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terça-feira, março 17, 2009

Flexi-au-au-bili-ui-ui-dade

Ontem, convencida (e subornada com aulas de surf) por uma amiga, tive o meu primeiro blind date da vida.

Supostamente, um amigo dela que me havia avistado num jantar de aniversário qualquer e "que nunca mais me esqueceu", "Ai, a Alexandra... Tens que me apresentar!".

Passados dois meses, lá me venceu pelo cansaço e acedi ao pedido (Ok, e pelas aulas de surf.)

O rapaz levou-me a jantar, num sítio muito agradável, ambiente a média luz.

Simpático, sem dúvida, a conversa chegou ao ponto inevitável.

- Ai faz dança? Deve ter uma óptima flexibilidade.* - Deixa estupidamente escapar com um sorriso de orelha a orelha.

É inevitável essa admiração masculina pela flexibilidade. Faz parte do imaginário viril, do rol de fantasias passadas de geração em geração, de amigo em amigo, de "mine" em "mine", tremoço em tremoço, de futebolada em futebolada, durante os típicos encontros de male bonding.

Já no ginásio, bastar-me-ia dirigir à zona dos alongamentos, para ver aquelas cabecinhas másculas  seguirem-me com o olhar. Embevecidos, bocas abertas, esquecem os exercícios, fitam cada alongamento com o pensamento longe e os olhos trocados.

Não há homem que não alegue a flexibilidade para fazer parte do top de características femininas apreciadas. Em qualquer conversa entre homens, lá surge a dita flexibilidade. Faz parte dos mitos, das loiras, das mamas.

No entanto, como em muita matéria do foro masculino, tal não passa de isso mesmo. Conversa.

Sim, meus caros, não adianta estrebucharem.

Não adianta mesmo porque perante a dita, perante a existência ao vivo, a cores e a tacto da flexibilidade, das duas uma:

Ou não sabem o que fazer com ela (Flexibilidade de um só não chega. It takes two to tango.).

Ou arrepiam-se perante a sua presença, saem a correr e chamam a mãezinha.

Posto isto e perante o comentário do moço, respondi:

- Tenho, claro! Quer ver? - Então, estico os dedos da mão até formarem uma meia lua, desafiando a formatura óssea.

O sorriso parvo dá lugar a um mais esverdeado e encolhido. Tal e qual ao do PT, quando lhe pedia para me alongar as costas e me sentia as vértebras.

Em seguida, CRAAAACK!- Estalo os dedos um por um ao fechar a mão.

- Agora imagine no resto.- Pisco-lhe o olho.

Depois disto, o jantar não demorou muito.

Presumo que o moço tenha sofrido uma hérnia discal com a demonstração.

*Salvaguardo já que nem por isso. Sou a avó ferrugenta da escola. A providência abonou-me apenas de umas costas, braços e pés muito flexíveis. As pernas, simplesmente, não foram dotadas de dobradiças, pelo que um split é algo que não sai, pelo menos sem oito ou nove caipirinhas e uma visita directa ao hospital. 

quinta-feira, março 12, 2009

Daqui a pouco, prescindirei da aula de salsa e regressarei às minhas lides de corredora, no estádio estudantil, a tempo de ainda comparecer à aula de contemporâneo.

Neste momento, encontro-me a tentar remover os milhentos salpicos de tinta seca e dura, instalados nos meus ténis preferidos. Salpicos que, nada mais nada menos, são verdadeiros troféus da minha breve passagem como trolha (parafraseando o Mozka) no meu projecto, aqui há uns meses atrás.

Portanto, independentemente da colecção de ténis que possuo, apesar de rotos, gastos, esburacados e com remendos, estes são os meus favoritos. Ainda que cobertos de tinta branca, tanto na parte de cima, como nas solas.

Comentário do filho de uma amiga, que observa a tarefa, fascinado:

"Titi, pisate cócó de pássaro!"

segunda-feira, março 02, 2009

Paparazzo corajoso

Não sei se se recordam desta foto, tirada ao meu primeiro voo de asa delta, justamente da Pedra da Gávea, no Rio de Janeiro, em Maio do ano passado.


Comentário recebido hoje, no hi5, de um broncossauro que se cruzava comigo no ginásio:

"Grande descontração!Quem tirou a foto foi muito fixe em captar este momento!"

Claro, filho. O fotógrafo foi até mais descontraído do que eu, tal foi a coragem de ir pendurado num dos lados da asa delta.


*Agora digam-me. Está demodé, é certo. Facebook, Twitter é que estão a dar. Para quê cancelar a conta do hi5, quando este me garante largos minutos agarrada à barriga de tanto rir?

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Não sei qual a estupidez maior


Se, chegar a casa, a um quarto para a meia noite, a arrastar-me de três horas suadas de dança e barra-de-chão, com os phones nos ouvidos, e ficar a pé, até às duas da manhã, determinada a ouvir e dançar freneticamente todas as músicas que tenho no ipod (e que ascendem a novecentas);

Ou se, de manhã, com dores em todo o centímetro de pele, músculo e osso que compõe o corpito e as ramelas ainda a colar as pestanas, entrar no Pingo Doce das Amoreiras e comprar para o almoço uma ferradura de chocolate e um travesseiro de Sintra (por sinal, muito saborosos).

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

E agora o Cristiano Ronaldo não ter chuteiras que lhe sirvam


Há um ano a ouvir que tenho os pés mais bonitos do mundo dançado. Que tenho os pés que todos os bailarinos sonhariam. Que tenho uma ponta linda. A flexibilidade do pé em pessoa. Muito bom para o ballet. Que o "cou-de-pied" é maravilhoso, blá, blá.

E, finalmente, quando vou comprar as minhas primeiras pontas, emoção tão só comparável à aquisição da Barbie Cintilante ou da minha primeira "A Minha Agenda", experimento tudo e alguma coisa e levo com um "Ah, vamos ter que encomendar umas para si. Esse pé é muito difícil." 

Portanto, um pé ideal de bailarino mas que é difícil encontrar sapatilhas de pontas para o mesmo...

Estou confusa.

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

É carnaval, ah e tal, ninguém leva a mal... o tanas!


Ainda não vos tinha dito mas, no Sábado de Carnaval, vamos ter festa rija na academia de dança.

A festança sazonal virou moda e vou ter que executar coreografia de Jazz, Contemporâneo e Salsa.

Está a correr bem.

Salsa, começaram hoje a coreografia. Foi uma bela aula. Sei lá eu, já que não pus lá os cotos. Antes fiquei a confraternizar no sofá de veludo.

Depois, no contemporâneo, que está bem mais composto, o Miguel entregou-nos os figurinos, no final da aula.

Calharam-nos uns vestidos compridos, cada da sua cor, decote à frente, decote nas costas até ao rabo, portentos nossos sustentados por delicadas fitas que uniam o tecido, com rachas por todos os lados até às orelhas. À pergunta "O que é que usamos por baixo?", ouvimos "Só cuecas da cor da carne."

Mas que cena é esta?

Melhor, que merda é esta, pá?

Eu sei que o contemporâneo é uma coisa mais alternativa e mais erudita. A coreografia tem todo um significado e leva a dança um passo à frente na interpretação e sentimento impressos.

Daí a estar a mostrar o rabo em todas as festarolas da escola é que não!

Já sabemos. É erudito. É suposto desprendermo-nos de tal ordem a podermos dançar nús, se necessário. O corpo é matéria e nada mais. É um instrumento.

Mas 'bora lá deixar isso na teoria, sim? A expressão "sentido figurativo" diz-vos alguma coisa? Instrumento sim, mas não para amigo do punhetismo.

Festa de Natal, Masquerade, ahhh pássaro de fogo... Pumba, mostra as bochechas (Ainda que enquadradas numas cuequinhas de maillot aos folhinhos.). Depois, coreografia final das Mães de Natal sexys... Quais sexys? Aquilo eram mais Mães de Natal porno, x-rated para menores de oitenta e um e impróprias para cardíacos.

Ainda não faço ideia qual será o figurino da salsa mas, como devem calcular, não combinará com golas altas.

Estas festas cada vez são mais rabos e mamas, mamas e rabos.

Não pode ser. Tenho direitos. E sentimentos. O meu rabo tem sentimentos.

Ainda me indago como é que o público irá admirar a minha destreza balética?

E levar os amigos? Levo rapazes, vão ficar a salivar. Agora rabo. Agora mamas. Agora tudo junto. Rabo. Mamas. Arrrrrrrrrrrrrrhhhh... Levo amigas, passo a "puta", "a desavergonhada", "Essa porca!".

Levo família e tenho o meu pai trancado em casa a chorar compulsivamente e a perguntar onde errou.

Está na hora, minhas amigas.

Está na hora de todas nós, advogadas, enfermeiras, engenheiras, estudantes, professoras e outras profissionais da sociedade respeitável nos unirmos e dizermos:

"DANÇA SIM, O MEU RABO NÃO!"

quinta-feira, abril 17, 2008

As bifas


Desde Fevereiro que a aula de Jazz de segunda-feira conta com a presença de duas inglesas.

Uma magrinha de nariz empinado, com a pele a tresandar a solário, e outra muito pálida, tipo lula da Nazaré, insonsa, inexpressiva.

A desenvoltura das moças chamou logo à atenção e eu tentei conter a pontinha de ciúme pelo facto dos olhos do professor brilharem mais com o desempenho delas do que com o meu, nas diagonais.

Se a minha primeira descrição das moças parece menos simpática, garanto que foi a primeira impressão.

A seguinte foi bem pior.

Pois que, desde a primeira aparição da aula, as moças não têm feito mais nada senão gozar com os restantes colegas. Com o nosso desempenho, os nossos desequilíbrios, a teima na falta de flexibilidade de alguns. Cochicham, passam o tempo com risinhos irritantes e trocistas. São más colegas, atropelam os outros e, se vêm alguém que lhes faça frente nos movimentos, não hesitam em empurrar a pessoa nas diagonais e na coreografia.

Verdadeiras bullys da dança, é o que vos digo.

Ora, descobrimos que estas meninas são bailarinas de profissão. Tcharannnnn… Bailarinas do Casino de Lisboa. Isto é, ditas profissionais a gozarem com pessoas que não o são. Que estão ali em part (muito part)-time, mas com um amor à dança inabalável.

Concedo que não somos nenhuns Barishnikovs nem Zakharovas. Mas elas também muito longe disso. Na verdade, é que se as pernas batem na cabeça nos grands battemends, na coreografia não podiam ser mais quadradas.


Ontem a Ellen fartou-se de me pisar na coreo.

Ia contra mim, ocupava o meu espaço, colocava-se deliberadamente à minha frente, ocultando o meu campo de visão no espelho.

A minha paciência a esfumar-se.

Ela, de nariz empinado, continua a provocar-me.

Até que não aguentei.

Saí sorrateiramente do meio do estúdio. Fui até ao canto, com o pretexto de beber água.

Todos distraídos com as indicações do professor.

Retirei da mala um lenço de papel e assoei-me.

Assoei a alma, as entranhas e todo o muco amarelo-esverdeado e pegajoso que podia existir dentro de mim.

Depois, certificando-me que ninguém assistia, angelicamente coloquei o lenço bem aberto, com a parte suja para cima, dentro da mala da bifa.

Em pézinhos de lã, voltei ao meu lugar e dancei. Sorridente. Coordenada. Uma pluma airosa e inocente.

Relembro os colégios, as boas notas, os anos de faculdade culminados numa benção das fitas esplendorosa. A aprovação com distinção no exame da Ordem.

Agradecida pelo grande cerebrozinho que os meus pais dedicaram mundos e fundos a criar.

sábado, fevereiro 09, 2008

A pacífica

Pensem comigo. (Este foi o meu Sábado)

Uma hora e meia de Jazz: meia hora de preparação física (abdominais, força e flexibilidade), meia hora de técnica (saltos, piruetas, degolés e afins) e meia de coreografia.

Uma hora e meia de ballet - sem barra (!!!)(dor).

Uma hora e meia de Jazz: uma hora de preparação física (abdominais, abdominais, abdominais, força pernas, abdominais, flexi-au-au-bili-ui-ui-dade) e meia de coreo.

Uma hora e meia de ballet (dor, dor, dor - o raio da dança é antinatural e é tudo menos o que parece. Estou levezinha? Pareço. Mas a contrair abdominais, pernas, aperta as pernas, estica as pernas, o pé e os tendões a queixarem-se, força, força). Sorte a dos pinguins que têm os pés em en dehor.

O meu professor de ballet diz que a dança é capacidade de sofrimento. Se dói, é porque estamos a fazer bem.

Literalmente, acreditem.

O tipo dormia com os pés atados à cama em en dehor ("um quarto para as três").

Sair a desfalecer da academia, depois de um dia inteiro sem ver o sol.

A arrastar os pés até ao metro.

Chegar a casa, cair no sofá e, cinco minutos depois, sonhar que estou no Brasil a dançar esta música. A tarde toda. Pela noite dentro. Até o sol nascer.

Já chegava, não?!!!

quinta-feira, outubro 11, 2007

Rescaldos de uma Convenção

Neste fim-de-semana prolongado estive numa convenção de fitness.

Três dias de maluqueira.

Três dias de participação intensa nas aulas de dança, das nove da matina até ao entardecer.

Mambo aqui, pirueta ali, enrola, torce, cai no chão, sexy, agressiva, delicada, com os melhores de Portugal e Internacionais.

Aulas complicadíssimas do Sebastien Boucher, enormes saudades do Raul Pereira e do Hugo Marmelada, deleitada com as magníficas Bé, Lucie, Lara, Rita Spider e a espanhola Marta Formoso.

Hip Hop, Ragga, house, afrojazz, latinas, locking, aerodance e poucos (porque não se podia estar ao mesmo tempo em dois lugares mas, sem dúvida, muito bons) steps.

Domingo, 9h10, atrasadas para a aula do "espanholito" Alberto Porcel de aerodance.

Um pedaço de nuestros hermanos caído do céu mas muito mal aproveitado.

Gay, sem dúvida, para contrastar com a espécime máscula do Hip Hop que por lá desfilava.

Eu e a Sónia, chegamos no final do aquecimento. A rir. Perdidas de sono. Atrapalhadas com o atraso, o sono e as nossas gargalhadas. Ainda assim, o professor pisca-nos o olho.

Éramos sem dúvida as mais bem dispostas.

- Tão giro! - Vá de dançar e abusar nos lifts, no bambolear de anca, no sorriso. A adorar a aula.

O resto do pessoal a dormir e nós encantadas.


O professor confunde-nos, julgando-nos também professoras, tal era a nossa mestria e perfeição.

Professoras das boas. Sorri, encantado com a nossa performance.

-Sónia, tenho dúvidas... Tão giro... Algo não bate ali bem... É Bi, só pode!


Sónia encolhe os ombros. - Ai, que pena, que desperdício! Ele é tão giro!

- Tenho o dedo do meio do pé a doer. Raio do pé de Egípcio!

- Ein?

- Tenho pé de egípcio. O dedo do meio é maior que os outros. Há quem diga que as mulheres que o têm mandam sempre nos homens.

Isto no meio das piruetas bailadas, com toque de bailarina clássica.

- Ein? Tu mandas em toda a gente mulher! Ai tão giro! Esta aula está a ser uma galhofeta!

Pézito dormente o dia inteiro, mas deliberadamente ignorado.

18 horas

Em casa. Largo a mochila, pego imediatamente no CD oferecido pelo Raul Pereira e entro na convenção, parte II, versão caseira. CD lindo! Ignorado, o Raggae amua ao assistir a tamanhas coreografias personalizadas.

Uma hora depois, lá decido tirar a roupa impregnada em suor e tomar banho.

Descalço o ténis esquerdo.

Fito o pé.

Tontura.

A meia ensopada em sangue.

Literalmente ensopada em sangue.

Meia cor-de-rosa abundantemente tingida de encarnado.

Tremuras na mão, nos joelhos, rosto afogueado subitamente atacado pela lividez.

Chamo o INEM, meto baixa por uma semana, ligo a todos os amigos a dizer que estou a finar.

De visita ao hospital, a Sónia reconforta-me.

- Tadinha, como te sentes?

- Estou a dar as últimas... Acho que é desta... Adeus, mundo cruel!

Último suspiro de princesa nipónica ao ser trespassada pela espada do samurai inimigo.

- Olha, no Domingo temos Workshops de dança no Well! Com a Lara, a Rita, o Hugo...

- A sério???

- Levanto-me da cama, deixo cair a algália e arranco o tubo do soro, perante o ar incrédulo dos que me rodeiam.

Saio a correr pelos corredores, de bata aberta, tentando tapar o rabiosque, não fosse maravilhar algum enfermeiro.

Corrida enérgica alternada de piruetas alegres. "Fame" meets bata hospitalar.

- Maria Alexandra?!!!?

Encarno a madonna de espadachim e respondo:

"I guess I’ll just die another day
I think I’ll find another way
There’s so much more to know
I guess I’ll die another day
It’s not my time to go "

segunda-feira, agosto 20, 2007

Panado de avestruz

Como já é hábito, sábado de manhã, estava no ginásio à espera que a Sofia e a Carmen se despachassem para irmos para a praia.

É sempre a mesma novela. Chega a sexta-feira e a Sofia dá-me na cabeça a pedir para não ir para o ginásio. "Passas a vida no ginásio! Descansa!"

Sensato, não fosse isto sair da boca da detentora do recorde dos dois minutos na elíptica.

Visto que aquelas duas nunca estão prontas antes da uma da tarde, o pedido é sempre contrariado. Assim, vou, pelo menos, à aula de aeróbica.

Terminadas as piruetas rodopiadas, a mensagem da praxe no telemóvel. “Alexa, vai treinar. Atrasadas!" Como já sei o que a casa gasta, aproveito a longa demora para fazer um treino intensivo.

Só que, neste sábado, estava sem vontade para levantar uma andorinha anorética, em pleno voo, rumo aos países do sul.

Aproveito, então, para fazer o meu exercício preferido. “Dar à língua”.

Encontro o Álvaro e a Ana, a treinarem supino plano no multipower, e entro na picardia.

- Álvaro, no multipower? Isso é de instrutor? Por que é que não fazes com a barra livre que é muito mais difícil? Só a barra pesa vinte quilos e a instabilidade adiciona dificuldade!

- Nem penses! Quero por carga a sério! - Riposta, já a adivinhar a conversa.

- Mas treinas melhor com aquela. Isso é para principiantes!

- Não!

- Pffffffff! Tanta coisa e só pões essa carga? Fraco.

Entretanto, a Ana ria-se.

- Estás parva? Nem uma repetição fazes com isto!

- Pfffffff! – Rondo a carga e começo a fazer contas aos discos acumulados e à vida. – Uma? Só uma? Queres apostar? Vinte e cinco euros como consigo!

- Ahahaha! Tontinha! És a super-mulher, não?

- Aposta! Aposta! Uma vez, na viagem de finalistas, apostei com um colega que fazia seiscentos abdominais e ele ficou a arder dez contos! Ai, quando eu quero... Aposta! Vou fazer!

Sem esperar pela resposta, retiro a toalha dele do banco, atiro-a ao ar e coloco a minha. Adapto os pulsos à pega, verifico se a direcção da barra estava no sentido do peito...

- Estás a fazer o exercício mal. Tens que puxar o banco mais para trás. Maçarico, a barra vai em direcção ao pescoço! – Provoco.

Olho à minha volta, inspiro confiança e preparo-me, novamente. Seguro a barra, tiro as pegas de segurança, faço força e....

Ainda de bem que o moço não apostou.

Porque a barra, cara blogolândia, cai violentamente sobre o meu peito, contrariando a força dos meus bracitos, tremeliques, incapazes de a suster. Cai pela gravidade e sem dar oportunidade a alguém que a segurasse e me protegesse.

Peito completamente esborrachado, a Alexandra entalada pela barra e pela vergonha.

Gargalhada geral na sala.

Com as faces a arder, afundo o rosto na toalha e saio de mansinho, rabo entre as pernas, soltando suaves e envergonhados ganidos.

Ao que parece, aqui a espertinha havia feito mal as contas. Contei vinte e cinco quilos.

O que seria perfeito.

Não tivesse ignorado os outros vinte e cinco do lado esquerdo. A barrita pluma pesava cinquenta quilos.

Alexandra, a avestruz panada.

quinta-feira, agosto 09, 2007

Aula de Capoeira - O Regresso de Jedi

Acabei por não vos contar o meu regresso à já descrita aula de Capoeira.

Pois bem, quinta-feira seguinte, retorno à dita, de forças retemperadas para dar mais uma coça ao mestre.

Pouso a garrafa e a toalha, encosto-me junto à entrada do estúdio. Postura decidida.

Ao pé das toalhas, os outros alunos reunem-se em círculo suspeito.

Cochicham. Conspiram.

Enviam-me olhares ameaçadores.

Faço um sorriso inocente de bandeira branca.

Rosnares de resposta. Viram-me as costas, fazem-me manguitos, rogam-me pragas até aos meus trisnetos e vão-se embora.

À porta, junto ao horário das aulas, a justificação para tal recepção.

"Informam-se os sócios que, por motivos de desistência do instrutor, a aula de Capoeira será cancelada a partir de hoje até ao início do mês de Setembro."

segunda-feira, agosto 06, 2007

Beach Tennis

A propósito de somar pontos...

Sábado, mega tarde de praia.

Lá para o finalzinho do dia, a Carmen lembra-se de irmos jogar às raquetes.

Desafio que aceito prontamente, ansiosa por demonstrar os meus dotes de Sharapova Pocahontas.

Meia hora para decidirmos se jogávamos em biquini ou se vestiamos qualquer coisita.

A audiência começa a juntar-se à nossa volta. Acotovelam-se.

A Carmen decide pelo modelito calças brancas e esvoaçantes de algodão. Eu fico-me apenas pelo biquini para realçar o famoso rabo. Está frio, diz ela. Com mini-saia ou sem mini-saia o frio é igual, respondo. Rabo da Xana:1.

Lá começámos a aquecer. Serviços estonteantes. Raquetadas e respostas rápidas e vigorosas.

A multidão rejubila.

Loira e morena debatem-se pela bola cor-de-rosa. Almejando a vitória e a saída em ombros, levadas pelo insuflado e banhado em óleo Johnson barman da noite. Por sua vez, este seguia, embevecido, o duelo enquanto retesava os quadríceps (E espalhava mais óleo Johnson pelo corpo. Litros de óleo Johnson.).

Empatadas. A multidão, espectante, já chegava às praias da Trafaria (Daí a razão de tanto trânsito naquele final de tarde). Torcem, gritam, puxam os cabelos. Boxers com números de telefone esvoaçam ao nosso encontro.

A Carmen serve. Bola esquiva e rápida. Recebida, por mim, a custo mas devolvida com a mesma força e destreza. Passa mesmo ao lado da cabeça da Carmen. Encolho os ombros (E a cabeça... e o rabinho!) com receio do embate. A bola faz ricochete no poste da bandeira. Ganha velocidade e vai de encontro certeiro à cabeça da velhinha da cadeira de rodas, que apreciava tranquilamente o pôr-do-sol no horizonte.

Já não. Havíamos apagado a velhinha.

Sem que ninguém se tivesse apercebido.

A não ser a Sofia, a Sara e o Nuno, que rebolavam na areia a rir com a nossa cara.

Até que caímos em nós.

Nem mais um segundo. Agarrámos na tralha e pusemos-nos em fuga, aos tropeções, não fosse alguém dar pelo feito azarado.

Super-heroínas, sim. Mártires apedrejadas em praça pública é que já não!

quinta-feira, julho 19, 2007

As alegrias do exercício físico

O “meu” ginásio é “supê”. Bem frequentado. Não tanto às horas de ponta mas a horas mais calmas, desfilam ao pontapé actores, modelos e socialites que vemos estampados nas revistas cor-de-rosa.

Quinta-feira passada, chego mais cedo, às cinco horas da tarde (sim, roam-se), e preparo-me para uma sessão intensiva de abdominais. Opto antes pelos alongamentos para preparar os músculos para as aulas.

A alongar os posteriores da coxa, quando reparo no Paulo Pires* a mirar descaradamente o meu rabo.

Admira o rabo, a flexibilidade, o ar exótico, o sorriso desconcertante. Completamente hipnotizado, escorre-lhe um fio de baba transparente pelo queixo.

Até que é violentamente acordado com uma vergastada da mulher, alta, magricela e loiríssima, que o sova sem piedade.

Arrasta-o pelas orelhas e insulta-o para surdo ouvir, à frente de todo o ginásio. Que se contorce de dor só de presenciar caricata cena (Entretanto já toda a gente largara as máquinas de insuflar bíceps ou encolher barrigas.). Todos com o estarrecer visível nos rostos pelo pobre cachorrinho pública e brutalmente espancado. Apupam. “Buuu-huuu’s” de descontentamento.

Afinal de contas, não merecia. É perfeitamente normal ficar deslumbrado com esta beleza.

Após este episódio, do qual sublinho NÃO TENHO CULPA NENHUMA, uma vez que me limitei a seguir o plano de alongamentos prescrito, peço encaradecidamente,

Senhores Directores do Wellness, por favor entreguem-me uma cópia das filmagens de segurança, referentes à tarde de quinta-feira passada, dia 12 de Julho.

Desde já, asseguro-vos que as mesmas serão unicamente utilizadas para fins privados e pessoais.

Isto é, serão exaustivamente visionadas por mim, na companhia de uma lata de leite condensado, nos dias mais “depré”, e enviadas como presente a todos os que resolvem massacrar-me ou que não me dêem o devido valor. Pensando melhor, enviarei também algumas cópias às televisões nacionais. Apenas por precaução.

Cumprimentos,

A tesuda.

* Mais uma vez, revelo a identidade pois vocês conhecem lá o Paulo Pires... errrrr... DOPE!

terça-feira, julho 17, 2007

Ka - Ma - Te - Ka - Ma - Te - Ka Ora

Sabendo que sou desportista e que adoro um bom desafio, uns amigos convidaram-me para jogar râguebi.

Estávamos todos na praia e os rapazes foram desafiados por um grupo para jogar. Assentiram, entusiasmados. No entanto, tinham falta de um jogador. Olharam para a grupeta e, entre o Chico Óculinhos, a mulherada entretida com as revistas côr-de-rosa e eu, escolheram a Alexandra, a desportista.

Orgulhosa, caminhei para eles, de cabeça erguida, peito para fora e passo vincado, qual pavoa exibicionista, despertando a inveja geral. Pelo caminho, atiro a língua para fora e faço manguitos ao Chico Óculinhos, que esbugalhava os olhos já salientes e espumava de raiva.

Jogo emocionante, com várias quedas, placagens e muita areia engolida. Empate.

Um tipo da outra equipa faz uma gravata ao Migas. Abre-se a discussão e a bola perdida.

Não faço mais nada. Perante os varões distraídos, agarro a bola e desato a correr. Os tipos reparam e seguem no meu encalce. Vejo marmanjos atrás de mim. Vejo a minha equipa atrás de mim (???!). Com ar de quem busca por sangue. Ameaçadores. Imagino-me feita em bolonhesa. Bato os calcanhares e desato a correr aos gritos, qual Macaulay Culkin ao experimentar after shave. Corro desalmadamente, entre rectas e voltas serpenteadas, fitando todos os jogadores que me aparecem à frente. Chego ao outro lado do campo, aliviada.

Infelizmente, ao lado errado, levando a equipa à derrota.

Comemoro com danças e hurros de vitória. Os All Blacks nunca viram tal Haka.

Os meus colegas choram, desgostosos, lamentando-se por não terem escolhido o Chico Óculinhos.

“Que giro! Ficaram emocionados com o meu desempenho!”, adivinho.

Erradamente. Foi então que me apercebi do meu real feito.

A minha equipa furiosa. Voltaram-me as costas, vociferaram insultos e por pouco não me cuspiram em cima. A mulherada derreada por ter de aturar o mau humor dos moços. O Chico Óculinhos rejubilante. Digamos que o dia de praia ficou por ali.

Convidem-me para a próxima, convidem... Jogo de brutos jogado por cavalheiros, MY ASS!!!

sexta-feira, junho 22, 2007

Wax on, right hand. Wax off, left hand

Cheguei há pouco da minha primeira aula de Capoeira.

Já andava a namorar a aula há algum tempo, pelo que hoje saí do step e troquei as massagens da piscina por uma aula “à macho”.

O professor, simpaticíssimo, explicou-me uma série de coisas quanto à origem, aos instrumentos musicais, filosofia, etc.

Começámos pelo gingar, base que apanhei logo lindamente, com ébrios elogios do mestre.

De seguida, passámos à execução de vários movimentos e golpes.

Alexandra seguia atenta e cuidadosamente os passos do seu mestre, qual pupila empenhada na busca dos gloriosos vinte valores. Exímia! Alexandra era meias-luas, meias-luas de compasso, Alexandra era queixadas, rabos-de-arraia, intercalados com vários esquivas e esquivas com rolê. Não poderia estar a correr melhor! Aliás, ia jurar ter visto até uma lágrimazinha sorrateira, no canto do olho do mestre, orgulhoso e ensoberbado com a sua nova e diligente aprendiz.

Repetimos várias vezes a execução dos golpes e esquivas até que o mestre considerou estarmos preparados para os pôr em prática a pares, como simulação de luta.

Verdadeiramente reencarnada na personagem de escrava guerreira de sangue africano, iniciei a ginga, tendo como oponente o mestre, que me ia dando indicações dos golpes e esquivas a executar. E eu já completamente embalada, por vezes um pouco atabalhoada, mas sempre com grande determinação, pelo que o professor resolveu puxar por mim.

- Agora tens que adivinhar quando e para onde deves esquivar-te e tentar atacar. Atenção! Se não te esquivares, ACERTO-TE! – Tremo o lábio inferior e concentro-me franzindo o sobrolho, táctica ancestral utilizada para intimidar o astuto adversário.

- Esquiva-te! Esquiva-te! ESQUI...

Vejo um pé direito a mim! Vejo a perna musculada a passar a cinco milímetros da minha vista!

Sem pensar, agaixo-me no chão, olho em frente e desfiro impiedosamente um murro certeiro e direitinho aos ditos, às partes baixas, sim, blogosfera... aos tomatitos do mestre.

Completamente atónito, o capoeirista cai ao chão, encolhido, agarrado aos doridos pertences, gemendo e chorando baixinho.

Apercebendo-me da asneira, e perante os bufos agonizantes do estrunfe desarmado, desencarno a guerreira escrava e adopto a formiga atómica. Pego na toalha e na garrafa de água e corro velozmente em direcção ao balneário. Estremosa, descanso os corações, certamente inquietos, gritando-lhes através da porta:

- Não se preocupem! Eu estou beeeeeeem!

Agora, pensem comigo: Séculos de aperfeiçoamento duma arte marcial perdidos num murro nos tomates...

Xana: 1 Arte secular da Capoeira: 0

terça-feira, junho 05, 2007

A partir de agora, tratem-me por "Alexandra, A Avestruz"

O sol quase posto. Os pés ritmados contra a terra batida. A brisa morna no rosto.

Para os lados da mata, lá sigo eu, embalada na música, tentando bater os recordes do Obikwelu, versão moderna Rosa Mota cuidada e depilada.

Os campos abertos esfumam-se ao fundo, entro no labirinto de árvores. A folhagem escura das copas move-se lentamente, num marear, ondas suaves ao som do entardecer. Desvanecem-se os campos, os jogadores, as pessoas.

Demasiado embalada, dei por mim a fazer o costume. Lá, lá, lá e já corro de uma forma estranha. Olho ao meu redor, vejo ninguém, e asas para a liberdade! De uma corrida estranha, aos passos de dança improvisados é um instantinho. Dança contemporânea meets Hip Hop.

Adeus, Obikwelu. “Hello”, Fred Astaire!

Embaladíssima, piruetas, contratempos, voltas e meia, arqueia aqui, balança ali. Qual corrida, qual carapuça! Já estava sozinha no meu quarto, com a música a invadir-me o cérebro. “The usual”.

Embaladíssima. Quando me viro de costas e vejo um PELOTÃO de corredores, agarrados à barriga de tanto rir.

Primeiros quatro minutos D.V. (Depois da Vergonha): Sorriso amarelo, acompanhado de gaguez compulsiva.

Quinto e sexto minuto D.V.: Acordo para a vida, tento disfarçar. Finjo alongamentos. Atrapalho-me no fio do mp3 e emaranho-me qual almôndega sofocada pelo esparguete.

Sétimo e seguintes minutos D.V.: Ignoro as silvas e os espinhos, mergulho sofregamente no arbusto mais próximo. Cubro a cabeça com as mãos e gemo baixinho, rezando para que todos se vão embora.

segunda-feira, abril 23, 2007

Weeeee!






Foram brincadeiras destas que deram cabo de mim (Obviamente, muito aquém de uma Sofia Boutella).

What were you thinking???

Mas já estou recuperada! Weeeeeee!

Bailonautas, quarta-feira, prometo não faltar. Até lá, treino lombar, treino lombar e... acho que amanhã ainda passo pela Capoeira... :-D

sábado, abril 21, 2007

Cão???

Não!!!

O melhor amigo do homem é o

sexta-feira, abril 20, 2007

Tu perguntas e eu não sei

E vocês perguntam:

- Ó Xaninha, onde é que a menina esteve das duas às três da tarde? (Com a mesma entoação da pergunta do vinte e cinco de Abril, certo?)

- A dormir descaradamente. Com um fiozinho de baba transparente e borbulhosa a sair da boca escancarada. Dói-me tudo. Dói-me o corpo todo. Desde a unhaca do dedo grande do pé às gotas de água que se evaporaram do cabelo após o banho. Andei a abusar das aulas de dança e agora só me desloco munida de andarilho ou nos braços de dois moços bem (a)parecidos.

- É o que dá... Tens a mania que fazes tanto ou mais que as miúdas de dezasseis anos (Entender este como o típico sermão, o sermão da treta, aquele que me ensurdece os ouvidos todos os dias e cai em vazio roto. Mais facilmente ligarei a favas... arghhh!)...

- Mas eu faço tanto ou mais que as miúdas de dezasseis anos!

- Glup (Grande sapo engolido em seco. Não um, mas a família inteira de batráquios, mais as espécies similares acopuladas. Perigo! Garganta engasgada com quarenta e nove sapais e meio. É muito ADSL!!!)! É verdade...

- Ahhh, pois é. Eu bem me esforço (voz de beicinho fofo, daqueles que apetece levar a passear e oferecer novelos gigantes de algodão doce)...

- "Granda" Xaninha! Descansa lá mais um bom bocado, que bem mereces. Quando acordares, faço-te umas torradas de pão de milho com goiabada. E um suminho "esperto" (sotaque brasileiro, por "favôrrr") de manga, laranja e cenoura. Pode ser? (Ok, aqui sou eu a sonhar, a delirar febrilmente com aquilo que bem que poderia substituir o habitual sermão supra citado... São dois tabefes na cara e quatro ou cinco beliscões no antebraço, por favor!).

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P.S. - A emergente quantidade de posts é directamente proporcional à ausência de emails, com ou sem devaneios almiscarados. Pus a migolândia a pão e àgua para as próximas semanas e agora não consigo resistir ao vício... SOCORRO, sou uma emailodependente!

quinta-feira, abril 12, 2007

Os homens gostam é das badalhocas

Não obstante ter ficado apeada porque o meu caridoso irmão levou o jipe para o Alentejo, enquanto vocês percorriam as procissões, osculavam os pés da figura do menino Jesus e aturavam os duzentos primos que não conhecem, a menina aqui rodopiava na Convenção de Fitness, que se realizou em Porto Salvo.

Terminada a aula de Hip Hop do Raul (e que aula), estava um pitéu, uma verdadeira princesinha. Corpo e cabelos encharcados, faces tão ruborizadas que fariam inveja a muita beringela suculenta que há por aí à venda, um cruzamento de cheiro de cavalariças com suíno, num dia de 44º graus à sombra sem àgua.

Deixando um rasto de gotas gordas de suor pelo chão, lá me arrastei, quase de gatas, para o balneário. Lavei bem o rosto, limpei-me (com toalhetes, pois estava lá capaz de enfrentar jactos de àgua gelada), mudei de roupa, prendi o cabelo e fiz-me à estrada.

Aguardava espojada no assento da paragem, quando comecei a sofrer descaradas investidas dos mosquitos nas minhas calças verde lima da Susana Gateira. "Esta cor faz sempre um sucesso", pensei para comigo.

Mais investidas. Olho à minha volta. Relva molhada e mercado municipal. "Se não encontrasse mosquitos é que era estranho!"

(Interiormente, lá pensei "Será...? Onde é que eu puz a amostra de perfume??" Pânico!!!)

Ah, pois... a viagem...

Para meu espanto, no combóio, sentou-se imediatamente um homem ao meu lado. Piscou-me o olho e adormeceu com a cabeça aninhada sobre o meu ombro. Por pouco, não me agarrou, abraçou e me gritou sua. Do outro lado, três jovens exibiam cartazes com números de telefone, esbracejavam e faziam sinaléticas para lhes ligar. "Princesa, beija-me outra vez", era a música mais trauteada nas carruagens.

Não sei se seduzidos pelos vincos da roupa que passou um dia embrechada no fundo da mochila e pela pele desidratada do rosto, ou se pelas duas moscas que esvoaçavam sobre o meu cocuruto, TODOS os indivíduos de sexo masculino que se cruzaram comigo me cumprimentaram, sorrindo e acenando. Dois sujeitos protagonizaram uma cena de pugilato para se sentarem ao meu lado. Outro ia arrancando o sobrolho do amigo à dentada para se sentar à minha frente.

Cheguei a casa com cinco rascunhos de números de telefone no bolso, três flores arrancadas à socapa dos canteiros públicos e meio Bolicao de chocolate.

Moral da história: A mulher arranjada, perfumada, maquilhada, elegante e de saltos altos foi para a sarjeta.

P.S.1 - Os factos acima descritos são pura ficção e não deverão ser confundidos com quaisquer pouco eventuais e residuais semelhanças com a realidade.

P.S.2- "A lady never tells". Seja sob a tortura de estar amarrada pelos mindinhos, com uma lata de leite condensado à frente da vista e a fazerem-lhe cócegas nos sovacos ou nas plantas dos delicados pés. Seja através de "alviçaras", como um par de sapatos novos da Pablo Fuster ou uma viagem às Seichelles. Não conto!