quarta-feira, dezembro 18, 2013

Entretanto



Acabei de receber um email do Ebay a oferecer portes gratuitos para todos os artigos de lingerie e cremes da Victoria Secret.

As cuecas com decoro para consultas médicas vão ter que esperar mais um pouco.

Cantem comigo: Oh happy days...

segunda-feira, dezembro 16, 2013

Apaguem as luzes



Se há coisa que adoro comprar é roupa interior.

Ok, adoro comprar muita coisa mas roupa interior está definitivamente no top 5.

No entanto, salvas algumas excepções para ocasiões especiais, tento fazê-lo sempre na época de saldos. No final da estação, abasteço as gavetas. Gosto de qualidade mas, neste caso, também de muita quantidade e diversidade. Assim compro peças originalmente mais caras e misturo com marcas mais económicas. Sem falar no facto de ter roupa interior para desporto, roupa interior divertida, sensual, clássica, e uma selecção de cores apropriada para cada ocasião e estado de espírito.

Não sei o que me passou pela cabeça neste Verão.

O que é que passou por esta cabeça? 

As minhas gavetas estão cheias de peças fluorescentes. 

Culpem as modas, culpem a Victoria Secret e aquelas passagens de modelos irreais, culpem o facto de ignorar que não tenho vinte anos, culpem o fantástico que essas cores ficam na minha pele morena.

Um estouro na minha pele morena. Morena. Não nesta pele cor de lula, não neste rabo de baleia branca, que torna o fluorescente numa cor esquisita, agressiva e até repulsiva.

É vestir a roupa e ter as colegas no balneário a semicerrarem os olhos, tal é a violência. É vestir a roupa e eu própria ter espasmos de choque, quando me observo ao espelho.

O que me passou pela cabeça? O que aconteceu ao preto? Ao azul escuro e aos tons socialmente aceitáveis?

Depois, porque é que há anos que não compro um par de cuecas dito normal? daqueles menos reveladores, perfeitos nem que seja só para ir ao médico? Porque é que não me passou pela cabeça que é aborrecido mas é necessário e, cada vez que tenho consulta ou exames marcados, lá ando a puxar os cabelos porque os que são menos decotados são completamente transparentes, os que não são transparentes são muito decotados, e por aí? Nem quando fui operada me lembrei de ir às compras de algo mais apropriado. Não serviu de lição.

Digam-me, porque é que agora, tendo que fazer exames, ir a consultas e o camandro, tenho que chocar a toda a hora os médicos que me assistem? Porque é que as minhas peças mais novas e mais apresentáveis parecem bombas luminosas no meio desta brancura de Inverno? Porquê? Olá, sou a Alexandra e sou uma árvore de Natal néon, super fashion.

Portanto, meus amigos, preciso urgentemente de ir às compras, mesmo de gavetas cheias. É esta a conclusão brilhante. Brilhante é o termo certo. Também se aceitam presentes de Natal interiores com decoro.

Isso ou sou a lula que cintila no escuro, para vos iluminar este caminho invernoso. 

Nada temeis. Apenas usai óculos escuros e evitem olhar directo, para vossa segurança.

Escusado será dizer que os encontros amorosos também estão fora de parte. Ainda vazo uma vista ao moço. Quero lá essa responsabilidade.

domingo, dezembro 15, 2013

O grande C

Há dois meses a sonhar com cancro. Em mim. 

Raios dos sonhos. 

Há quem sonhe com as coisas mais variadas, há quem tenha sonhos felizes, sonhos eróticos, sonhos cómicos. 

Aqui, não me calha disso. 

Os meus sonhos são, por norma, terríveis. Ou sonho com desgraças épicas e tenho de salvar todas as pessoas que adoro. Sonho a sonho, a coisa vai aperfeiçoando e tornando-se mais angustiante, mais pérfida, mais terrível, os cenários mais desoladores. Se sobrevivo ou não, pouco interessa. O objectivo é salvar todos os que me são mais queridos e ainda desconhecidos pelo caminho. Um dia, juro que morro. Chego a ter dores gigantes no peito com os esticões. Acordo em desespero. O meu coração salta de tal forma que acho que parará repentinamente ou morrerá esmagado contra o tecto, tal é a projecção do peito. Ou tenho sonhos premonitórios. Não quero falar sobre isso. Não são coisas boas. Isso aconteceu uma vez. Um vinte a latim na prova global que se cumpriu. De resto, adiante.

Feito isto, lá resolvo marcar exames.

O meu signo é Carneiro e é um signo que vive o presente. Mesmo para quem não vai nestas cantigas, confesso que tenho todos aqueles traços e mais alguns do Gémeos, a malfadada combinação que me calhou na lotaria signo-ascendente. 

Na verdade, não sou pessoa que vive a pensar no futuro. Infelizmente. A minha vida é no agora. Não sei viver de outra forma. Não sei no viver no "e se". Planear os próximos anos é algo que me atormenta. Não sei fazê-lo. Hoje é assim, amanhã será o que será. Sem amarras. Todos os "e se" do futuro atormentam-me e impedem-me de viver e até de ser eu própria. Há uns anos atrás (e quem me segue há muito sabe disso.), tive a mais amarga experiência do AVC da minha mãe, que criou inúmeros"e se's" em torno da saúde e da vida dos meus pais. Não sei viver assim. Bloqueiam-me. Por muito que me digam que não pode ser, que tenho de seguir a minha vida, há uma série de coisas que cortei das minhas possibilidades pessoais e profissionais porque vivo no medo e não quero perdê-los e se for perdê-los, quero aproveitá-los.

Muito se falou acerca da decisão de Angelina Jolie. Da coragem em remover o peito, mesmo não tendo ainda cancro. Na altura, fiquei sem saber o que faria na sua situação. Não raciocinei bem, obviamente. A resposta é muito óbvia. A Angelina não queria ter a vida a prazo. Dependente de exames a prazo, dependente de notícias a prazo, dependente de, por mais cautelosa e vigilante que fosse, poder não chegar a tempo.

Em poucos dias, passei à situação de viver a prazos de seis meses. De seis em seis meses, verificar se a bomba relógio acordou. Corrijo, as várias bombas. Sacaninhas. Não sei quando apareceram. Se há anos ou há dois meses, desde que sonho com elas. Seis meses - um prazo clínico para uma coisa que pode alterar-se em poucas semanas (e ser tarde de mais), em meses, anos ou sequer nunca despoletar.

Ainda não consegui encaixar isto. Sou pessoa de viver com o presente e a preto e branco. Não sei lidar com isto. Não sei viver assim. 

Sou pessoa para morrer de cancro, após uma batalha como ninguém soube travar. Sou pessoa para morrer de cancro, porque simplesmente não quis e decidi não lutar. Porque o aceitei. Sou pessoa para morrer de desgosto de amor. Para morrer de tristeza. Para morrer de qualquer doença com a qual joguei ao braço-de-ferro ou abracei e deixei-me ir. Não sou pessoa para morrer do acaso. Não para morrer no meio da incerteza de algo que, por mais vigilante que esteja, possa apunhalar-me pelas costas. 

Quase que desejo que os resultados tivessem sido outros. Por mais negros que fossem. Provavelmente, isto chocar-vos-á mas preciso tanto de desabafar.

Não sei viver assim. Não quero esperar. Eu sei que ele vai aparecer. Sei. Porque é que tenho de esperar por ele?  Porque não puxar-lhe antes o tapete?

Quero muito, muito arrancar de raiz estas bombas-relógio. Quero muito ser radical mas sequer sei confessá-lo aos mais próximos. As pessoas não sabem aceitar isto. As pessoas não sabem aceitar esta mutilação mas é só no que penso. 

Só penso em, só quero, só desejo arrancar tudo de raiz.

sexta-feira, dezembro 06, 2013

Se encontrarem por aí uma criança a correr atrás de papagaios e balões, sou eu.


Hoje, será discutido este projecto de lei no Parlamento

Há quem não ligue e não queira saber dos animais mas a verdade é que só assim evoluiremos como humanos, como sociedade, como pessoas melhores. Deixarmos de ser "animais". Quem os tem sabe do que falo. Choca-me tanto que não se perceba o óbvio. Que a tacanhez, a imbecilidade e a burrice prevaleçam.

Nunca mais me esqueço das enormes discussões que tinha com o professor de Biologia sobre aquilo que ensinavam sobre os animais (Acção - reacção, animais irracionais, etc.), hoje completamente posto de parte pela ciência (Ainda assim ignorado na sociedade e no Direito.). 

Discussões terríveis, a terminarem com o professor a apontar que os outros professores estavam errados, que afinal eu não era nada inteligente. Valeram-me a única nota baixa na pauta mas, caramba, com muito orgulho. Que orgulho tive naquela nota. Uma nota alta naquela disciplina seria premiar a ignorância e a teimosia. 

Quantas vezes me perguntaram "Tu sabias bem as respostas, porque puseste as contrárias?" "Porque não são verdade. É tão óbvio que não é verdade que até dá raiva." 

É a minha forma de estar. Esta minha forma de estar já trouxe-me tantos dissabores mas existem verdades tão absolutas que não enxergá-las é criminoso. Décadas passadas e muitos estudos depois para comprovar aquilo que a sensibilidade sempre sabia. 

Como em tudo, o homem julga-se superior a todas as espécies. Cada vez mais a palavra humanidade perde o seu significado. Não porque afinal os animais raciocinam e têm sentimentos mas porque parece que somos nós que não o fazemos e somos desprovidos deles.

Infelizmente, com as alminhas que se sentam naquelas bancadas, tenho muitas dúvidas de que este projecto passará.

Na manhã seguinte a uma perda inestimável para o mundo, é duro ver que não evoluímos, que não assistimos ao desabrochar da humanidade. Neste e em tantos outros assuntos. Tantos. As guerras, o tráfico humano, a injustiça, as discriminações perante a raça, o estatuto social e o género. Sim, a discriminação para com a mulher está longe, muito longe de ser arrumada, se é que alguma vez o será.

Morrem muitos sonhos de criança, mata-se a criança e sem crianças não há esperança. A minha criança era uma sonhadora e crente de primeira. Tenho tantas saudades dela.

domingo, dezembro 01, 2013

Bruxas - aquela coisa do que las hay - Natal e as cornetas. Tudo num só post


Hoje, o meu irmão apareceu cá em casa com uma surpresa.

Basicamente, nas suas palavras, o meu presente de Natal antecipado. Coisa que não estava nada à espera e deixou-me um pouco atarantada.

- Tens duas hipóteses. Ou abres agora ou abres só no Natal.

- Ora mas isso tem lá algum jeito? Sabes como sou curiosa e apareces um mês antes com o presente? Mas... Nem perguntaste o que queria como fazemos todos os anos (Na casa da pradaria, somos muito práticos com estas coisas. Ou dizemos o que queremos ou damos várias ideias.)! Nem pensar!Isto não tem jeito nenhum! Abro só no Natal.

- Pois mas tens de abrir agora porque podes querer trocar e só tens quinze dias para o fazer. (Mentiroso, o pelintra! Tinha até Janeiro para trocar. O que queria era mesmo que abrisse já, para ter menos um presente concorrente no concurso de Natal "Qual é o irmão com mais presentes-surpresa.")

Lá abri e, caramba, não estava nada à espera. Basicamente era algo que andava a querer comprar e  fazia muita falta para o trabalho. Fora a parte fixe da coisa. 

Fiquei feliz da vida. Vá de brincar com o brinquedo.

Pior, vá de publicar no Facebook pessoal e no do Leite. "Ai que estou tão feliz e romãs, patati, patatá".

A questão séria, no meio desta história, é que uma pessoa não pode estar feliz e comunicá-lo. Há sempre qualquer coisa que corta logo o caule pela ponta. Corta o barato, sai caro e, se for possível, é tributado, duplamente, com toda a inconstitucionalidade possível e até com violação dos direitos humanos, a acenar para os tribunais europeus e para o TPI. 

Essa é que é essa. Não vale a pena demoverem-me. Trigo limpo, farinha amparo e todos os dizeres populares que se lembrarem.
Ou seja, acabei agora mesmo de descobrir que estou completamente afónica.Vinte minutos após ter publicado sobre a minha felicidade. Toma lá que é para te calares.

Afónica.
Nem um som. Coisa de nada que só os cães ouvem. Sai assim um agudinho de desespero, como quem grita abaixo de vinte e cinco metros de profundidade do mar que banha a costa da Quarteira e quem (não) ouve esse grito em Melbourne, durante um incêndio. Nada.

Coisa boa. Até já cancelei a saída de hoje. 

Exagero? Como é que grito em caso de emergência? Não grito!

Das duas vezes na vida em que fiquei afónica, em ambas tive imediatamente uma emergência (bem aflitiva). Precisei de gritar e nada. (Desespero, falta de ar, etc.)  Foi bonito. Memorável. A duplicar.

Portanto, não há pão para malucos. Até o som restabelecer-se, não saio de casa sem ser acompanhada (Por duas pessoas, não vá acontecer algo a uma e não poder gritar.), não fico em casa sozinha e, mais importante, não vou à rua com a Cacau. Não vá a pequena pensar que está livre da ordem, das regras e da educação e, mais importante, da minha voz castradora.

É isto. 

Num segundo, a gritar ao mundo que estou feliz. No outro, afónica. Uma corneta entupida.

Alexandra, a corneta entupida.

Depois admirem-se que já não partilhe ou escreva nada no blogue.

Os anos passam mas a propensão para o desastre não.

domingo, novembro 10, 2013

Por aqui, continuamos a crescer. Ou não.


O meu cérebro é super inteligente mas a alma e o coração, burros como uma porta, ganham sempre.

sábado, outubro 26, 2013

Aquele momento em que encontramos algo que nos define por completo

Não sou muito de partilhar aqui estas coisas mas deparei-me com este artigo, através de uma página do Facebook sobre dança que sigo há muito, e, apaixonei-me.

Apaixonei-me, como quem diz, apaixonei-me por mim mesma.

Apesar de ter Phyllis  Sues na primeira pessoa, a contar a sua história de vida e, mais importante, o seu modo de pensar e agir, não poderia eu estar melhor descrita do que nestas palavras. O que é que isso interessa?

Não será tanto um exercício de narcisismo mas uma lição de vida que conta como esta senhora aos noventa anos (Sim, NOVENTA) afirma não sentir-se velha e fazer inúmeras coisas inacreditáveis para os comuns mortais.

Aqui há uns dias, saiu um estudo que atribuia vidas mais prolongadas e com maior qualidade para quem é artista e faz o que gosta. Este é mais um exemplo e não só, pois acrescento (e muito) para quem vive da aprendizagem e da superação pessoal constante, ignorando os limites convencionais.

Talvez estas fotos agucem-vos a curiosidade. 


Para quem se interessar e/ou queira viver muito, fresco e sadio, tanto de memória, como de corpo, merece a leitura.

 http://www.huffingtonpost.com/phyllis-sues-/aging-gracefully-phyllis-sues-yoga-tango_b_2878155.html


To look good and feel good is work. To look great and feel great is a full-time job. There is no cheating! It's daily! Minute-by-minute, second-by-second. This is the process I love and love to work at. The reward is liking myself and living a creative life. I will turn 90 on April 4 and hope I can still create this in 10 years time.
Life in itself is a challenge and you can either, accept it and take action, or you can sit and do nothing. My advice is there is only one winner: accept the challenge, take action and get on with your life no matter what age.
I'm not aware of being 90. I'm aware of feeling physically as good as I have ever felt and mentally even better. I practice dance and workout every day. This body has to know who's boss and being 90 and feeling 20 is as good as it gets! People ask me all the time what's my secret. I tell them move, learn and listen.
The reward is a healthy body and mind. I'm totally selfish in that me and my body and mind are one. We are partners and we work play and live as one. So if that is so, we can't sit around and think about tomorrow. Our body and mind has to be trained from the first breath, otherwise it's down hill all the way. Numbers and dwelling on age is a trap. There is no age, it's living each moment to it's fullest.
I started my own fashion label at 50, became a musician and learned Italian and French in my 70s, took tango and trapeze at 80 and walked into my first yoga class at 85. So, if you think you're old, think again!
What inspires me is the process of learning. Inspiration creates creativity and creativity creates a better life. I like experimenting and have no fear of trying something new, so flying high on a trapeze at 80 was never a question. Becoming a musician late in my life was not accidental. It was meant to be.
I love to move and exercise, so my work out regime consists of yoga, tango, jump rope, hiking with my poodle Nicko and playing tennis.
Yoga gives you a life you didn't have yesterday. It's a wakeup call to every cell in your body. Every muscle sits up and pays attention. I live to do yoga and I do it to live.
Do every pose as good as you can and then do it a little better. I have arthritis in my spine, but I can do a full back bend, headstand and splits.
Dance has always been my passion. I had my first ballet lesson at 14 and knew then dance would be my life. Four years later I was performing in a night club in Boston and soon after that I was performing on Broadway.
Bloomer Girl, Oklahoma, Brigadoon, High Button Shoes and Kismet. I then went to Rio de Janeiro with the Ballet Russe De Monte Carlo. So from age 18, work was constant and life was and is really good. I'm still working creatively and love what I'm doing and have no intention of changing direction.
I have realized, that anything is possible, if you like who you are and what you do. Yes, anything is possible and even probable.
If you don't train the body every day it withers. If you don't train the mind everyday, you lose it. That's why I learned Italian and French, as learning a language is a great mental exercise. I then challenged myself to write music. I wrote the music and lyrics for my first song "Free Fall," which was inspired by flying on the trapeze. A CD followed with 12 songs: Scenes Of Passion. And then six tangos for Tango Insomnia. I now write short songs daily about things I do.
Tango dancing is a fantastic exercise, as it's physical and emotional. It's the only time, when I turn off my mind and just dance, so I am in the moment. To look effortless in dance is sheer beauty. That's my desire. I'm still performing, as it keeps my body in tune, is good for my memory and it makes my life a joy. A triple Boleo in the air would make my journey complete. Marcos (my teacher/dance partner) says it will take two years. I tell him, I have time!
I admit, I'm driven but I'm driven by desire and that's the formula. Desire is so powerful, like you are propelled as if from a canon. Desire to me is the driving force, but action is the result.
Working and accomplishing something mental and physical makes my day worth living and suddenly there is a break through, another step on the ladder. I don't give up. The sun and moon are there for everyone. The journey is worth it! This trip has been good to me and I wouldn't trade it for all the stars in the universe.
There is a way to beat the clock. Stay fit and enjoy the journey. Accept the challenge and go for it!
That's what I did!"

Phyllis Sues 

Dancer and Musician 



domingo, setembro 01, 2013

Ai os piropos! Piropos?

Tanta celeuma sobre os piropos e honestamente não é o assunto que mais me preocupa (Aliás, confesso que nem olhei bem para a proposta do BE, tenho apanhado o assunto no ar mas amanhã lá o farei.) mas preocupa-me sim, que não se dê a necessária reflexão aos assuntos. 

Preocupa-me que se parta imediatamente para o gozo e banalização de certas coisas e assuntos como se de um programa de reality show da televisão se tratasse. 

Preocupa-me ainda mais mulheres supostamente inteligentes que rapidamente passem a mulheres "burras" por, pura e simplesmente, não dedicarem um segundo a usar um dos seus bens mais sagrados (Sim, o cérebro. O nosso é mais pequeno do que o dos homens mas faz mais conexões, por isso, dêem graças e usem-no.) e a ter uma pequena reflexão que seja. preocupa-me que estas mulheres, ditas inteligentes, não reflictam e, por consequência, não saibam distinguir um piropo de um comentário dirigido para rebaixar e humilhar.
Meninas, senhoras, (Porque são o maior alvo.) a maior parte das coisas que ouvem na rua não é para vos elogiar mas sim rebaixar. Chamar a isso um piropo é, no mínimo, burrice. Sequer é correcto. Ora vejamos.

Diz o Priberiam sobre o piropo:

piropo |ô|

s. m.

1. A cor do fogo.

2. Liga de cobre e ouro.
3. [Joalharia]  Variedade de pedra preciosa.
4. [Popular]  Galanteio; elogio; frase amável ou lisonjeira dirigida a alguém.
Plural: piropos |ô|.


Tomemos os seguintes casos práticos:
A) "És muito bonita.", "És simpática." "Tens os olhos bonitos." 

Não me parece difícil classificar todas estas frases como piropos.

B) "Ó Boa, com esse cu deves cagar bonbons.", "Partia-te a bilha toda.", "Que lindas pernas: a que horas abrem?"

Bem, não sei quanto a vocês, mas tenho uma urticária imensa quando se aceita isto como elogios. Conhecem alguém que tenha conseguido facturar depois de proferir uma destas?  Querem estes sujeitos agradar-vos com estas palavras? Quem o profere sabe perfeitamente que não vai conseguir nenhuma simpatia do lado de lá sequer. Isso parece-me claro. Não vos parece? Então por que o fazem? Qual é a intenção?

É mesmo elogiar-vos? São isto piropos ou formas de humilhar?

A questão é mesmo esta. A intenção. O que é dito e com que intenção.

 Ah, o assunto não é sério? Se não nos levarmos a sério, admirem-se que continuemos a não ser levadas a sério, a receber menos, a sermos discriminadas, por aí fora. No mínimo, reflictam. O cérebro não se desgasta ao ser usado. Pelo contrário. É uma máquina que, para funcionar, precisa de estar sempre a ser oleada.

Se é necessário legislar sobre o assunto? 

Bem, toda a gente fala no assédio como se fosse um crime tipificado no nosso Código Penal. Basicamente, é o resultado dos filmes americanos. Conhecem a nossa realidade? O que está descrito no nosso Código Penal? Sabem que o que não for tipificado no código não é crime e, por consequência, não é punível?

A verdade é que o assédio, como o imaginam, não está previsto no Código Penal, minha gente.

Apenas é previsto para os casos em que existem hierarquias, familiares ou profissionais, ou para os actos de carácter exibicionista ou quando a pessoa é constrangida a CONTACTO de natureza sexual. Sequer existe a determinação "assédio".

Portanto se alguém vos assediar na rua, no metro, seja onde for, desde que não exibam o pirilau ou o rabo ou vos dêem um valente apalpão nas partes mais íntimas, sai sempre incólume, por muito que vos espezinhem.
Se isto cabe nos insultos? Bem, dificilmente. Insultos, assim em conversa de leigos, é chamar-vos nomes. Aí já podem suspirar de alívio e correr para o tribunal. Se alguém clamar "Sua puta!", estão safas. Se não, esqueçam.

Quanto à importância, parece-me que antes da gozação a reflexão é mais importante.

Ouvir uma frase daquelas pode não parecer muito. Deixa-vos mal-humoradas por um dia, umas horas, uns momentos. Pode não parecer muito. Agora, uma coisa garanto. Se alguém resolver importunar-vos e perseguir-vos na rua durante duas horas ou o dia inteiro a dizer-vos os tais "piropos", dificilmente poderão fazer alguma coisa. Já aquela história de pegar na carteira e arremessá-la à cabeça do "trolha" pode sair-vos caro porque, aí sim, quem pode apresentar queixa é o(a)espertinho(a), por agressão física ou tentativa de agressão física. Interessante, não?

Mas claro, é tudo uma risada, embora lá gozar com isto dos "piropos".

Basicamente, e voltando ao universo feminino, uma vez que é o maior alvo destas agressões, se queremos ser importantes, se queremos ser respeitadas, temos de ser as primeiras a respeitar-nos e dar-nos importância. Fora desse universo, bem a questão é a mesma. São agressões. Não são elogios. Até há pouco tempo a questão do Bullying também era ignorada.

Amanhã logo lerei sobre e aprofundarei o assunto. De qualquer forma, independentemente das propostas concretas que existam ou possam vir a existir, antes da galhofa, parece-me mais importante a reflexão.

Era "só" isto. Parem para pensar, sim?

Obrigada.

P.S. -Já são duas da manhã e amanhã é Segunda-feira. F***-se! Amanhã farei a revisão deste texto. Gralhas, erros, falhas gramaticais deverão ser descontadas.

P.S.2 - Não, amanhã não é Segunda-feira! Amanhã (Hoje) é Domingo! Ainda assim queria ir ao ginásio de manhã cedo. F***-se!

sexta-feira, agosto 16, 2013

Espontaneidade - um bem precioso que se perde com a idade



Estou farta de Lx em Agosto.

Já não aguento. 

Se há quem adore a cidade neste mês pelo trânsito, honestamente, deprime-me. Lisboa é muito bonita mas reservo-lhe o encanto para o início do Outono. Ou para os turistas. Os meses que o antecedem são um martírio.

Ainda não vi um sinal de férias e tudo o que seja fugida espontânea para pessoal a partir dos trinta é difícil. Mesmo que seja apenas por um fim-de-semana. Ai os filhos, ai que gosto de combinar com antecedência, o namorado, a namorada, os casamentos, ai as dores do reumático. Ok, obrigações, responsabilidade. Não só. Há uma ponta de medo, nisto tudo, de desconforto pelo que não se controla. É mais fácil arranjar justificações do que tentar.

Quando é que esta gente perdeu todo e qualquer espírito de aventura e de espontaneidade? Sou tão metida na concha a viver a minha vida contra a corrente que mal dei por isto. bem, dei. Cerrei os olhos, olhei para o lado e talvez tenha feito por não crescer (Se por crescer entenderem levar uma vida convencional, a seguir a cartilha que já vem das gerações anteriores. Aquela coisa do casar, filhos e meter na cabeça que agora somos muito diferentes.).

Seja como for, sair por um fim-de-semana combinado na Sexta-feira anterior é assim tão difícil? 

Todos os rios correm para o mesmo lado? 

A resposta é não.

Resultado: Amanhã ou Domingo, o mais tardar, vou. 

Não sei ainda para onde, se para Paris ou Ibiza, ou mesmo aqui para o Alentejo ou o Algarve, se estendo a "loucura" e vou uma(s) semana(s) para outro continente mas vou. 

Se é para os copos, as noitadas, as risadas, a cultura, as praias, a introspecção, o isolamento, não sei. Ainda bem! As expectativas lixam sempre tudo.

Já viajei sozinha e adorei. Há viagens que pedem companhia e por isso são inesquecíveis. 

Venha o que a sorte ditar.

Cada um faz por seguir o seu percurso. 

Eu vou reencontrar o meu.

(Aberta às vossas sugestões e quem quiser partir é bem vindo. - Só porque aquela coisa da espontaneidade é muito preciosa para mim.)

Beijo

domingo, agosto 11, 2013

Pesagem - Update - Post pedagógico e especial para quem luta contra o peso



Afinal pesava muito pouco. Menos do que poderia imaginar. Longe de qualquer previsão. Nem irei confidenciar-vos quanto para não ganhar mais pragas e nuvens negras.

Todos os valores estavam muito bons, o peso abaixo do supostamente normal mas bom, porque estou muito longe de parecer um esqueleto ambulante, ao ponto de o PT (Que era um puto que nem barba tem e demonstrou saber muito menos do que eu de treinos e quejandos.) passar o tempo a dizer "Estes valores estão excepcionais, exemplares! Mas..." e o mas nunca se concretizava porque era o "mas" de um PT programado para vender mas sem saber onde pegar. Ali não haveria onde pegar e melhorar. Já sabia que seria assim. Que iria levar com a conversa de trampa, vazia, com um treino da treta para não passar mais de uma hora na sala de treino e tudo o que é típico deste tipo de ginásios. Quisesse melhor e não escolheria o ginásio pela proximidade, cotonetes, algodão e creme hidratante disponível e olhos bonitos dos instrutores. Era só um mês. Que mal faz a um mulher lavar as vistas?

Se vos serve de consolo, ontem e hoje dediquei-me a esvaziar a dispensa e o frigorífico, pelo que os valores já deverão ser diferentes.

Fiquei um pouco abananada porque, reflectindo, pela medição e considerando que já tinha engordado cerca de 2/3 quilos na semana anterior em que havia ficado parada, significa que, após o espectáculo e com o que emagreci com ele, eu estaria com um peso obscenamente leve. Quase de anoréctica. Não admira que parecesse um anjo da Victoria Secret mas com um metro e sessenta e dois. Estava a pesar o que elas pesam.

Antes que as meninas comecem a atirar pedras, há uma moral nisto tudo. E já não pareço um anjo lá da roupa interior, que eu prezo muito os chocolates e bolos desta vida.

Regressando à moral. O ginásio é importante. O trabalho de musculação deveria ser complementar a todos os desportos e obrigatório a partir dos trinta, já que é dos poucos que previne a perda da camada óssea e a osteoporose.

No entanto, se o vosso objectivo é emagrecer e parecerem elegantes, minhas queridas, Ballezinho do bom e espectáculos para cima. fora tudo o resto que se ganha: felicidade, gestão do stress, coordenação motora, prevenção da Alzheimer, equilibrio, força, postura, etc. Tenho feito aulas de Yoga, Pilates, BodyBalance (Esta é uma anedota) e nem queiram acreditar no dez a zero que dou a alunos que fazem isto há bastante tempo. Para além de vos dar força mas alongar muito os músculos, tornando-as sempre mais esguias.

Pronto. Aqui está. Nota-se muito que adoro a sauna e o jacuzzi mas já morro de saudades da dança?

Sim? É só para confirmar.

P.S. - Ontem tentei calçar as pontas. Mal o consegui. Tive que descalçá-las imediatamente. Os pés estavam aos berros. Aguardam-me momentos muito dolorosos em Setembro. (Sim!)



quinta-feira, agosto 08, 2013

De volta ao ginásio, Leite Condensado style




Aqueles que seguem o Leite Condensado no Facebook já sabem que inscrevi-me num ginásio, para estes dias de Agosto, em que a academia de dança fecha para férias.

Estar parada enquanto se trabalha significa grandes doses de mau humor, insónias e comer desalmadamente para compensar tudo o que se passa no mundo. Sim, um pequeno diabo das Tasmânia à solta.

Não obstante, durante a primeira semana de indecisão para onde ia, engordei à vontade uns dois/três quilos. A dispensa vazia não engana. Se me pesei? Não. É coisa que não faço há muito, simplesmente por saber que os quilos da balança nada revelam e muito menos aquela medição altura x peso. Para  esta monstra, estou sempre linda, às vezes na magreza, mas isto é tão enganador que muita gente não faz ideia. O músculo é muito mais pesado do que a gordura. Daí que quando as pessoas começam a treinar e ganham peso é um excelente sinal. É sinal que ganharam massa magra e quanto mais desta houver mais facilmente se queimarão as gorduras. Por isso, só me peso em balanças que permitam esta medição, caso contrário, fico na mesma. 

Ainda assim, basta olhar para o corpo para perceber que engordei. Não foi difícil. Vejamos. Os espectáculos foram os dois no mesmo dia, com ensaio geral na noite da véspera e na manhã no próprio dia, o que fez com que emagrecesse num dia uma quantia escandalosa de peso que nem vou revelar, não vão vocês montar palcos na rua para dançarem a toda a hora. 

Para terem uma ideia, no segundo espectáculo (Foi um à tarde e outro à noite.), durante o stress das trocas de figurinos entre as coreografias, um amigo da salsa teve que emprestar-me o cinto dele ali mesmo nas coulisses (entradas do palco) porque as calças que deveria usar para o sapateado caiam-me pelas pernas abaixo. Sim, pernas abaixo, umas calças que serviam perfeitamente. Alguém quer flachar o público durante o Sapateado? Não. Foi um cinto à pressão do meio do stress e das risotas.

Ora, perante uma perda de peso tão abrupta, não é difícil que o organismo o recupere (esse e mais) muito rapidamente e sem esforço. Neste caso, o sem esforço foi comer quilos de chocolates, gelados, bolos e pão das 9h00 às 2h00. Que se lixe. Já não ia vestir maillot e collants no palco e aquela coisa da magrela na praia importa e preocupa-me tanto quanto a dicção dos treinadores de futebol.

Ainda assim, foi com receio que vi a balança ali mesmo a piscar-me o olho no balneário do ginásio.

"Mais vale preparar-me mentalmente antes da avaliação oficial do ginásio" - Pensei. E pumbas. Para cima da monstra. Cinquenta e um lá marcava o ponteiro. "Hum... Eheheh! Viva o Ballet! Ahhh... Espera lá... De certeza que esta porcaria está avariada! Terão de ser pelo menos uns cinquenta e quatro." Mas lá fui, um pouco pensativa mas feliz, airosa e saltitante para a aula de Yoga a cantar para dentro "Life is a cabaret old chum, come to the cabareeeeet!". Quando cheguei a casa,  bebi uma caneca de leite de soja com uma barra de chocolate derretida, comi duas tostas grandes de chouriço e duas fatias de tarte de maçã e ao deitar-me arrematei o remanescente da tablete de chocolate encetada depois do almoço.

Ontem, ainda duvidosa, la decidi pesar-me novamente. Chego à balança e estava uma rapariga a pesar-se a tirar uma foto ao valor marcado. "Raio desta mania do Instagram que até as pesagens são partilhadas!" 

Qual não é o meu espanto quando olho para o mostrador e a balança marca precisamente cinquenta e um quilos! 

"Desculpe, sabe dizer-me se esta balança está calibrada? É que ontem pesei-me e achei que devo pesar mais do que marca."

"Não sei." - Respondeu - "Não sei mas estou muito contente! É que assim já ganhei a aposta que fiz com o meu colega sem fazer esforço algum!" E foi-se embora aos pulinhos, contente, extasiada.  

Olho melhor para a rapariga e paro nos pneus da barriga. Cinquenta e um numa perna e meia, amiga! Subo imediatamente para a balança. Cinquenta e um, novamente.

"Raio dos ginásios!" - Vociferei entre dentes. - "Querem tanto demonstrar que são perfeitos e dão resultado que viciam as balanças!"

Entretanto, enquanto escrevia estas palavras, ligaram-me de lá. Era um personal trainer para marcar a avaliação inicial. Medidas, peso, mobilidade, capacidade cardíaca, objectivos e treino assistido, segundo o próprio.

Não sei quanto a vocês mas até amanhã às dezasseis horas não como uma ervilha e vou afogar-me em água. É que as "Tanita" e as amigas balanças medidoras não enganam.

Alguém aconselha um laxante poderoso? Ou dois?

domingo, agosto 04, 2013

Fui amar-me


Sou sempre a última pessoa a saber de tudo. 

Parece que existe um site muito famoso, onde se incentiva à traição conjugal, e que tem agora correspondente em Portugal, ao qual já aderiram 30 mil pessoas, em poucos dias.

Agora, se me permitem, vou ver o Yes to the Dress". 

Cada vez tenho maior certeza: casar é lindo, um sonho, um conto de fadas e mal posso esperar por gastar balúrdios na festa da minha vida e pelo que se segue: Discussões, desrespeito, filhos cujo trabalho recai em só um, ser criadinha, solidão, desilusões... O rol é interminável. 

Claro que isto vem numa altura em que a minha fé nos homens e nas relações está muito fraquinha, a precisar de choques para ser reanimada, não só pela experiência pessoal mas também, convenhamos e sejamos honestos, por tudo o que vejo à minha volta. A experiência pessoal bem poderia ser a excepção. Não é.

Vivó vestido de princesa!

(E viva morrer solteira rodeada de cães, gatos, papagaios e periquitos.)

Antes que venham cá com o "olha a amargurada", devo esclarecer-vos que adoro estar sozinha. 

Bem, estar com alguém de quem gostemos e sejamos retribuídos e ambos sirvamos para elevar o que há de melhor no outro é espectacular. Mesmo muito espectacular. Agora, quando isso não existe, cruzes credo, sou muito menos sozinha estando sozinha, sou muito mais feliz, tranquila, realizada e cima de tudo mais segura e confiante de mim. 

Depois, tenho sempre a fila de amigas que repetem sem pudor "Alexandra, tu é que estás bem. Fazes o que gostas, o que te apetece. Tens liberdade." Isto de pessoas que têm filhos e adoram-nos mas vejo-as sempre a espreitar pelo meu muro e a suspirar. Naturalmente, a galinha da vizinha é a história que se conhece mas, da minha parte, não troco a minha galinha pela delas. Só por uma galinha como descrevi.

Dito isto e perante aberrações como este site, reforçando o maior moralismo que há em mim, não consigo entender porque é que esta gente se mantém casada. Para quê. Já nem digo da outra parte mas isto é gostar de si própria?

Contudo, também sou a aberração que diz o que pensa e sente, não tolera outra coisa a não ser sinceridade e o bastião mais importante para que exista uma relação é a confiança. Não há confiança, não existe relação. Matemática pura.

Há uns bons anos, tive um colega que, a certa altura, numa conversa sobre relações, quando confessei preferir que me dissessem que me haviam traído e que se (improvavelmente)
o viesse a fazer seria algo que contaria, por uma questão de respeito, insurgiu-se e disse-me: "És horrível! A honestidade é brutal. Mil vezes que me mintam do que saber de certas coisas."

Todas aquelas palavras fizeram-me muita confusão. Eu vivia e vivo no outro extremo do mundo. A julgar pelos milhares que se entusiasmam com coisas como este site, vivo como o Big Foot. Isolado. Ninguém sabe dele. Na verdade, é apenas uma lenda. Um mito urbano. Ou não.

domingo, junho 30, 2013

7 Anos


Fez o Leite Condensado às Colheradas hoje.

O que, em termos de idade blogosférica, se traduz num septuagenário com os pés na direcção do céu (Céu. Não tenham ideias!).

Foram sete anos de muito açúcar mas, convenhamos, também de muito vinagre, pimenta e as especiarias todas da Rota das Índias.

Sete é o tal número de sorte, pelo que, deveria aproveitá-lo e terminar em grande. Pensei nisso ontem. 

Ontem, por razões que não interessam, tive uma noite francamente má e, no meio do desgosto, lembrando-me da efemeridade, pensei em tudo o que este blogue já viu e não precisava de ver. Em tudo aquilo que nem ele nem eu já somos. Nas pessoas que aproximou e que realmente não fizeram falta.

No entanto, foram também sete anos de outras boas, poucas mas boas pessoas que conheci. Na blogosfera, existem pessoas que batem aos pontos as que nos rodeiam na vida real. Irónico. 

Passados sete anos de um início blogosférico em que toda a gente dizia não estar ali para conhecer pessoas, devo dizer que a experiência tem ditado sempre o seguinte: As pessoas que não conhecemos de lado nenhum, os amigos virtuais, revelam-se imbativelmente melhores na vida real do que as que já conhecíamos na vida real mas que se aproximam mais graças ao blogue. Geralmente, estas acabam sempre por dar em asneira. Não foi um nem dois casos, foram vários. Portanto, que estejamos aqui para conhecer pessoas. Melhores do que as que nos rodeiam. Gente interessante é o que não falta na Blogosfera. Ali nas sugestões têm alguma.

Fecho, não fecho, antes que continue com este discurso de chacha, devo dizer que um novo fará muito mais sentido e seria uma lufada de ar fresco. Neste momento e nos últimos anos, este blogue tem sido um peso morto a vários níveis. Tem sido um lugar de muitas más recordações.

Portanto, vou analisar (ou, provavelmente, não) o seu destino. Perder a maré dos sete, seria um azar tremendo. Por outro lado, saltadas as sete ondas vem um novo começo, mais forte e promissor. Dizem. Tretas. Eu vou fazer o meu futuro!

Veremos. Deixo então convosco o registo mais importante de tudo isto e digno de reflexão espiritual:

Não fossem as horas de dança a quilómetro que faço, com sete anos de leite condensado, estaria na obesidade mórbida, a fazer de insuflável para os putos, no piquenique do Continente e este blogue já teria mudado o nome para Insulina às Colheradas. Profundo, não é? Do tamanho de um intestino.

Parabéns velhote!




terça-feira, junho 18, 2013

Com esta coisa do Bye Bye Google Reader


Mudei-me para o Bloglovin.

Já lá estava por causa dos blogues de moda ("Shame on youuuu!" Dizem vocês mas eu cá não tenho vergonha nenhuma.) mas adoro-o, é prático, recebo as actualizações diárias, etc, etc.

Na verdade, há muito que não ligava ao reader porque considerava-o muito impessoal, já que eliminava a parte estética de cada blogue. Para mim, a imagem, o layout, o design são fundamentais. São também uma extensão da personalidade do autor.

Assim, posso ver os posts no formato original dos blogues. Depois, permite importar em poucos segundos os blogues que adoramos e temos no Reader.

Ora aproveitem, mesmo que eu dure para sempre!

Quem quiser seguir este simpático moribundo, clique aqui:

terça-feira, maio 21, 2013

Ácerca da co-adopção ou como passos milimétricos são desnecessários



Um casal gay só adopta o filho que um casal hetero abandonou.


 
*Bem sei que existem outros casos, morte, etc e tal mas basicamente e na esmagadora maioria é isto. O amor move montanhas. Deixai o amor funcionar. 

Não sou fã do Glee mas esta foi genial.

Querido S. Pedro,

São dois pares de sandálias, umas quantas t-shirts, mais calções e outros tantos vestidos por estrear.

Trinta e muitos biquinis à espera de sair da gaveta. Vai antes para os quarenta, que já adicionei uns novos ao espólio.

Cara de múmia, pele de múmia milenar, humor de nuvem preta do cachimbo do Chefe - Fumaça Negra - Chaminé Londrina da Era Industrial.

Vê-se te controlas de uma vez, homem!



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quarta-feira, maio 01, 2013

_ _ _ _ _ _ _ _ _ Saloia


Ahhhhhhhhhh que lá para meados de Julho vou dançar A Bela Adormecida com umas pontas nos pés e um tutu na cintura! Ahhhhhhhhhhh que aquilo está pejado de adolescentes no meio de nós. Sim, adolescentes fininhas como fósforos, e eu, com estes frescos e airosos trinta e quatro anos, quero perder barriga (Como quem diz, bom bom seria perder metade de mim.). Já que vou dançar sempre à frente, não quero ser a hipopótama de serviço e muito menos a chata que tapa todas as colegas.

Ahhhhhhhhhh! Bora lá então perder a barriga (Rabo, peito, músculos, só reste a pelinha por cima do osso, por favor.). 

Como? 

Cortar nos chocolates? NEM PENSAR! 

Cort... Nem pensar! 

Bebe água. Muita água! Isso, água!

Caramba, mais um dia e quem é que se lembrou de beber dois litros de água? Não fui eu, certamente.

Não faz mal. A caminho da dança para casa, emborca-se uma litrosa de H2O de uma vez. Problema resolvido. A dieta começou hoje então. Hurray! Tão fácil.

E então? 

Então, minha gente, quero ir dormir! 

Quero muito deitar-me mas estou a ir à casa de banho de dois em dois minutos, sensivelmente desde as 23h30, o que contabiliza um total de idas de ... É fazer as contas.

Pronto. É só isto. Vós também continuais muito interessantes.

Beijinho e até daqui a um mês.

P.S. - Como podem ver, o meu pé continua fofo e lindo que só ele. Cá cou-de-pied mais amado por todos os reinos de dança.

terça-feira, abril 09, 2013

Dos "clubes de futebol", Constituições, papel higiénico e momentos de reflexão perdidos e não por falta de Centrum

Pausa nas parvoíces e brincadeiras. Se não usa o cérebro e não pensa em fazê-lo, este texto não é para si. Siga para o blogue seguinte.

Há dias em que desejo não ter tirado o curso que tirei. Ter estudado, por exemplo, economia e depois dar bitaites sobre assuntos que não domino e bater o pé como se tivesse a razão do mundo, sem dar qualquer fundamentação válida. Não, apenas bater o pé como se estivesse a defender um clube futebolístico. 

É que, na verdade, o curso de Direito não é peça essencial para esta reflexão. Não seria essencial tirar o curso. Bastaria informar-me e usar o cérebro. Há dias em que desejo não saber fazer isso. Apenas falar de coisas porque ouvi ou conclui porque atirei a moeda ao ar ou porque dá jeito. Depois, repeti-las muitas vezes até que se tornem verdade.

É assim boa parte do povo português e é a esta gente(alha) a que o país está entregue. 

Depois, leio por aí muita opinião sobre o TC, o Acórdão e a Constituição e, honestamente, apetece-me sair à rua com uma metralhadora.

Ai que a Constituição é um ser amorfo e o mal de todos nós.

Eu só quero saber, seus BURROS DE MERDA (E estou a ser delicada.), qual é o país que viva um Estado de Direito Democrático que não consagre no seu texto fundamental o Princípio da Igualdade e o Princípio da Proporcionalidade. Qual? Esperem, pensem bem: Estado de Direito Democrático. (Sabem o que é?)

Princípio da Igualdade (Sabem o que é? Mesmo?). Princípio da proporcionalidade (Uma pista, não tem a ver com receitas, embora até isso deveria ajudá-los a perceber.).

São Direitos Fundamentais e Princípios Universais. Ou, seus inteligentes, avançados, mestres em economia (Que só vêm economia da treta e deviam ter um chumbo redondo a vermelho na pauta, mesmo relativamente a esta matéria, pois claramente nunca geriram a economia de nada, nem da vossa casa.), acham que um orçamento destes não seria chumbado pelo Bundesverfassungsgericht (Tribunal Constitucional Federal Alemão)?

Querem ver que estes princípios são só um capricho da vil Constituição Portuguesa? Que não são comuns a todas as constituições do mundo que sustentam e preconizam um estado de direito democrático?

Adoro, adoro estes comentários tão inteligentes e interessantes que devem ao raciocínio o tempo de zero segundos. Um bom uso da massa encefálica, sem dúvida.

Antes que venham as vozinhas do costume, deixo as seguintes considerações:

1º - Não estou aqui a defender ideologias políticas. São questões JURÍDICAS e sim, têm como objecto a realidade e todas as situações possíveis e imaginárias. É sobretudo para as situações difíceis que estes princípios e direitos estão lá. Não apenas para quando vão ao cinema. São o garante máximo de que a coisa não vai correr mal.

2º Ah, agora não dá jeito, vamos lá suspender a Constituição. Já a leram, acéfalos de merda? Não? Então comecem por aí. É pequena, maneirinha e de leitura fácil. Sabem para que serve uma Constituição? Sabem o que significa Lei Fundamental? Voltem à primeira consideração, releiam.

3.º Pare e pense. Comece por aí. Não o fez? Volte à casa de partida, pare e pense. Leia. Pare e pense.


Em suma, aprender a não abrir certos blogues, jornais, comentários de ambos, ligar a televisão nestes momentos. Isso ou, então, o pessoal passa a usar a massa cinzenta. Ah, utopias! 

Infelizmente, com esta realidade, não avançaremos nunca.