
Que equívoco!
Não escrevo nada porque estou apaixonada!
Sim, é isso.
Ora bem, é um facto.
Até dia 3 de Julho, nem eu nem os meus colegas conseguiremos pensar em mais alguma coisa que não seja dança.
Ok, um pouco de trabalho também. E sexo... mas a ideia a reter é dança. Dança, dança, dança. (Falar também será difícil, preparem-se.).
Sendo assim, uma das grandes preocupações femininas é a dieta. Tanto os figurinos (Já viram o Cell Block Tango?), como o facto de os homens terem que nos elevar, de um lado para o outro, o propiciam. Sim, a nossa preocupação nem é estética. É mesmo eles poderem connosco.
Portanto, amiga e compreensiva que sou com a classe masculina, já principiei um certo cuidado com a alimentação.
Uma vez que o meu trabalho tem exigido uma rotina que implica levar almoço de casa (e, pela primeira vez na vida, desde os tempos do colégio, aprender o que isso é), hoje de manhã, decido fazer uma bela salada de alface acompanhada de rissóis de camarão, da marca Continente.
Sete da manhã, e um cheiro insuportável a fritos, na cozinha. O Reggae furioso pelas penas oleadas e pela janela escancarada que não lhe permitiu ter ordem de soltura logo cedinho, como é costume.
Lá acomodei a meia dúzia de rissóis entre duas ou três folhas de alface, no tuperware (Sou oficialmente uma bimba da periferia.), tremelicando o lábio inferior a contragosto, pois muito me custam estes regimes dietéticos desprovidos de alimentos lascivos.
Posto isto.
Senhor Belmiro,
Reconheço que estamos em época de crise e que a poupança pode ser o ganho.
Mas daí a ter engolido os seis rissóis, tacteado o seu interior, um a um, com a língua, espreitado, certificado, não se compreende porque é que só no último é que encontrei vestígio de metade de um camarão do tamanho dos camarões vendidos em Alcácer, mais seco, enrugado e chupado que as minhas mãos no inverno.
Telefono para casa, peço à minha mãe para ler o rótulo da caixa.
"Ingredientes: blá, blá, essência de camarão."
Essência de camarão? Quer isso dizer que me calhou o brinde?
O camarão explorado, chupado, do qual retiraram a ferros a essência para meia dúzia de rissóis (Julgava eu que as essências eram sempre mais caras por serem concentradas.).
O desgraçado que deu o suco, o sabor ao manifesto?
Sr., Belmiro,
Para a próxima, faça como se faz com os toiros de lide.
Retire-lhe a essência mas premeie com uma aposentação num oceano desafogado.
Ou preencha-lo de botox.
Não o traumatize mais num rissol, com a carne seca e encorrilhada.
É que o dito estava mesmo enfezadinho.
Para além de saber a nada.
Nota: Atenção que os da foto estão fora da validade pois datam de 29/03/2007. A não ser que pretendam camarões corrosivos, em vez de encarquilhados.


Ora, pois claro, como eu ADORO desafios... Até tive que respirar várias vezes e conter-me para não os publicar de enfiada.
A menina Mad é a responsável. Pede ela que confidencie os meus sete segredos de beleza.
Cá vai, a custo:
2 - Rir. Também não é novidade? Aguentem-se. Balela não é de certeza. Faz rugas? Adoro rugas de expressão de felicidade. Quem não sorri daqui a uns anos está um Basset Hound autêntico. É que, depois da boca, cai tudo, orelhas incluidas.
4 - Sol/solário. Sim, disse bem. Solário à falta de sol. So-lá-ri-o. A minha pele fica muito mais bonita (não me refiro somente à cor, mas à qualidade propriamente dita - fora com borbulhas, pontos negros, falta de brilho) após a exposição. Depois são os tais quilos de vitamina D que de outra forma não se absorve em tanta quantidade. Já sei, a balela do costume do cancro e que envelhece. Quanto à primeira, exposição sempre com muito juizinho e cremes/protectores adequados. Quanto à segunda, por amor da Santa, acabei de chegar aos "intas" e ainda ontem fui assediada por uns miúdos de dezoitos e picos, julgando que tenho a idade deles. Dão-me sempre idade escandalosamente baixa, a não ser em determinadas circunstâncias (Trabalho, quando visto fatos, e por aí adiante...), onde apenas me retiram cinco ou seis anos.
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5 - Vestir na Maria Côco. Obviously. Que agora também está no Facebook, com fotos de algumas peças das colecções. Numa saída/festa então é obrigatório. E no ginásio. E na praia... então na praia!

6- Bons cosméticos. Guerlain e Estée Lauder são excelentes nas bases, pós e blushes. O corrector de olheiras da Lancôme milagroso, não passo sem o mesmo.
7 - Já disse dançar? Dormir e alimentação correcta fazem maravilhas mas porto-me mal nessas àreas. Dançar ajuda muito. Dançar, dançar e dançar. Ok, e namorar. Beijos e sexo deixam-nos lindas. E roupa interior gira... e perfume, banho, férias, praia, leite condensado... e blá, blá, Mad, querida, estes desafios são uma treta!
Desta vez, e na onda de miúda muito chata, espanto todos e passo o desafio. Mas só aos compadres! Entretanto, vi que o Ervi já se chegou à frente. Textículos, Mozka Tché Tché, Paulo, Jedi Master Atomic, Piston, Alf e Tiagugrilu é a vossa vez!

Ai, como adoro a Primavera! (Suspiro)
(Não se esqueçam do suspiro! Façam lá o suspiro... Estou à espera!)
(Vá, novamente e tudo de uma vez.) Ai, como adoro a Primavera! (Suspiro)
Adoro, adoro, adoro!
Os raios de sol, mornos e alegres; as papoilas que florescem nos locais mais inusitados; o amor que anda no ar e em todas as partes do corpo; o cheiro a flores e a verde.
As andorinhas, queridas, que regressam sempre. Que já construiram três ninhos sobre a janela do meu quarto, fazem pontaria com o rabo e cagam o parapeito todo.

Dar cem euros por uns jeans, mesmo que sejam da Pepe, dói como o caraças. São lindos e tal, o corte de jeans que ainda não tinha no meio dos meus outros quarenta pares de calças de ganga. Pois... Claro... Cem euros. Cem euros! Ainda assim compensa quando ouvimos todas as amigas dizer "Ai estás tão magra! Estás mais magra! O que fazes?". Evidentemente, ajuda um pouco se comprarem as calças com três números acima do vosso. Muito mais fashion.
Sou muito mais feliz com dez euros na carteira do que quando ia à Avenida da Liberdade como quem ia à feira de Carcavelos.
Essa ideia de que o dinheiro não traz felicidade é um embuste de todo o tamanho. Só um otário para afirmar tal coisa. Como não traz? Está tudo parvo? Ai, sou tão feliz com um pouco de pão e de vinho. Mas aí, acordam da bebedeira, com um buraco no estômago e pensam "E as contas para pagar?" O dinheiro traz felicidade, sim. Pelo menos, um sono tranquilo e descansado.
O segredo do que confessei no segundo parágrafo? Fazer o que se gosta e não depender de ninguém. Não obstante, conseguir dormir já é outra história. Falando nisso, com licença, vou fazer o Euromilhões. É só um segundinho que já volto.
Já que estamos a falar de cêntimos, vale muitíssimo a pena investir em maquilhagem. Uma boa base da Guerlain, daquelas muito suaves para usar no verão, dois blushes, um terracota da Estée Lauder e outro mix da Lancôme, no mínimo. Corrector de olheiras e uma sombra mate branca para aplicar sob os olhos. É que se torna hilariante ouvir "Estás com tão bom aspecto! Ar saudável, mesmo! Foste à praia?" quando não se dormiu decentemente nas duas noites anteriores e se acordou há meia hora (desculpem a expressão, que até sou uma mulher bem educada) com cara de rabo branco e caído, que levou um pontapé do namorado. Bendito dinheiro que se foi.
O amor à dança não tem limites. Para além do mais, é assim que descobrimos que crescemos e evoluímos. Só assim percebemos que a vida vai passando e nós passamos para o outro lado da barricada. Vestimos umas leggings roxas e uns shorts ultra curtos com perneiras, versão muito Fame, super hit fashion, com os saltos para a aula de salsa, passamos pelas teenagers do Hip Hop, que nos observam deslumbradas e comentam"Estas cotas são doidas.".
Como dizia, o amor à dança não tem limites. Damos por nós felizes da vida a dançar "What a feeling" do Flashdance, piruetas para aqui, grandes saltos para acolá, tudo com um polegar a esvair em sangue, após uma brutal pancada que quase arrancou a unha, dada pela mãe de serviço (temos duas colegas que são mãe e filha).
Pois, eu cá quando for grande, quero ser como aquela mãe. Calma. Já estão a pensar na pancada. A senhora não fez por mal, não sejam assim. São acidentes normais quando se faz algo que envolve atirar as pernas para cima e os braços para o lado, ao mesmo tempo que se gira à velocidade da luz. Adiante. Onde ia? Ahhh! Como dizia, quando for quarentona ou cinquentona, quero ser como aquela mãe. Continuar a dançar com a mesma preocupação e dedicação que nós, juventude dos dezasseis aos trinta. Dançar sim, mas trinta ou quarenta vezes melhor que ela. É que a senhora não dá uma para a caixa e é destrambelhada. Deu-me uma pancada que fiquei a ver estrelas.
Moral da história? O que aprendemos com isto tudo?
Nada. Não venham com tretas que não sou eu quem vai dar lições de vida.
Daqui a pouco, prescindirei da aula de salsa e regressarei às minhas lides de corredora, no estádio estudantil, a tempo de ainda comparecer à aula de contemporâneo.
Neste momento, encontro-me a tentar remover os milhentos salpicos de tinta seca e dura, instalados nos meus ténis preferidos. Salpicos que, nada mais nada menos, são verdadeiros troféus da minha breve passagem como trolha (parafraseando o Mozka) no meu projecto, aqui há uns meses atrás.
Portanto, independentemente da colecção de ténis que possuo, apesar de rotos, gastos, esburacados e com remendos, estes são os meus favoritos. Ainda que cobertos de tinta branca, tanto na parte de cima, como nas solas.
Comentário do filho de uma amiga, que observa a tarefa, fascinado:
"Titi, pisate cócó de pássaro!"