uma chatice. O que se dá a uma pessoa que tem tudo e a quem quando pergunto "Queres isto? Queres aquilo?" responde sempre não? Que não sabe, que não quer isto, que não quer aquilo, etc? Que faço uma perseguição desde o dia 1 de Dezembro para conseguir perceber alguma coisa e acabo por só conseguir comprar o presente no dia 23, no meio da loucura, quando está tudo mais do que escolhido? Só falta hackear o email dele ou surrupiar o telemóvel, para ver se encontro pistas. E os presentes que já troquei porque depois lá quase na véspera diz que quer antes outras coisas?

Ainda por cima, vai mudar de casa mas ainda não sabe para onde, pelo que coisas para a casa estão fora de questão. Além do mais, tem tudo. Enfim, uma saga minha gente. Qual Guerra das Estrelas? Qual Senhor dos Anéis? Isto é um Senhor de Toda a Bijutaria e Acessórios.

No entanto, para verem como sou fantástica, já troquei-lhe as voltas e escolhi o presente. 

É que nem sonha. Nem ele nem mais ninguém.

Sou muito boa nesta coisa de escolher os presentes. Deveria fazer negócio disto. Nem sabem o que perdem. Sou uma profissional de pôr olhinhos a brilhar e divirto-me imenso na busca do presente perfeito. Daí, o Natal é só uma época hiper-mega-fixe. Quando há dinheiro.

Vamos a factos. O presente pesa cerca de vinte quilos. Sim, vinte quilos. 

Quando o vi, os meus olhos abriram-se muito e soltei um grito no meio da loja: "É isto!", enquanto dava pulinhos frenéticos de comemoração. Gesticulava, dançava e cantava até que olhei à minha volta. Estavam para aí umas quarentas pessoas dentro da loja. De boca aberta e com um esgar misto de medo/embaraço/pena. Coisa pouca. A próxima vez que lá regressar vou de óculos de sol. Que se lixe! Viver no perigo. Vou mesmo de cara à mostra. Não se apoquentem. A idade dá-me sabedoria para aceitar-me e celebrar-me. Talvez um chapéu de abas largas e um cachecol muito enrolado. O que foi? Está frio!

Naturalmente, ainda não o comprei. Como é que arrastava sozinha aquilo para casa? Não estou a ver como. Preciso de regressar lá com amigos musculados. A ver se ligo ao pessoal dos ginásios. Eles ainda se recordam e gostam muito de mim, certamente. Só tenho de colocar uma almofada no rabo, para não os desiludir. No Ballet, ganham-se pernas até ao pescoço. Rabos redondos gigantes só na musculação.

Adiante, que já me perdi. 

Estou tão feliz! Mesmo feliz! Só quero ver a cara do meu irmão quando o abrir. A próxima missão é conseguir a foto perfeita. Baterá certamente esta:


(Era uma estação de serviço. Homens.)

Lata de leite condensado a caminho para quem adivinhar o que é!

Entretanto



Acabei de receber um email do Ebay a oferecer portes gratuitos para todos os artigos de lingerie e cremes da Victoria Secret.

As cuecas com decoro para consultas médicas vão ter que esperar mais um pouco.

Cantem comigo: Oh happy days...

segunda-feira, dezembro 16, 2013

Apaguem as luzes



Se há coisa que adoro comprar é roupa interior.

Ok, adoro comprar muita coisa mas roupa interior está definitivamente no top 5.

No entanto, salvas algumas excepções para ocasiões especiais, tento fazê-lo sempre na época de saldos. No final da estação, abasteço as gavetas. Gosto de qualidade mas, neste caso, também de muita quantidade e diversidade. Assim compro peças originalmente mais caras e misturo com marcas mais económicas. Sem falar no facto de ter roupa interior para desporto, roupa interior divertida, sensual, clássica, e uma selecção de cores apropriada para cada ocasião e estado de espírito.

Não sei o que me passou pela cabeça neste Verão.

O que é que passou por esta cabeça? 

As minhas gavetas estão cheias de peças fluorescentes. 

Culpem as modas, culpem a Victoria Secret e aquelas passagens de modelos irreais, culpem o facto de ignorar que não tenho vinte anos, culpem o fantástico que essas cores ficam na minha pele morena.

Um estouro na minha pele morena. Morena. Não nesta pele cor de lula, não neste rabo de baleia branca, que torna o fluorescente numa cor esquisita, agressiva e até repulsiva.

É vestir a roupa e ter as colegas no balneário a semicerrarem os olhos, tal é a violência. É vestir a roupa e eu própria ter espasmos de choque, quando me observo ao espelho.

O que me passou pela cabeça? O que aconteceu ao preto? Ao azul escuro e aos tons socialmente aceitáveis?

Depois, porque é que há anos que não compro um par de cuecas dito normal? daqueles menos reveladores, perfeitos nem que seja só para ir ao médico? Porque é que não me passou pela cabeça que é aborrecido mas é necessário e, cada vez que tenho consulta ou exames marcados, lá ando a puxar os cabelos porque os que são menos decotados são completamente transparentes, os que não são transparentes são muito decotados, e por aí? Nem quando fui operada me lembrei de ir às compras de algo mais apropriado. Não serviu de lição.

Digam-me, porque é que agora, tendo que fazer exames, ir a consultas e o camandro, tenho que chocar a toda a hora os médicos que me assistem? Porque é que as minhas peças mais novas e mais apresentáveis parecem bombas luminosas no meio desta brancura de Inverno? Porquê? Olá, sou a Alexandra e sou uma árvore de Natal néon, super fashion.

Portanto, meus amigos, preciso urgentemente de ir às compras, mesmo de gavetas cheias. É esta a conclusão brilhante. Brilhante é o termo certo. Também se aceitam presentes de Natal interiores com decoro.

Isso ou sou a lula que cintila no escuro, para vos iluminar este caminho invernoso. 

Nada temeis. Apenas usai óculos escuros e evitem olhar directo, para vossa segurança.

Escusado será dizer que os encontros amorosos também estão fora de parte. Ainda vazo uma vista ao moço. Quero lá essa responsabilidade.

domingo, dezembro 15, 2013

O grande C

Há dois meses a sonhar com cancro. Em mim. 

Raios dos sonhos. 

Há quem sonhe com as coisas mais variadas, há quem tenha sonhos felizes, sonhos eróticos, sonhos cómicos. 

Aqui, não me calha disso. 

Os meus sonhos são, por norma, terríveis. Ou sonho com desgraças épicas e tenho de salvar todas as pessoas que adoro. Sonho a sonho, a coisa vai aperfeiçoando e tornando-se mais angustiante, mais pérfida, mais terrível, os cenários mais desoladores. Se sobrevivo ou não, pouco interessa. O objectivo é salvar todos os que me são mais queridos e ainda desconhecidos pelo caminho. Um dia, juro que morro. Chego a ter dores gigantes no peito com os esticões. Acordo em desespero. O meu coração salta de tal forma que acho que parará repentinamente ou morrerá esmagado contra o tecto, tal é a projecção do peito. Ou tenho sonhos premonitórios. Não quero falar sobre isso. Não são coisas boas. Isso aconteceu uma vez. Um vinte a latim na prova global que se cumpriu. De resto, adiante.

Feito isto, lá resolvo marcar exames.

O meu signo é Carneiro e é um signo que vive o presente. Mesmo para quem não vai nestas cantigas, confesso que tenho todos aqueles traços e mais alguns do Gémeos, a malfadada combinação que me calhou na lotaria signo-ascendente. 

Na verdade, não sou pessoa que vive a pensar no futuro. Infelizmente. A minha vida é no agora. Não sei viver de outra forma. Não sei no viver no "e se". Planear os próximos anos é algo que me atormenta. Não sei fazê-lo. Hoje é assim, amanhã será o que será. Sem amarras. Todos os "e se" do futuro atormentam-me e impedem-me de viver e até de ser eu própria. Há uns anos atrás (e quem me segue há muito sabe disso.), tive a mais amarga experiência do AVC da minha mãe, que criou inúmeros"e se's" em torno da saúde e da vida dos meus pais. Não sei viver assim. Bloqueiam-me. Por muito que me digam que não pode ser, que tenho de seguir a minha vida, há uma série de coisas que cortei das minhas possibilidades pessoais e profissionais porque vivo no medo e não quero perdê-los e se for perdê-los, quero aproveitá-los.

Muito se falou acerca da decisão de Angelina Jolie. Da coragem em remover o peito, mesmo não tendo ainda cancro. Na altura, fiquei sem saber o que faria na sua situação. Não raciocinei bem, obviamente. A resposta é muito óbvia. A Angelina não queria ter a vida a prazo. Dependente de exames a prazo, dependente de notícias a prazo, dependente de, por mais cautelosa e vigilante que fosse, poder não chegar a tempo.

Em poucos dias, passei à situação de viver a prazos de seis meses. De seis em seis meses, verificar se a bomba relógio acordou. Corrijo, as várias bombas. Sacaninhas. Não sei quando apareceram. Se há anos ou há dois meses, desde que sonho com elas. Seis meses - um prazo clínico para uma coisa que pode alterar-se em poucas semanas (e ser tarde de mais), em meses, anos ou sequer nunca despoletar.

Ainda não consegui encaixar isto. Sou pessoa de viver com o presente e a preto e branco. Não sei lidar com isto. Não sei viver assim. 

Sou pessoa para morrer de cancro, após uma batalha como ninguém soube travar. Sou pessoa para morrer de cancro, porque simplesmente não quis e decidi não lutar. Porque o aceitei. Sou pessoa para morrer de desgosto de amor. Para morrer de tristeza. Para morrer de qualquer doença com a qual joguei ao braço-de-ferro ou abracei e deixei-me ir. Não sou pessoa para morrer do acaso. Não para morrer no meio da incerteza de algo que, por mais vigilante que esteja, possa apunhalar-me pelas costas. 

Quase que desejo que os resultados tivessem sido outros. Por mais negros que fossem. Provavelmente, isto chocar-vos-á mas preciso tanto de desabafar.

Não sei viver assim. Não quero esperar. Eu sei que ele vai aparecer. Sei. Porque é que tenho de esperar por ele?  Porque não puxar-lhe antes o tapete?

Quero muito, muito arrancar de raiz estas bombas-relógio. Quero muito ser radical mas sequer sei confessá-lo aos mais próximos. As pessoas não sabem aceitar isto. As pessoas não sabem aceitar esta mutilação mas é só no que penso. 

Só penso em, só quero, só desejo arrancar tudo de raiz.

sexta-feira, dezembro 06, 2013

Se encontrarem por aí uma criança a correr atrás de papagaios e balões, sou eu.


Hoje, será discutido este projecto de lei no Parlamento

Há quem não ligue e não queira saber dos animais mas a verdade é que só assim evoluiremos como humanos, como sociedade, como pessoas melhores. Deixarmos de ser "animais". Quem os tem sabe do que falo. Choca-me tanto que não se perceba o óbvio. Que a tacanhez, a imbecilidade e a burrice prevaleçam.

Nunca mais me esqueço das enormes discussões que tinha com o professor de Biologia sobre aquilo que ensinavam sobre os animais (Acção - reacção, animais irracionais, etc.), hoje completamente posto de parte pela ciência (Ainda assim ignorado na sociedade e no Direito.). 

Discussões terríveis, a terminarem com o professor a apontar que os outros professores estavam errados, que afinal eu não era nada inteligente. Valeram-me a única nota baixa na pauta mas, caramba, com muito orgulho. Que orgulho tive naquela nota. Uma nota alta naquela disciplina seria premiar a ignorância e a teimosia. 

Quantas vezes me perguntaram "Tu sabias bem as respostas, porque puseste as contrárias?" "Porque não são verdade. É tão óbvio que não é verdade que até dá raiva." 

É a minha forma de estar. Esta minha forma de estar já trouxe-me tantos dissabores mas existem verdades tão absolutas que não enxergá-las é criminoso. Décadas passadas e muitos estudos depois para comprovar aquilo que a sensibilidade sempre sabia. 

Como em tudo, o homem julga-se superior a todas as espécies. Cada vez mais a palavra humanidade perde o seu significado. Não porque afinal os animais raciocinam e têm sentimentos mas porque parece que somos nós que não o fazemos e somos desprovidos deles.

Infelizmente, com as alminhas que se sentam naquelas bancadas, tenho muitas dúvidas de que este projecto passará.

Na manhã seguinte a uma perda inestimável para o mundo, é duro ver que não evoluímos, que não assistimos ao desabrochar da humanidade. Neste e em tantos outros assuntos. Tantos. As guerras, o tráfico humano, a injustiça, as discriminações perante a raça, o estatuto social e o género. Sim, a discriminação para com a mulher está longe, muito longe de ser arrumada, se é que alguma vez o será.

Morrem muitos sonhos de criança, mata-se a criança e sem crianças não há esperança. A minha criança era uma sonhadora e crente de primeira. Tenho tantas saudades dela.

domingo, dezembro 01, 2013

Bruxas - aquela coisa do que las hay - Natal e as cornetas. Tudo num só post


Hoje, o meu irmão apareceu cá em casa com uma surpresa.

Basicamente, nas suas palavras, o meu presente de Natal antecipado. Coisa que não estava nada à espera e deixou-me um pouco atarantada.

- Tens duas hipóteses. Ou abres agora ou abres só no Natal.

- Ora mas isso tem lá algum jeito? Sabes como sou curiosa e apareces um mês antes com o presente? Mas... Nem perguntaste o que queria como fazemos todos os anos (Na casa da pradaria, somos muito práticos com estas coisas. Ou dizemos o que queremos ou damos várias ideias.)! Nem pensar!Isto não tem jeito nenhum! Abro só no Natal.

- Pois mas tens de abrir agora porque podes querer trocar e só tens quinze dias para o fazer. (Mentiroso, o pelintra! Tinha até Janeiro para trocar. O que queria era mesmo que abrisse já, para ter menos um presente concorrente no concurso de Natal "Qual é o irmão com mais presentes-surpresa.")

Lá abri e, caramba, não estava nada à espera. Basicamente era algo que andava a querer comprar e  fazia muita falta para o trabalho. Fora a parte fixe da coisa. 

Fiquei feliz da vida. Vá de brincar com o brinquedo.

Pior, vá de publicar no Facebook pessoal e no do Leite. "Ai que estou tão feliz e romãs, patati, patatá".

A questão séria, no meio desta história, é que uma pessoa não pode estar feliz e comunicá-lo. Há sempre qualquer coisa que corta logo o caule pela ponta. Corta o barato, sai caro e, se for possível, é tributado, duplamente, com toda a inconstitucionalidade possível e até com violação dos direitos humanos, a acenar para os tribunais europeus e para o TPI. 

Essa é que é essa. Não vale a pena demoverem-me. Trigo limpo, farinha amparo e todos os dizeres populares que se lembrarem.
Ou seja, acabei agora mesmo de descobrir que estou completamente afónica.Vinte minutos após ter publicado sobre a minha felicidade. Toma lá que é para te calares.

Afónica.
Nem um som. Coisa de nada que só os cães ouvem. Sai assim um agudinho de desespero, como quem grita abaixo de vinte e cinco metros de profundidade do mar que banha a costa da Quarteira e quem (não) ouve esse grito em Melbourne, durante um incêndio. Nada.

Coisa boa. Até já cancelei a saída de hoje. 

Exagero? Como é que grito em caso de emergência? Não grito!

Das duas vezes na vida em que fiquei afónica, em ambas tive imediatamente uma emergência (bem aflitiva). Precisei de gritar e nada. (Desespero, falta de ar, etc.)  Foi bonito. Memorável. A duplicar.

Portanto, não há pão para malucos. Até o som restabelecer-se, não saio de casa sem ser acompanhada (Por duas pessoas, não vá acontecer algo a uma e não poder gritar.), não fico em casa sozinha e, mais importante, não vou à rua com a Cacau. Não vá a pequena pensar que está livre da ordem, das regras e da educação e, mais importante, da minha voz castradora.

É isto. 

Num segundo, a gritar ao mundo que estou feliz. No outro, afónica. Uma corneta entupida.

Alexandra, a corneta entupida.

Depois admirem-se que já não partilhe ou escreva nada no blogue.

Os anos passam mas a propensão para o desastre não.

domingo, novembro 10, 2013

Por aqui, continuamos a crescer. Ou não.


O meu cérebro é super inteligente mas a alma e o coração, burros como uma porta, ganham sempre.

sábado, outubro 26, 2013

Aquele momento em que encontramos algo que nos define por completo

Não sou muito de partilhar aqui estas coisas mas deparei-me com este artigo, através de uma página do Facebook sobre dança que sigo há muito, e, apaixonei-me.

Apaixonei-me, como quem diz, apaixonei-me por mim mesma.

Apesar de ter Phyllis  Sues na primeira pessoa, a contar a sua história de vida e, mais importante, o seu modo de pensar e agir, não poderia eu estar melhor descrita do que nestas palavras. O que é que isso interessa?

Não será tanto um exercício de narcisismo mas uma lição de vida que conta como esta senhora aos noventa anos (Sim, NOVENTA) afirma não sentir-se velha e fazer inúmeras coisas inacreditáveis para os comuns mortais.

Aqui há uns dias, saiu um estudo que atribuia vidas mais prolongadas e com maior qualidade para quem é artista e faz o que gosta. Este é mais um exemplo e não só, pois acrescento (e muito) para quem vive da aprendizagem e da superação pessoal constante, ignorando os limites convencionais.

Talvez estas fotos agucem-vos a curiosidade. 


Para quem se interessar e/ou queira viver muito, fresco e sadio, tanto de memória, como de corpo, merece a leitura.

 http://www.huffingtonpost.com/phyllis-sues-/aging-gracefully-phyllis-sues-yoga-tango_b_2878155.html


To look good and feel good is work. To look great and feel great is a full-time job. There is no cheating! It's daily! Minute-by-minute, second-by-second. This is the process I love and love to work at. The reward is liking myself and living a creative life. I will turn 90 on April 4 and hope I can still create this in 10 years time.
Life in itself is a challenge and you can either, accept it and take action, or you can sit and do nothing. My advice is there is only one winner: accept the challenge, take action and get on with your life no matter what age.
I'm not aware of being 90. I'm aware of feeling physically as good as I have ever felt and mentally even better. I practice dance and workout every day. This body has to know who's boss and being 90 and feeling 20 is as good as it gets! People ask me all the time what's my secret. I tell them move, learn and listen.
The reward is a healthy body and mind. I'm totally selfish in that me and my body and mind are one. We are partners and we work play and live as one. So if that is so, we can't sit around and think about tomorrow. Our body and mind has to be trained from the first breath, otherwise it's down hill all the way. Numbers and dwelling on age is a trap. There is no age, it's living each moment to it's fullest.
I started my own fashion label at 50, became a musician and learned Italian and French in my 70s, took tango and trapeze at 80 and walked into my first yoga class at 85. So, if you think you're old, think again!
What inspires me is the process of learning. Inspiration creates creativity and creativity creates a better life. I like experimenting and have no fear of trying something new, so flying high on a trapeze at 80 was never a question. Becoming a musician late in my life was not accidental. It was meant to be.
I love to move and exercise, so my work out regime consists of yoga, tango, jump rope, hiking with my poodle Nicko and playing tennis.
Yoga gives you a life you didn't have yesterday. It's a wakeup call to every cell in your body. Every muscle sits up and pays attention. I live to do yoga and I do it to live.
Do every pose as good as you can and then do it a little better. I have arthritis in my spine, but I can do a full back bend, headstand and splits.
Dance has always been my passion. I had my first ballet lesson at 14 and knew then dance would be my life. Four years later I was performing in a night club in Boston and soon after that I was performing on Broadway.
Bloomer Girl, Oklahoma, Brigadoon, High Button Shoes and Kismet. I then went to Rio de Janeiro with the Ballet Russe De Monte Carlo. So from age 18, work was constant and life was and is really good. I'm still working creatively and love what I'm doing and have no intention of changing direction.
I have realized, that anything is possible, if you like who you are and what you do. Yes, anything is possible and even probable.
If you don't train the body every day it withers. If you don't train the mind everyday, you lose it. That's why I learned Italian and French, as learning a language is a great mental exercise. I then challenged myself to write music. I wrote the music and lyrics for my first song "Free Fall," which was inspired by flying on the trapeze. A CD followed with 12 songs: Scenes Of Passion. And then six tangos for Tango Insomnia. I now write short songs daily about things I do.
Tango dancing is a fantastic exercise, as it's physical and emotional. It's the only time, when I turn off my mind and just dance, so I am in the moment. To look effortless in dance is sheer beauty. That's my desire. I'm still performing, as it keeps my body in tune, is good for my memory and it makes my life a joy. A triple Boleo in the air would make my journey complete. Marcos (my teacher/dance partner) says it will take two years. I tell him, I have time!
I admit, I'm driven but I'm driven by desire and that's the formula. Desire is so powerful, like you are propelled as if from a canon. Desire to me is the driving force, but action is the result.
Working and accomplishing something mental and physical makes my day worth living and suddenly there is a break through, another step on the ladder. I don't give up. The sun and moon are there for everyone. The journey is worth it! This trip has been good to me and I wouldn't trade it for all the stars in the universe.
There is a way to beat the clock. Stay fit and enjoy the journey. Accept the challenge and go for it!
That's what I did!"

Phyllis Sues 

Dancer and Musician 



domingo, setembro 01, 2013

Ai os piropos! Piropos?

Tanta celeuma sobre os piropos e honestamente não é o assunto que mais me preocupa (Aliás, confesso que nem olhei bem para a proposta do BE, tenho apanhado o assunto no ar mas amanhã lá o farei.) mas preocupa-me sim, que não se dê a necessária reflexão aos assuntos. 

Preocupa-me que se parta imediatamente para o gozo e banalização de certas coisas e assuntos como se de um programa de reality show da televisão se tratasse. 

Preocupa-me ainda mais mulheres supostamente inteligentes que rapidamente passem a mulheres "burras" por, pura e simplesmente, não dedicarem um segundo a usar um dos seus bens mais sagrados (Sim, o cérebro. O nosso é mais pequeno do que o dos homens mas faz mais conexões, por isso, dêem graças e usem-no.) e a ter uma pequena reflexão que seja. preocupa-me que estas mulheres, ditas inteligentes, não reflictam e, por consequência, não saibam distinguir um piropo de um comentário dirigido para rebaixar e humilhar.
Meninas, senhoras, (Porque são o maior alvo.) a maior parte das coisas que ouvem na rua não é para vos elogiar mas sim rebaixar. Chamar a isso um piropo é, no mínimo, burrice. Sequer é correcto. Ora vejamos.

Diz o Priberiam sobre o piropo:

piropo |ô|

s. m.

1. A cor do fogo.

2. Liga de cobre e ouro.
3. [Joalharia]  Variedade de pedra preciosa.
4. [Popular]  Galanteio; elogio; frase amável ou lisonjeira dirigida a alguém.
Plural: piropos |ô|.


Tomemos os seguintes casos práticos:
A) "És muito bonita.", "És simpática." "Tens os olhos bonitos." 

Não me parece difícil classificar todas estas frases como piropos.

B) "Ó Boa, com esse cu deves cagar bonbons.", "Partia-te a bilha toda.", "Que lindas pernas: a que horas abrem?"

Bem, não sei quanto a vocês, mas tenho uma urticária imensa quando se aceita isto como elogios. Conhecem alguém que tenha conseguido facturar depois de proferir uma destas?  Querem estes sujeitos agradar-vos com estas palavras? Quem o profere sabe perfeitamente que não vai conseguir nenhuma simpatia do lado de lá sequer. Isso parece-me claro. Não vos parece? Então por que o fazem? Qual é a intenção?

É mesmo elogiar-vos? São isto piropos ou formas de humilhar?

A questão é mesmo esta. A intenção. O que é dito e com que intenção.

 Ah, o assunto não é sério? Se não nos levarmos a sério, admirem-se que continuemos a não ser levadas a sério, a receber menos, a sermos discriminadas, por aí fora. No mínimo, reflictam. O cérebro não se desgasta ao ser usado. Pelo contrário. É uma máquina que, para funcionar, precisa de estar sempre a ser oleada.

Se é necessário legislar sobre o assunto? 

Bem, toda a gente fala no assédio como se fosse um crime tipificado no nosso Código Penal. Basicamente, é o resultado dos filmes americanos. Conhecem a nossa realidade? O que está descrito no nosso Código Penal? Sabem que o que não for tipificado no código não é crime e, por consequência, não é punível?

A verdade é que o assédio, como o imaginam, não está previsto no Código Penal, minha gente.

Apenas é previsto para os casos em que existem hierarquias, familiares ou profissionais, ou para os actos de carácter exibicionista ou quando a pessoa é constrangida a CONTACTO de natureza sexual. Sequer existe a determinação "assédio".

Portanto se alguém vos assediar na rua, no metro, seja onde for, desde que não exibam o pirilau ou o rabo ou vos dêem um valente apalpão nas partes mais íntimas, sai sempre incólume, por muito que vos espezinhem.
Se isto cabe nos insultos? Bem, dificilmente. Insultos, assim em conversa de leigos, é chamar-vos nomes. Aí já podem suspirar de alívio e correr para o tribunal. Se alguém clamar "Sua puta!", estão safas. Se não, esqueçam.

Quanto à importância, parece-me que antes da gozação a reflexão é mais importante.

Ouvir uma frase daquelas pode não parecer muito. Deixa-vos mal-humoradas por um dia, umas horas, uns momentos. Pode não parecer muito. Agora, uma coisa garanto. Se alguém resolver importunar-vos e perseguir-vos na rua durante duas horas ou o dia inteiro a dizer-vos os tais "piropos", dificilmente poderão fazer alguma coisa. Já aquela história de pegar na carteira e arremessá-la à cabeça do "trolha" pode sair-vos caro porque, aí sim, quem pode apresentar queixa é o(a)espertinho(a), por agressão física ou tentativa de agressão física. Interessante, não?

Mas claro, é tudo uma risada, embora lá gozar com isto dos "piropos".

Basicamente, e voltando ao universo feminino, uma vez que é o maior alvo destas agressões, se queremos ser importantes, se queremos ser respeitadas, temos de ser as primeiras a respeitar-nos e dar-nos importância. Fora desse universo, bem a questão é a mesma. São agressões. Não são elogios. Até há pouco tempo a questão do Bullying também era ignorada.

Amanhã logo lerei sobre e aprofundarei o assunto. De qualquer forma, independentemente das propostas concretas que existam ou possam vir a existir, antes da galhofa, parece-me mais importante a reflexão.

Era "só" isto. Parem para pensar, sim?

Obrigada.

P.S. -Já são duas da manhã e amanhã é Segunda-feira. F***-se! Amanhã farei a revisão deste texto. Gralhas, erros, falhas gramaticais deverão ser descontadas.

P.S.2 - Não, amanhã não é Segunda-feira! Amanhã (Hoje) é Domingo! Ainda assim queria ir ao ginásio de manhã cedo. F***-se!